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Pitty – Admirável Chip Novo (2003)

Pitty – Admirável chip novo (2003)

Salve galera ligada no site AHD, eu Bruno Machado estou de volta para mais uma resenha com aquele gostinho gostoso de nostalgia.  E eu continuo na “pegada baiana”, depois de escrever sobre a maravilhosa Daniela Mercury, hoje eu volto as raízes do rock e falo sobre o primeiro álbum de estúdio da cantora Pitty.

Pitty e sua trupe lançaram o disco Admirável Chip Novo em 2003 pela Deckdisc, viram várias faixas do mesmo caírem nas graças do público, produziram vários hits e videoclipes que ganharam notoriedade na MTV Brasil. Em minha cidade a emissora estava disponível para nós do interior paulista por conta de uma gambiarra com “selo br de qualidade”. Mas antes de falar dessa relação maravilhosa, vamos primeiro ao cenário do rock nacional no início dos anos 2000 no Brasil.

Na virada do século as bandas de 80 que tiveram destaque estavam num período bem morno, sem o mesmo animo, o povo brasileiro estava esperando algo novo no segmento. Nessa época surgiram nomes como Detonautas Rock Clube, CPM22, Tihuana e Pitty. Dentre esses nomes é inevitável apontar que a cantora baiana era a melhor representação do rock brasileiro no momento, sentia-se um ar mais agressivo e que trazia esperança aos roqueiros de plantão.

O disco foi o primeiro de estúdio de Pitty, como citado acima, além de cantora ela é multi-instrumentista e compositora. A baiana trouxe consigo um time de músicos muitos bons e que mostraram grande envolvimento com o projeto.  A banda era formada por Peu (guitarra e violões), Joe (baixo) e Duda Machado (bateria). Ao longo da matéria citarei algumas das participações especiais que engrandeceram ainda mais esse primeiro álbum da Pitty.

Bora falar um pouco das faixas do disco, ao todo temos 11 faixas, sendo que 6 chegaram as rádios. Ou seja meus caros leitores, a cantora teve um sucesso estrondoso já no seu primeiro álbum de estúdio, coisa rara para artistas brasileiros, muitas bandas de grande sucesso em nosso país tem primeiros discos horrorosos em relação a músicas em rádio. É claro, que a maioria deles não teve uma parceria bem sucedida com a MTV Brasil no início da carreira, já que a mesma ainda não tinha chegado por aqui. A música que dá nome ao disco, Admirável Chip Novo – dá quase pra confundir com Admirável Gado Novo do saudoso Zé Ramalho, não!? – foi uma das primeiras faixas a ganhar videoclipe e aparecer exaustivamente na MTV, estava sempre presente nas primeiras posições do Disk MTV – oooooh saudade. Temos também videoclipes para as faixas, Teto de Vidro e Máscara, ambas com cunho social forte, admito que uma das coisas que mais me chamaram a atenção na época que tive contato com o trabalho da Pitty foi isso, o fato de abordar assuntos que há tempos o rock não passava perto.

As faixas consideradas “Lado B” são interessantíssimas também, contam com uma distorção pesada de Peu e uma pegada forte de Joe e Duda, Pitty é impecável no álbum todo, mesmo percebendo que a cantora em algumas horas demonstra um pouco de timidez em relação a imposição de sua voz, aliás, essa timidez logo foi embora nos discos posteriores. Agora vamos a outra coisa interessante nesse disco, uma faixa foi tema de novela global, e aí, você lembra de qual foi!?

Não que eu seja o mais noveleiro dos integrantes do AHD, mas eu me lembro bem da novela Da Cor do Pecado (2004), que foi estrelada por Reynaldo Gianecchini, Taís Araújo, Giovana Antonelli, Cauã Reymond, entre outros. A novela das 6 tinha como uma das músicas destaque Temporal, uma balada sensacional que conta com Paulinho Moska no violão e Jaques Morelembaum no Cello – este último só foi um dos responsáveis pela parte orquestrada do Acústico MTV de 1997 do Titãs, só isso meus queridos rs – e que é uma das melhores faixas deste álbum. E já que estou falando de participações especiais, nada melhor do que falar da mais importante delas, a de Liminha na faixa Equalize. Outra faixa maravilhosa do disco que mostra toda a doçura de Pitty, a cantora se mostrou muito foda nas músicas mais pegadas e extremamente meiga nas faixas mais “calminhas”, até hoje é uma das coisas que mais me encanta na cantora. Liminha participa da faixa tocando baixo, o groove que ele dá na música é fora do comum, ele sem dúvida é um dos maiores instrumentistas e também produtores que o Brasil já teve.

Pra fechar a matéria com chave de ouro vou destacar a última faixa do álbum, Semana Que Vem. Acredito que foi uma das primeiras canções da Pitty que eu tive contato, lembro-me de ver várias vezes uma matéria na MTV Brasil sobre os bastidores da gravação do videoclipe, que assim como a música é sensacional. Nada de recursos visuais extraordinários, mas sim um conceito simples e direto. Nada como conceber uma música que transmite a importância do hoje, coisa que hoje em dia está difícil de encontrar na na música brasileira, temos raras exceções. Eu ainda tive a oportunidade de ver um show da Pitty no João Rock em 2015, já com nova formação – Peu cometeu suicídio em 2013 e Joe saiu da banda em 2011 – contando com Martin na guitarra e Guilherme Almeida no baixo, pra mim foi um dos melhores shows do festival, uma pegada absurda, Pitty afinadíssima e os músicos super entrosados.

Bom meus queridos, vou ficando por aqui e espero que vocês tenham gostado. Curtam tanto esse álbum da Pitty como os posteriores que são muito bons também. Valew galera e até a próxima =D

Faixas do Disco

1 –  Teto de Vidro

2 – Admirável Chip Novo

3 – Máscara

4 –  Equalize

5 – O Lobo

6 – Emboscada

7 – Do Mesmo Lado

8 – Temporal

9 – Só de Passagem

10 – I Wanna Be

11 – Semana Que Vem

Curta o videoclipe da faixa Semana Que Vem.

Ouça o álbum Admirável Chip Novo na íntegra!

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Rush – Moving Pictures (1981)

Rush – Moving Pictures (1981)

Fala galera do A História do Disco, depois de um pequeno hiato – explicável – Denis Borges volta para mais uma resenha. Essa não será apenas “mais uma resenha”, será o começo de um projeto que bolei esses tempos atrás. Explicarei. Nasci no ano de 1981 – velhinho, não? – Tive um insight de fazer uma resenha para os meus 37 anos, 38, melhor dizendo, não terminarei antes de 11 de abril do ano que vem quando completo 3.8, quem quiser me presentear, sinta-se à vontade quanto a isso. Enfim, a partir desta resenha estarei fazendo uma para cada ano de vida que tive até aqui. Para minha grata surpresa o ano de 1981 é um ano muito abastado de ótimos discos.

Antes que pensem em critérios, não, não terei critério algum para escrever sobre os discos, a única preferência que darei será escolher um disco que não conheço tanto ou um disco muito fodástico que não daria pra falar de outro senão o próprio. Para começar essa série, além de adotar o critério fodástico, usei um terceiro critério desconhecido até o momento, o critério sentimental, quis fazer uma homenagem a uma pessoa que hoje considero um amigo, um amigo Rock ‘N’ Roll, difícil achar aqui pelas bandas de Taquaritinga, mas sem querer e graças ao Bruno Machado eu encontrei, estou falando do nosso querido Guga, ou Gustavo Troiano – até hoje não sei direito o que ele faz na rádio Planeta Verde FM 104,9, além de fazer tudo. O Guga, para quem só acompanha o site, possibilitou que as matérias criadas virassem programas de rádio todos os sábados às 19h e com reprise aos domingos no mesmo horário na Rádio Planeta Verde FM 104,9, aqui de Taquaritinga/SP. Voltando ao Guga, esse cara é muito importante para o A História do Disco, sem contar o seu conhecimento sobre esse estilo musical do qual discorremos na maioria das nossas resenhas. Juntamente com todo esse repertório que já valeria uma resenha/homenagem, o nosso querido Guga é fã incondicional de uma banda que conhecia pouco, sabia da sua vasta e ótima obra, e mesmo assim, nunca doei muito do meu tempo para conhecê-lo melhor , estou falando do Rush, caro blogonauta e ouvinte, mais precisamente do disco Moving Pictures (1981), uma das pérolas dos anos 80.

Rush – 1968 até 1981

Depois que conheci o Guga sempre tive uma curiosidade imensa em escutar Rush para entender a sua idolatria pela banda. Quando resolvi escolher esse disco pra falar, comecei a pesquisar sobre a banda e sua obra e aos poucos fui entendendo o porquê de toda essa devoção. O Rush, posso afirmar com certa convicção, é uma banda formada por SENSACIONAIS músicos, todos estão em listas dos melhores de todos os tempos, Neil Peart (baterista) é cultuado por 9 entre 10 bateristas de rock, idem para os outros dois integrantes “God” Geddy Lee (vocal, baixo e teclado), um cara que toca baixo com seu virtuosismo , canta e ainda toca teclado só pode ser chamado de “God”, e Alex Lifeson (Filho da Vida) ou Aleksandar Zivojinovic, seu nome de batismo, um tão virtuoso guitarrista  quanto Lee é baixista , e que sempre completou esse power trio com maestria, sua busca por originalidade sempre foi ímpar, além de compor a maioria das músicas junto com Geddy Lee, deixando Peart a cargo das letras. Uma particularidade me fez admirar o Rush é sua fluidez que com o passar dos anos faz a banda migrar de tendência, outro fato que me maravilhou foi o lançamento constante de álbuns até o momento em que lançaram Moving Pictures. Em apenas sete anos de estrada o Rush lançou sete álbuns seguidos , além de um ao vivo. Após um disco com muita influência do hard rock e do Led Zeppelin, nada pejorativo na citação, o Rush sempre foi uma banda de características próprias, vem o segundo disco Fly By NIght (1975), agora com Neal  “O Baterista” Peart que entrou na banda no lugar do bom John Rutsey. Em Fly By Night já sentimos a influência de Peart na banda com a introdução de elementos progressivos em sua sonoridade. Aos poucos a banda se desvincula do hard rock e volta sua atenção para o rock progressivo e seus sintetizadores. Bandas como Yes, Vander Graff Generator e King Crimson passaram a ser influencias para o Rush. Na busca pelo melhor som com a mais alta complexidade de execução, esses cara beiravam a perfeição, criavam músicas extensas com alto grau de dificuldade e com letras que falavam sobre fantasia, ficção científica e poesia clássica, Peart sempre amou esse tipo de literatura e a banda era conhecida por ser composta por Nerds, que bom, não? No álbum Permanent Waves (1980) o Rush começou uma nova transição em sua música, trazendo novos elementos expoentes à época, como os usados na new wave, a diminuição do tamanho de suas canções também as tornou mais acessíveis e presente nas rádios da época. Essa transição se completa em Moving Pictures (1981), o ator principal da nossa história de hoje.

MOving Pictures (1981) – 8° DIsco de estúdio do rush

Moving Pictures alçou voos que nenhum outro disco  do Rush chegou a alçar. Proposital ou não foi nesse disco que o Rush se consolidou no mercado como uma grande banda de rock. Uma grande banda de rock vendedora de discos, porque grande branda sempre foi, disso ninguém tem a menor dúvida.

Começamos o disco diretamente com a “cereja do bolo”, estou me referindo ao maior sucesso comercial do Rush em seus 40 anos, Tom Sawyer, eternizada como música tema do seriado “McGyver – Profissão Perigo”, série que passava na Globo do meio dos anos 80 pra frente – o cara construía uma bomba nuclear com um chiclete, um clip e um pedaço de barbante – o seriado foi um sucesso absoluto assim como a música é até hoje. Voltando a Tom Sawyer ela tem a seu favor, assim como todo o álbum também tem, a dosagem perfeita de todos os elementos que fizeram do Rush uma banda única, essa mescla que deixou a música mais acessível, mas não menos grandiosa e tecnicamente perfeita nos traz grande expectativa quanto ao resto do disco. “Red Barchetta” é uma música harmonicamente “OK”, mas o ok para o Rush é algo mágico para qualquer outra banda, todos os instrumentos tocados com maestria e exatidão, o solo de Lifeson é algo espetacular, enfim, Rush sendo Rush. “YYZ” a primeira instrumental do disco traz o que mais gosto no Rush,  todos tocando como se estivessem solando sozinhos e mesmo assim tudo harmonicamente encaixado, viradas, sintetizadores, guitarra, baixo, monstro, 6 min. e 10 seg. de puro virtuosismo.

“Limelight” é a visão de Peart sobre o sucesso, fazer sucesso, ser sucesso, lidar com o sucesso, musicalmente falando, guitarra de Lifeson sempre marcante na perfeita cozinha que é Peart e Lee.  “The Camera Eye” é a última “grande” música do Rush, grande no tamanho, galera, depois dos seus 10 min. e 59 seg. o Rush nunca mais fez uma música tão longa em todos os seus outros discos vindouros. Outro detalhe interessante dessa música é que ela era elas, eles juntaram duas músicas e transformaram em “The Camera Eye”, sendo que sua primeira metade exigiu muito de todos os músicos, tecnicamente falando. “Witch Hunt” seria o patinho feio do disco, a menos lembrada, começa com um instrumental sinistro, gritos – todas as pessoas que estavam no estúdio movidos a muito whisky – ela é mais cadenciada, bastante sintetizadores, vocal de Lee meio apocalíptico. “Vital Signs” a última do álbum, logo em sua introdução percebemos um quê de Police, a new wave estava em alta na época, grande trabalho de baixo de Lee, sem contarmos a bateria de Peart e a guitarra de Lifeson. Na maioria das vezes falar de Rush é chover no molhado, sempre inventivos, técnicos, perfeitos no que se propuseram a fazer.

Pra mim foi muito divertido e difícil, difícil por diversos motivos: não conhecer completamente a história musical da banda,uma missão quase impossível pelo tempo que tive para desenvolver o texto, são 20 álbuns de estúdio, mais 9 álbuns ao vivo, diversas compilações, enfim, não ter uma base sólida do que foi essa maravilhosa banda é pisar em ovos, com certeza falei algumas “groselhas” aqui, me desculpem, essa é simplesmente a opinião de um cara que passou a escutar Rush há mais ou menos três meses. Prometo em um futuro fazer uma(s) resenha(s) sobre algum disco da banda, afinal disco é o que não falta, mas dessa próxima vez com maior propriedade. Nessa brincadeira toda o Rush ganhou mais um fã e o que eu mais gosto nesses caras é a amalgama que o virtuosismo de cada um produz em prol da música. Resumindo, o Rush é uma banda onde os músicos tocam se estivessem solando pela última vez na vida e mesmo assim, toda essa virtuose se encaixa perfeitamente – essa é a segunda vez na resenha que cito isso -, fico abismado com isso :O.

Galera, queria mais uma vez me desculpar por qualquer palavra mal colocada ou mal entendida. Me corrijam no que precisar nos comentários – quero aprender -, curtam muito o Rush que é uma banda S E N S A C I O N A L ! Fico por aqui e até o ano de 1982 aqui no A História do Disco.

P.S.1:  Essa foi a minha maior resenha. Desculpem-me por isso também, mas não daria pra ser menor.

P.S.2: Deixarei abaixo dessa série de resenhas os outros discos lançados em 1981 que fiquei em dúvida na hora de escrever.

Discos de 1981 que possivelmente falaria:

– Black Sabbath – Mob Rules;
– The Rolling Stones – Tatto You;
– Eco & The Bunnymen – Heaven Up Here;
– Duran Duran – Duran Duran
– The Police – Ghost In The Machine
– Black Flag – Damage

Faixas do Disco

1 – Tom Sawyer

2 – Red Barchetta

3 – YYZ

4 –  Limelight

5 – The Camera Eye

6 – Witch Hunt

7 – Vital Signs

Assista um registro da faixa Tom Sawyer.

Infelizmente não encontramos link no Youtube com o disco (cd) na íntegra, porém você pode encontrar o mesmo
em plataformas como Spotify e Deezer!
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Daniela Mercury – O Canto da Cidade (1992)

Daniela Mercury – O Canto da Cidade (1992)

Salve galera que curte o site AHD, aqui estou eu Bruno Machado para mais uma matéria. Venho pesquisando cada vez mais discos que eu nunca tive contato, principalmente de artistas que já me chamaram atenção mais de uma vez com diversas canções e também com sua força dentro do cenário musical. Como bom carnavalesco que sou me lembrei de que um disco de axé ainda não tinha vindo aqui pro nosso site, ai resolvi falar do estilo por uma das cantoras mais icônicas do mesmo. Bora resenhar sobre o segundo álbum de estúdio de Daniela Mercury.

Eu fiz questão de escolher este disco pois “um tal de Liminha” que produziu, aí eu não resisti e pulei de cabeça no axé e na carreira de Daniela. Inclusive minha mãe passava pelo meu quarto e falava: Uai, se virou “axézeiro” agora!? Eu ri é claro, mas confesso que apesar de ser um cara mais ligado ao rock e ao pop, admiro acima de tudo músicas de qualidade, independente do estilo. E lógico, gosto de carnaval, mesmo porquê toco em um bloco da minha cidade natal, Taquaritinga/SP, interior do estado de São Paulo.

A baiana Daniela Mercury começou sua carreira cedo, e antes de se firmar na carreira solo foi backing vocal de Gilberto Gil e também fez parte da Banda Eva – que ficou famosa posteriormente por ter Ivete Sangalo com vocalista. A partir daí as portas se abriram pra cantora que foi pra carreira solo e já brilhou em seu primeiro álbum com o sucesso da faixa Swing da Cor. A faixa Menino do Pelô também ganhou destaque.

A partir do disco O Canto da Cidade, Daniela obteve mais recursos para fazer um disco melhor que anterior que é praticamente independente. O movimento Axé Bahia vinha ganhando força, atingindo outras regiões do país, Liminha entendeu tudo isso e fez a cantora explodir com a canção Canto da Cidade, que aliás dá nome a este segundo álbum de estúdio da cantora. E nesse álbum sentimos um trabalho mais cuidadoso em relação ao instrumental, linhas de baixo, percussão sempre bem encaixado e teclados dando o ar da graça na maioria das faixas.

A canção Batuque também é um destaque desse álbum, um axezão raiz, percussão alá timbalada ou mesmo olodum, música muito bem swingada, pra você que gosta desse estilo ou mesmo de carnaval, vale muito a pena conferir essa faixa. Outra canção que merece destaque é Bandidos da América, mostrando que o axé também abordar temas como política e questões sociais.

Em uma determinada parte do álbum, o mesmo começa a pender para um lado mais mpb e pop, em Geração Perdida temos até a impressão de que há um flerte de Daniela em relação a voz de Gal Costa, faixa que também abordar questões sociais. Posteriormente vem a faixa Só Pra Te Mostrar, que conta com a participação de Herbert Vianna, guitarrista, cantor e compositor da banda Os Paralamas do Sucesso.

Antes de falar mais sobre o disco é muito válido citar que o movimento Axé Bahia teve muitos representantes, não só Daniela Mercury. Entre eles temos: Luiz Caldas, Ivete Sangalo (desde que era vocalista da Banda Eva), Chiclete com Banana, Carlinhos Brown (não sou fã do cara, mas temos que admitir que ele é um dos maiores compositores da música brasileira, e já fez parceria com outros grandes nomes da MPB como Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Herbert Vianna), Netinho, Araketu, Timbalada e Olodum. O movimento se fortaleceu muito durante os anos 90 e o começo dos anos 2000, e passou a integrar a playlist dos carnavais pelo país todo, não só na Bahia. Só espero que as marchinhas nunca sejam esquecidas, pois foi por elas que o Carnaval ganhou vida!

Bom, voltando ao álbum temos uma pegada olodum na faixa O Mais Belo dos Belos (A Verdade do Ilê/ O Charme da Liberdade, climão de carnaval mesmo, vocalizes deliciosos e Daniela com uma afinação absurda – pra mim uma das melhores cantoras do nosso país. Posteriormente temos Rosa Negra, outra grande canção de Daniela, mais vez Liminha faz o baixo se mostrar presente, assim como teclado e guitarra. Os mesmos adjetivos servem pra faixa Vem Morar Comigo, linda canção com mudanças interessantes de ritmo, e até uma distorção meio rock’and roll no fim da música, vale muito a pena conferir.

Por hoje é isso galera, acredito que consegui passar à vocês o significado do álbum, tanto pro movimento Axé Bahia como pra Daniela Mercury. E tenho o prazer de reiterar que música boa não está somente em um estilo musical, mas sim em todos, o Brasil é um país muito grande e que tem muitas culturas diferentes quando se diz respeito a música. Eu gosto muito de rock e pop, são os ritmos que me fizeram amar a música, mas tenho muito respeito por todos os outros estilos, e acima de tudo amo o carnaval, por isso resolvi trazer essa matéria aqui pro AHD. Espero que todos tenham gostado, valew pessoal e até a próxima.

Faixas do Disco

1 –  O Canto Da Cidade

2 – Batuque

3 – Você Não Entende Nada/ Cotidiano

4 –  Bandidos Da América

5 – Geração Perdida

6 – Só Pra Te Mostrar

7 – O Mais Belo Dos Belos (A Verdade Do Illê/ O Charme da Liberdade

8 – Rosa Negra

9 – Vem Morar Comigo

10 – Exótica Das Artes

11 – Rimas Irmãs

12 – Monumento Vivo

Curta o videoclipe do sucesso O Canto Da Cidade.

Ouça o álbum O Canto da Cidade na íntegra!

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Boston – 1976

boston – 1976

Salve galera que curte o site AHD, hoje vamos novamente fazer uma viagem aos anos 70, eu Bruno Machado vou falar de um dos maiores álbuns dessa década, que soa muito aliás como anos 80 – deve ser por isso que fiquei apaixonado por ele – e que vai te surpreender pela forma como o mesmo foi concebido. Hoje temos o primeiro álbum de estúdio da banda americana de hard rock, Boston.

Meu primeiro contato com a banda foi ouvindo a principal faixa desse álbum, a clássica More Than A Feeling, uma das canções mais belas que ouvi na minha vida, letra profunda e melodia contagiante, não há como não gostar dessa música. Depois de ouvir e muito essa música, fui procurar maiores informações sobre a banda, sua carreira, outras faixas, e cheguei ao primeiro álbum do grupo. Descobri até o estilo musical AOR (Album Oriented Rock), que surgiu no começo dos anos 70, entre as bandas que se enquadram no mesmo temos: Chicago, Journey, Toto e é claro, Boston. A sigla surgiu quando as rádios do norte do EUA tocavam os álbuns inteiros, contrariando o sistema das rádios, que era tocar somente singles para seguir seus interesses comerciais.

Este álbum do Boston foi todo centrado no talento do guitarrista e fundador da banda, Tom Scholz, e aliás, é muito válido citar que antes do grupo o mesmo era engenheiro de som. Sendo assim, ele pediu emprestado o equipamento de som do Aerosmith para este álbum que estou falando hoje aqui no AHD. O detalhe é que Scholz deu vida ao disco todo sozinho no porão de sua casa, já que o restante dos integrantes caíram na farra da noite californiana.  As outras peças raras do grupo era: Brad Delp (vocalista), Fran Sheeran (baixista), Barry Goudreau (guitarra) e Sib Hashian (baterista).

O que você caro leitor pode esperar desse disco? Bom, o que pude admirar no álbum foi linhas de baixo envolventes, sobras de guitarra bem encaixadas, vozes bem afinadas e entrosadas, bateria simples e também muito marcante, e claro, um pré anos 80 incluso no conceito do disco. Ah, não posso deixar de destacar o excelente encaixe do violão em algumas canções, vou falar mais sobre isso nos próximos parágrafos.

Bom, bora falar das três primeiras faixas do álbum, a primeira é More Than A Feeling, o maior sucesso da banda. A primeira faixa da banda aliás que eu tive contato, e me apaixonei logo de cara, se tornou um clássico da década de 70 e fez com que o mundo conhecesse o Boston. A faixa Peace Of Mind se mostra uma bela balada, introdução marcante no violão e também no riff de guitarra (que no fim conta com uma dobra, coisa maravilhosa de ouvir), os vocalizes preenchendo perfeitamente a canção, assim como o baixo que também deixa sua marca no ritmo da faixa. Depois temos o medley Foreplay/ Long Time que começa com Scholz moendo no sintetizador e Sherran debulhando o baixo, depois entra Hashian arrebentando na batera e  Barry marcando com a guitarra, essa é a instrumental Foreplay, ai depois temos Long Time, bem pop que pode lhe fazer lembrar até do grupo Toto. Destaque mais uma vez para os vocalizes, para um violão que dá as caras com personalidade e temos até algumas palminhas. Juro pra vocês que ainda não acredito que esse disco foi concebido em 76 e não em 80, mas tudo bem, estou conseguindo me habituar a isso.

Agora vamos para faixa Rock  & Roll Band, que aí já tem muito mais a cara dos anos 70, pra mim é uma das faixas em que a voz de Brad Delp mais se destaca, pode-se dizer que ele segura o ritmo da faixa, e coloca a prova sua qualidade vocal, que alias, é imensa. Depois temos Smokin, que também uma faixa totalmente setentista, e o rock gringo nessa época estava muito bem viu amiguinhos, e o Boston soube criar um conceito próprio no álbum como também soube entender qual era a bola da vez na década.

Antes de falar das últimas faixas desse disco maravilhoso, eu gostaria de destacar que é o décimo álbum mais vendido da história! Nada mal pra um álbum de estreia gravado em um porão, não? Na minha visão é algo fenomenal, estamos falando de um disco gravado em 1976, hoje em dia se tem muito mais recurso e dificilmente se grava um álbum completo com uma qualidade tão grande, aliás, hoje está difícil até pra gravar uma faixa boa, são poucas as bandas de qualidade que ainda se arriscam a gravar novos álbuns de estúdio e dar um conceito aos mesmos. O Foo Fighters é um ótimo exemplo, o último disco de estúdio da banda é sensacional, e tem vários singles que ganharam videoclipes muito bem produzidos.

Destaco agora as três últimas faixas desse disco fantástico do Boston, Hitch a Ride começa com um dedilhado bem calmo e logo depois tem um falsete perfeito, temos então mais uma balada cheia de efeitos de sintetizador, bateria com vários ataques no contra e vocalizes de cair o queixo. Posteriormente temos a faixa Something About You, era pra ser um lado B mas tranquilo, foco total no lado A, só que não! Guitarras dobradas em mais um riff alucinante e mais um sinal verde para o rock anos 70, baixo andando lindamente, batera segurando o ritmo e vozes super alinhadas. Juro que eu queria estar exagerando em tudo isso, mas não estou, esse álbum é realmente apaixonante meus caros leitores. Por último, temos a canção Let Me Take You Home Tonight, típica de fim de disco mesmo, você sente o gosto da jornada terminando, algo mais leve e que fecha de maneira suave esta obra prima do Boston.

Bom meus queridos, espero que vocês tenham curtido a matéria de hoje e continuem acompanhando o projeto AHD tanto aqui em nosso site, como mo facebook e também na Planeta Verde FM todo sábado e domingo as 19h. Até a próxima pessoal 😉

 

Faixas do Disco

1 –  More Than A Feeling

2 – Peace Of Mind

3 – Foreplay/ Long Time

4 –  Rock & Roll Band Wife

5 – Smokin’

6 – Hitch A Ride

7 – Something About You

8 – Let Me Take You Home

Ouça o primeiro álbum de estúdio do Boston na íntegra!

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Milionário e José Rico – Estrada da Vida (1977)

milionário e josé rico – Estrada da Vida (1977)

Olá amigos do site A História do Disco, tudo bem com vocês? Espero que sim, eu sou Flávio Oliveira e vamos iniciar mais uma matéria sobre música, curiosidades de bandas e tudo mais. Bora lá!?

Meus caros leitores, antes de qualquer coisa, devo alerta-lo de que a nossa resenha de hoje será um pouco diferente comparada com as que já existem em nosso site. Não é querendo polemizar nem nada, mas nós do AHD como indivíduos movidos pela música nos sentimos no dever de falar deste álbum que marca a história da música caipira brasileira. Nosso objetivo não é apenas falar de rock, pop, mpb, samba, etc., mas sim falar de música boa e de suas histórias que deixaram legados na memória das pessoas. A música é uma forma de nos libertar do tédio do dia a dia, de sentirmos as derivadas sensações que um campo harmônico pode nos propiciar (a contemplação principalmente). Assim,  aquela frase do filósofo Friedrich Nietszche faz todo sentido, onde o mesmo afirma que “Sem a música, a vida seria um erro”. Portanto, hoje falaremos de uma dupla sertaneja que marcou e ainda marca ainda a vida de todos nós – eu, por exemplo, cresci ouvindo esse tipo de música e levo isso como uma parte importante na minha formação como ouvinte e também como crítico-reflexivo mediante a situação dos trabalhadores rurais de nosso país. Falaremos dos Gargantas de Ouro do Brasil, Milionário e José Rico.

Antes de mais nada, quero deixar explicito que todas as pontuações que farei acerca desse disco estão projetadas em minha mente e por conta disso, não é soando como pura vaidade em querer colocar as minhas experiências como plano principal da resenha, mas sim falar em primeira pessoa com autonomia a partir de tudo que vivi até o presente momento ouvindo estas canções – por isso, vamos ao que interessa!

Desde quando era criança me recordo de ver meu pai e meu querido tio Luiz (que reside em Araraquara/SP) ouvindo e cantando as canções desta dupla, e por conta disso, os LP’s que meu pai tem guardado até hoje sempre compôs minha curiosidade em saber e querer conhecer essas músicas e duplas.

A dupla que está merecendo destaque hoje em nosso site é uma das mais prestigiadas no cenário sertanejo brasileiro, e que em quarenta anos de carreira venderam aproximadamente cerca de 35 milhões de exemplares de discos desde o ano em que surgiram, em 1973. Milionário e José Rico são conhecidos popularmente como “Os Gargantas de Ouro do Brasil” e creio que este apelido faz jus aos feitos da dupla – os agudos alcançados pela mesma deixa qualquer cantor de heavy metal no chinelo.

O disco que estamos falando hoje aqui no AHD é de 1977 e merece destaque porque ganhou até filmagens contando a história da dupla – eu assisti muito esse filme com meus pais. As duplas sertanejas brasileiras durante a década de 70 não tinham tanto reconhecimento como se tem nos dias de hoje, os cantores sertanejos do dias atuais fazem show diariamente, chegam a uma média de mais 100 apresentações ao mês – os caras são punk rock mesmo -, já naquela época, a maioria dos cantores populares – nos quais eram chamados de bregas – viviam fazendo circuitos de shows em circos.Sim, em circo mesmo. Pode até parecer bizarro , mas antigamente as duplas sertanejas por conta de não terem espaço nas grandes rádios (as Major Fm’s que só tocavam outros estilos de música, as duplas sertanejas só tinham espaço nas rádios AM) e até mesmo em programas televisivos, esses artistas tinham que fazer maratonas de shows com as companhias circenses.  Meus pais sempre contam que histórias sobre os shows que eles assistiram enquanto jovens aqui em minha cidade natal (Taquaritinga/SP). As duplas sertanejas passam a ganhar destaque na cultura brasileira a partir dos anos 90 com duplas como: Leandro e Leonardo, Chitãozinho e Xororó, Zezé Di Camargo e Luciano, e João Paulo e Daniel. Estes artistas literalmente quebraram a MPB de modo geral – vale lembrar que este estilo musical passava por um período de declínio, talvez pelo sucateamento que as grandes gravadoras estavam fazendo, e artistas de épocas anteriores como Maria Bethania tinham que interpretar canções de outros cantores.

 

Voltando ao disco de hoje da AHD, o ano é de 1977, próximo ao desfecho do regime autoritário que era vigente desde 1964. O trabalhador bóia fria (os famosos cortadores de cana) e também pequenos sitiantes mantinham os seus costumes em tocar a música caipira e faziam seus costumes do cotidiano se tornar música. É neste cenário que temos a dupla Milionário e José Rico.

O disco A Estrada da Vida foi lançado pela gravadora Warner Music no ano de 1977. O álbum chegou a alcançar marcas impressionantes – 750 mil cópias vendidas – chegando ao prêmio de disco de platina triplo. Mas qual a explicação para tamanho sucesso? Eu vejo a resposta para essa pergunta da seguinte maneira: As canções deste disco são simplesmente poéticas, abordando coisas da vida de um trabalhador, falando de amores, desilusões, religiosidade e fé, a convicção de uma vida melhor e mais justa e outros assuntos que compõem tudo sobre as pessoas que vivem em cidades interioranas e que batalham diariamente pelo seu “ganha pão”. Talvez seja essa a fórmula para tanto sucesso, a aproximação que as músicas traziam aos seus ouvintes e aquele sentimento de que “tem uma pessoas que canta aquilo que gosto e quero ouvir”.

Falando agora da música Estrada da Vida, eu vejo essa música como uma das mais poéticas que já ouvi. Em um programa de televisão que aborda as histórias por trás das canções o cantor e compositor Humberto Gessinger da banda Engenheiros do Hawaii afirma que a música Infinita Highway foi totalmente inspirada nesta canção que estou abordando. É pura poesia refinada sobre a vida, na canção temos uma clara alusão da nossa vida como uma estrada na qual temos que percorrer trechos difíceis, mas que no final tudo dá certo. É interessante pensarmos por esse lado, pois as vezes passamos por determinadas fases na vida que nos fazem pensar que nada vai dar certo ou que há alguma conspiração externa, mas tudo fica claro quando ouvimos essa canção – vivemos, evoluímos e chegamos ao estágio final da vida que é a morte, no qual o compositor cita como o final da corrida. Quer mais poético e filosófico que isso meus caros leitores? Segundo a dupla, esta música foi desenvolvida durante as viagens que os mesmos faziam durante uma campanha política. A maratona se inicia na cidade do interior São José do Rio Preto/SP chegando até o estado de Góias – é muita coisa né? Como pude apurar em algumas pesquisas, descobri que o carro utilizado na época pelos dois era uma Brasília verde reluzente e que este veículo lindo e potente para aquele contexto serviu de base para a composição sair e virar um sucesso. Depois disso, temos o filme lançado em 1980 lançado com o mesmo nome do disco de 1977. A história do filme se passa por tudo que a dupla vivenciou (eles mesmos encenam suas próprias vidas), desde as maratonas de shows até as dificuldades encaradas pelos dois até chegar ao sucesso artístico. Bem legal, não é?

Eu poderia escrever mais longos parágrafos aqui no AHD para mostrar à vocês o quão grandioso foi esse disco, mas eu vou deixar um gostinho de quero mais pra vocês, corram lá e ouçam o disco do começo ao fim e embalem nessa viagem que é Milionário e José Rico.

 

Faixas do Disco 

Lado A

1 –  Estrada da Vida

2 – Bebida Não Cura Paixão

3 – Meu Sofrimento

4 – Destino Cruel

5 – Sentimento Sertanejo

6 – Adeus

Lado B

7 –  Migalhas de Amor

8 – Doce Ilusão

9 – Conselho

10 – Ciumento

11 – Solidão

12 – Esquecido

Ouça o álbum Estrada da Vida na íntegra!

Confira a abertura do filme A Estrada da Vida.

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The Who – Who’s Next (1971)

The Who -who’s Next (1971)

Olá amigos, amigas e colegas leitores do site A História do Disco! É com imenso prazer que, mais uma vez eu Alexandre Bottura, resenho sobre um dos discos mais importantes da história do rock’n roll. Com máximo respeito e imensa honra, apresento-lhe Who’s Next da banda britânica The Who, lançado em 2 de agosto de 1971 pela gravadora Decca nos Estados Unidos, e em 25 de agosto de 1971 pela gravadora Polydor Records no Reino Unido.

Para muitos críticos e fãs, Who’s Next é um dos melhore discos de estúdio já feitos pela banda ao longo de toda sua reconhecida carreira, porém o seu início não foi tão bem planejado assim meus caros, na verdade, Pete Townshend queria um sucessor à altura do antológico antecessor Tommy, álbum de 1969. A princípio, o álbum a ser lançado seria o Lifehouse, sendo essa uma ideia de Townshend, que pretendia organizar o disco como sendo um concerto ao vivo, no qual os dados pessoais das pessoas que estivessem na platéia fossem transferidos sintetizador analógico ARP e assim então criar músicas contínuas que se complementassem. A criação do álbum mostrou ser praticamente impossível devido as limitações tecnológicas da época, o que levou a um grande desentendimento entre Pete e o produtor do Who, Kit Lambert, causando assim grande stress emocional em Townshend, que segundo rumores, fez com que a banda parasse com suas atividades por um tempo.

Não demorou muito para que Who e Townshend voltassem para os estúdios e recomeçassem as gravações usando alguns arranjos próprios e músicas do próprio Lifehouse, porém o grande diferencial do disco foi o uso de sintetizadores que, para a época significou um grande avanço para a engenharia musical e para o rock. E como toda grande inovação artística, o álbum não foi bem recebido pela crítica, mas o impacto causado nos fãs ao ouvirem Baba O’Riley e Wonn’t Get Fooled Again na conturbada década de 70, deixou um marco na trajetória do rock.

O disco Who’s Next flutua entre seus antecessores com a mudança técnica mas com a mesma pegada e qualidade de um autêntico álbum de rock. Nem é preciso citar as capacidades vocais de Roger Daltrey, toda loucura e singularidade de Keith Moon, a destreza e execução de John Entwistle e a genialidade de Peter Townshend. O álbum alavancou o grupo no topo das paradas mundiais mais uma vez e solidificou a banda como uma das maiores de todos os tempos.

Outro detalhe que deve ser enfatizado a respeito do disco é a sua capa: a original traz a imagem dos quatro integrantes terminando de urinar em um imenso bloco de concreto localizado em Easington Colliery, na Inglaterra. Acredita-se que em alusão ao monólito do filme 2001 Uma Odisseia no Espaço – 1968, Stanley Kubrick -, na qual deve ser interpretada como se o ato de urinar fosse uma libertação da banda em relação ao álbum Tommy, creditado como um dos primeiros ópera rock da história. O fotógrafo Ethan Russel que alguns dos membros da banda não conseguiram urinar no bloco, e que parar atingir o efeito desejado, foi preciso usar uma vasilha contendo água de chuva.

Se a famosa capa do disco causou discórdia, mal sabia a crítica das ideias anteriores, que trazia diversas mulheres obesas e nuas e até a possibilidade de ter Keith Moon usando lingerie, peruca e um chicote para ilustrar o disco (aliás, esse registro aparece no encarte do CD remasterizado lançado em 1995, incluindo algumas faixas gravadas ainda com Kim Lambert em Nova Iorque).

                                     

Além das clássicas Baba O’Riley e Won’t Get Fooled Again, o álbum conta com a conhecida Behind Blues Eyes, faixa regravada pela banda Limp Bizkit em 2003 e Baby Don’t Do It tornou-se popular na versão de Marvin Gaye. O disco ocupa a 22ª colocação na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock And Roll Hall Of Fame e é com certeza um marco na história do rock e do mundo da música.

The Who é uma banda britânica formada em 1964 e sua formação original era composta por Pete Townshend (guitarra), Roger Daltrey (vocal), John Entwistle (baixo) e Keith Moon (bateria). Em agosto de 1978 a banda lançou o álbum Who Are You, porém o lançamento foi ofuscado pela morte de Keith Moon no dia 7 de setembro devido a uma overdose acidental de um remédio usado na luta contra o alcoolismo, um exame toxicológico revelou que no sangue de Moon havia uma dose 36 vezes maior que o permitido, e assim o rock e os fãs perdiam um dos maiores bateristas de todos os tempos. Kenney Jones, ex-Small Faces, assumiu seu lugar e contribuiu para dois álbuns: Face Dances (1981) IIt’s Hard (1982) – ambos não tiveram o sucesso da década anterior. Hoje em dia o Who ainda se encontra em atividade para alegria e satisfação dos fãs, e com um detalhe especial: o lugar um dia ocupado por Keith Moon na bateria é hoje de Zac Starkey, afilhado do próprio Moon e simplesmente filho primogênito do ex-Beatle e também baterista Ringo Star.

Mais uma vez gostaria de agradecer  pela oportunidade, espero que vocês tenham gostado da matéria. Até a próxima meus caros!

 

Faixas do Disco

1 –  Baby O’Riley

2 – Bargain

3 – Love Ain’t For Keeping

4 –  My Wife

5 – The Song Is Over

6 – Getting In Tune

7 – Going Mobile

8 – Behind Blue Eyes

9 – Won’t  Get Fooled Again

Ouça o álbum Who’s Next na íntegra!

 

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Gabriel O Pensador – Quebra-Cabeça (1997)

Gabriel o Pensador – Quebra-Cabeça (1997)

Salve galera, Bruno Machado na área pra mais uma matéria aqui no AHD, e hoje eu vou invadir a praia do meu parceiro de site e de programa, Denis Borges, pois vou falar de um disco dos anos 90. Tudo bem que não vou invadir totalmente o território do meu colega pois minha resenha não tem como tema uma banda gringa, mas sim um rapper brasileiro, aliás, um dos pioneiros nesse estilo musical em nosso país. Hoje temos Gabriel O Pensador e seu terceiro álbum de estúdio, Quebra-Cabeça de 1997.

Gabriel sempre foi polêmico desde o início de sua carreira, pra você caro leitor ter noção sua primeira canção de sucesso foi Hoje Eu To Feliz (Matei o Presidente), que criticava sem nenhum pudor o governo Collor (vigente na época em que a música foi concebida), e a faixa chegou até a ser censurada. Em 2017 a canção ganhou a parte 2, e quem é “homenageado” é o atual presidente do Brasil, Michel Temer. Pra mim as duas versões são sensacionais e mostram o quanto o cantor e compositor é inteligente, sagaz e acima de tudo corajoso. Convenhamos, bater de frente com o sistema não é pra qualquer um, ao longo da história vimos muitos compositores e cantores fazendo isso e se dando muito mal.

No álbum Quebra Cabeça o carioca continuou a fazer duras críticas a situação do país, faixas como Pátria Que Me Pariu e Sem Saúde abordam assuntos como saúde pública, aborto, abuso sexual, abuso de autoridade, crianças no mundo das drogas, etc. Quem costumava dar a cara pra bater e falar desse tipo de assunto no Brasil era o rock (pelo menos nos anos 80), o rapper brasileiro continuou dando a cara pra pra bater e retratava muito do que acontecia no Rio de Janeiro em suas canções.

Na época da gravação deste álbum O Pensador já estava em meio a grandes produtores e músicos, tanto que ícones como Rita Lee e Frejat – ainda no Barão Vermelho – cederam trechos de suas canções, aliás, Frejat participa da faixa +1 Dose brilhantemente. Percebe-se um álbum mais engajado, por isso mesmo Gabriel chegou a marca de mais de 1,5 milhão de cópias vendidas. Já que estou falando de participações especiais, nada mais justo que citar a mais marcante delas, Lulu Santos emprestou seu talento no refrão de Cachimbo da Paz, uma das maiores canções da carreira de Gabriel O Pensador. Anos depois Lulu voltaria a fazer parceria com Gabriel na faixa O Astronauta, que entrou no Acústico MTV de 2000 de Lulu e que contou com a presença de Gabriel no mesmo. Voltando à música Cachimbo da Paz, nela é retratado como a maconha é vista em nosso país, estamos falando de um álbum de 1997 e a canção hoje em dia soa mais atual do que nunca. Nem quero entrar no mérito sobre a liberação ou não da droga, muitos sabem que a mesma é também usada medicinalmente, a questão mais grave na verdade é como o tráfico é sorrateiro e age em todo o Brasil maleficamente, coletando cada  vez mais crianças e fazendo com o que o comércio de qualquer tipo de droga seja chamativo, principalmente na questão financeira. Tampa-se o sol com a paneira sempre, filmes famosos como Tropa de Elite (2007) e Cidade de Deus (2002) retrataram essa realidade, e é visível o envolvimento e o consentimento da classe alta e política em tudo isso, pois a mesma não se importa em destruir vidas em troca de seu bem estar e de sua manutenção no poder.

O álbum continuado politizado com a faixa Dança do Desempregado, um sambinha, aquela marotagem escancarada no sarcasmo falando da dificuldade do povo brasileiro. Mais uma canção que se encaixa perfeitamente nos dias de hoje, e lembrem-se meus queridos ta chegando mais uma eleição presidencial, vamos com calma, sem fanatismo político pois os anos estão passando e nós estamos cada vez mais sendo ludibriados por engravatados que prometem mundos e fundos. Então ficam atentos aos debates, as propostas, procurem informações sobre a ficha de cada candidato e o que ele fez até hoje como político. Ah, não posso esquecer de citar, nos períodos da minha vida em que estive desempregado minha mãe sempre fez questão de cantar essa música pra mim (e pior que é verdade hahaha).

Voltando a falar de participações, temos Evandro Mesquita na faixa Eu e a Tábua, um reggae bacana e que traz um dos refrões mais famosos da década de 80: “Estou a dois passos do paraíso”. Não que eu seja fã da Blitz, foi uma banda pioneira no movimento pop/rock que domnou nosso país nos anos 80, mas se viu fadada a fazer discos iguais ao primeiro,e ai a coisa foi ficando sem graça, pelo menos na minha opinião. E temos outra participação muito bacana, que é de Jorge Tito, rapper amigo de Pensador que já tinha participado do disco de 1995 com a faixa FDP. Em Quebra Cabeça ele faz dueto com Gabriel na faixa En La Casa. Vai um protesto ai!?

Mudando um pouco de tema temos 2345MEIA78, confesso que hoje ouço ela e sinto uma conotação machista – mas nem de longe se compara ao que é dito hoje em músicas do sertanejo universitário ou mesmo do funk – , mas o lado legal é você hoje ouvir a música e lembrar como era o mundo antes de determinadas tecnologias. Ele cita na música itens como: caderninho, fichas, orelhão e lista telefônica. Sim meus caros, os anos 90 também foram inesquecíveis. Claro que eu eu era muito jovem na época do lançamento do disco e fui ter contato com o trabalho do Pensador muitos anos depois, e me tornei admirador da sua obra, passando a acompanhar sua carreira.

Antes de terminar essa matéria que fiz com uma satisfação imensa – mesmo porque já fui num show do Gabriel O Pensador, curti do início ao fim e vi o quanto o cantor e compositor é humilde e inteligente – vou falar sobre uma das canções mais geniais e emblemáticas do cantor, Festa da Música. O cara conseguiu uma tremenda homenagem aos grandes ícones da música brasileira, passando por todos os estilos com insights de grandes sucessos e com o bom humor de Gabriel para sacanear as peças raras de música Tupiniquim. Se você caro leitor nunca ouviu essa faixa, ouça, dá pra cantar junto, dançar e claro, se divertir com todo o contexto da letra, Gabriel O Pensador é um gênio.

Bom galera, eu vou ficando por aqui e espero que vocês tenham gostado da matéria. Queremos cada vez mais trazer estilos musicais diferentes aqui pro nosso site, a música é algo vital para mim e acredito que para vocês também, independentemente do estilo que cada um gosta, vivemos pela música e queremos cada ver mais ter pessoas como a gente por aqui. Valew pessoal, até a próxima.

 

Faixas do Disco

1 –  Pátria Que Me Pariu

2 – 2345MEIA78

3 – Cachimbo da Paz

4 –  Sem Saúde

5 – Pra Onde Vai?

6 – En La Casa

7 – + 1 Dose

8 – Dança do Desempregado

9 – Eu e a Tábua

10 – Bala Perdida

11 – Festa da Música

12 – O Sopro da Cigarra

Ouça o álbum Quebra Cabeça na íntegra!

Creed – My Own Prision (1997)

creed – my own prision (1997)

Fala galera do A História do Disco, Denis Borges aqui mais uma vez escrevendo sobre um disco que fez ou faz parte do meu mp3, vitrola, cd player,  walkman, lista do Spotify ou afins. A banda que irei falar hoje me causa sentimentos controversos, sempre gostei dela, mas também sempre rolava pontinha de vergonha de falar que era/sou fã. Estranho não? Quem gosta de rock tem aquele lance de: vendeu demais, é porcaria, ou, está imitando tal banda pra fazer sucesso. Se a banda caiu em alguma dessas contradições do rock, pronto, fica malvista entre os roqueiros puritanos. Quem acompanha o blog – agora site – ou o programa na Planeta Verde FM, sabe que gosto muito de grunge  e a banda de hoje em sua descoberta e repentino sucesso foi intitulada de pós grunge , neo grunge ou qualquer outra babaquice dessas. Diziam que que seu som imitava as bandas de Seattle, que seu vocalista forçava para cantar parecido com Eddie Vedder, ai já viram né!? Estavam fadados a cair no desagrado dos “grungeiros” mais puristas, dentre eles alguns dos meus amigos. Então, eu curtia o som dos caras na surdina, ali no meu quarto, sozinho, de boa. Particularmente vejo alguma influência sim, mas quem não não foi influenciado pelo último grande movimento do rock mundial? Ainda mais no final dos anos 90, difícil. Mas uma banda que vende mais de 60 milhões de discos no mundo não pode ser de toda ruim. Estou falando de uma banda de apenas quatro discos de estúdio e uma coletânea, que juntamente com mais duas ou três dominaram o mercado de 1997 a 2000 e alguma coisa. Seus três primeiros discos eram fábricas de singles e clipes na MTV, talvez daí venha certa implicância. Por essas e outras resolvi falar sobre o primeiro disco, My Own Prision (1997), o meu preferido e também o menos comercial dos três.

Antes de falar do disco, vamos falar um pouquinho da banda. O Creed é uma banda americana criada em 1995 por Scott Stapp (vocal) e Mark Tremonti (guitarra) na cidade de Tallahasse, EUA. Os outros dois integrantes que embarcaram depois são Brian Marshall (baixo) e Scott Phillips (bateria). Tudo aconteceu meio que rápido para os caras. Com a banda formada eles faziam covers pelas cidades da Flórida, até que decidiram apostar em suas próprias músicas. O pai do baixista financiou a primeira gravação dos caras. A pouca tiragem fez sucesso na região, chamou atenção de uma gravadora maior e o resto virou história. Em sua primeira semana de venda por todo o território americano My Own Prison vendeu 50 mil exemplares. Ótimos números. Esse sempre foi um diferencial do Creed, comercialmente eles eram muito fodas. Mas se engana quem pensa que o som dos caras era totalmente comercial, sempre houve muito peso em todos os seus discos, principalmente no primeiro, o “pulo do gato” é que eles sabiam fazer músicas mais comerciais para chamar atenção para o resto do disco. Isso o Creed fazia como ninguém. Vi apelo comercial apenas no Linkin Park. Não é uma citação pejorativa, gosto de Linkin Park.

Voltando ao que importa, a primeira música do disco foi a primeira que lembro de ter ouvido e, se não me engano, foi o primeiro single de trabalho também, Torn. A primeira impressão foi de ter visto um pouco de Aliche In Chains ali. Gostei na hora. A guitarra, a voz, o peso, toda a concepção musical. Ali naquela primeira música decidi comprar o cd para conhecer mais a banda. Um detalhe de Torn é que ela é uma música de 6min23seg, um pouco grande, um pouco grande pra ser uma música de trabalho. Mesmo assim naquele abençoado momento as rádios e a MTV eram abertas para o rock. Logo após Torn vem Ode, aqui a guitarra de Tremonti começa a tomar forma. Tremonti ganhou o prêmio de Guitarist Of The Year três anos consecutivos pela revista Guitar World. A música que dá nome ao disco, My Own Prision é mais um single do álbum, tem uma pegada mais melancólica, aqui Stapp fala um pouco sobre sua amargura, seus pecados. Uma outra característica marcante do Creed são suas letras com cunho espiritual, religioso e de esperança. No começo todos pensavam que o Creed era uma banda gospel, Stapp prontamente desmentiu dizendo que aquela era uma fase pela qual passava e que também procurava transmitir bons sentimentos através de seu som. Essa influência espiritual também se deu pelo fato do pai de Stapp ser pastor. Acredito que mesmo inconscientemente acabou influenciando um pouco. A quarta música é uma balada, Pity For a Dime. O restante do disco segue a mesma linha das primeiras músicas. Para não ficar longa a leitura podemos destacar outros singles como What’s Life For, o maior sucesso e a que eu mais gosto, uma bela letra que fala de perseverança. Temos One, a mais popzinha do disco, mas sem demérito na popzinha, tem uma levada leve e agradável. Além de Bound e Tied, trilha sonora do filme Dead Man On Campus (no Brasil, Morte na Univerdade, de 1998).Hoje, passado mais de 20 anos de My Own Prision , posso dizer que o Creed teve uma carreira sempre em ascendente que só não foi maior por questões pessoais de seus integrantes. Talvez com o passar do tempo a fórmula fosse se desgastando, mas esse fato pode ser questionado pelo fato de que em 2008 os quatro integrantes originais se juntaram e lançaram o seu último disco, Full Circle, que estreou em 2° Lugar na Billboard. O fato é que queiram ou não, nesse caso os números não mentem, e olhando os números podemos dizer que o Creed foi uma das maiores bandas do fim dos anos 90.

Caro leitor, se por acaso você se sentiu interessado , curioso pra saber mais, vai na fé, falei do disco menos pop do Creed, com certeza você já escutou algumas músicas dos outros discos. Eu vou ficando por aqui e nos encontramos aqui na próxima resenha aqui no…A História do Disco.

Faixas do Disco

1 –  Torn

2 – Ode

3 – My Own Prision

4 – Pity For A Dime

5 –  In America

6 – Illusion

7 – Unforgiven

8 – Sister

9 – What’s This Life For

10 – One

Ouça o álbum My Own Prision na íntegra.

Kid Abelha e os Abóboras Selvagens – Seu Espião (1984)

Kid Abelha e os abóboras selvagens – Seu Espião (1984)

Salve galera, que bom ter vocês aqui novamente no blog – na verdade, agora site – A História do Disco, eu sou Bruno Machado e hoje nossa matéria destaca uma das maiores bandas dos anos 80, que tinha uma front maravilhosa  – no sentido literal da palavra, a mulher era (ainda é) linda e cantava demais da conta. Hoje nossa resenha tem como tema o primeiro álbum do Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, o Seu Espião de 1984.

Talvez vocês não saibam, mas a banda foi formada por Leoni, George Israel, Torquato Mariano – pra quem não conhece esse cara, vale a pena pesquisa, é um baita guitarrista e posteriormente se tornou produtor e chegou a trabalhar inclusive com o Charlie Brown Jr – e Paula Toller. Torquato logo saiu da banda e deu lugar a Bruno Fortunato. Um fato que de cara já é importante citar é que nessa época Leoni e Paula namoravam.

A banda ganhou destaque por estar inserida no “bolo” que estava se destacando na cena carioca dos anos 80, o Circo Voador era o local onde essa galera ganhava espaço e uma tal de Rádio Fluminense começou a observar todo esse pessoal, assim como Lulu Santos. No começo dos anos 80 Lulu era produtor de repertório das novelas da Globo, na produtora Som Livre, inclusive foi por aí que malandramente ele colocou uma música dele – Melô do Amor –  na novela Plumas e Paetês.re Sendo assim, ele foi até o Kid Abelha e se ofereceu para ajudar o grupo, lapidar as canções e mesmo a banda. Então durante as apresentações no Rio de Janeiro Lulu foi os ajudando e levou para o estúdio para gravarem seu primeiro single, com lado A – Pintura Íntima e labo B – Por que não Eu?. O produtor fez questão de jogar duro com integrantes e os levou diretamente ao pop, a raiz do estilo, que se tornou alias, a identidade da banda.

Mal sabia Lulu, que ainda estava engatinhando na carreira tanto de cantor/instrumentista/compositor e produtor, que não seria ele o responsável pelo primeiro LP completo do Kid Abelha e os Abóboras Selvagens – ah, vale citar que esse nome foi dado de forma espontânea em frente a Rádio Fluminense. Disco completo que eu digo pessoal não é single ou mesmo compacto, que eram lançados na época parar introduzir novos cantores e grupos musicais na “cena”, mas sim o bolachão com 4 ou 6 faixas cada lado, disco inteiro mesmo, ou álbum se preferirem. E foi nesse disco que a banda apareceu para todo o Brasil, principalmente com a faixa Como Eu Quero, que quase não entrou no álbum. Faltava uma faixa pra completar o disco, e Liminha perguntou se eles tinham mais alguma canção pronta, ele apontou até para o lixo cheio de papel amassado, e lá estava ela, onde Paula Toller tinha jogado a letra da música que seria um dos maiores sucessos do grupo. Vale muito citar que Paula fez a música seu então namorado na época, Leoni.

Assim como Lulu, Liminha soube muito bem moldar a banda para a década que se vivia, como todos sabem os anos 80 foram e sempre será marcante, deixa até hoje uma saudade imensa em quem o viveu, e um gosto amargo em quem não – no caso eu. Mas o sucesso do disco não se deve apenas a esse single, mas sim ao álbum num todo, pra você meu caro leitor ter noção, sendo lançado em Junho o disco já tinha mais de 3 sucessos tocando nas rádios. E caso eu não tenha citado ainda, o álbum tem ao todo 10 faixas, o sucesso não bateu a porta do Kid Abelha, ele meteu derrubou a porta sem dó.

Confesso que meu primeiro contato com o Kid Abelha foi no acústico MTV de 2002, um dos melhores da franquia – pelo menos na minha opinião – o formato teve o poder ressuscitar muitas bandas dos anos 80, no fim de 90 e começo dos anos 2000. Inclusive, pensei muito em fazer do acústico, e não desse primeiro álbum, entretanto, pesquisei e entendi a importância desse primeiro disco da banda, como ele impulsionou o grupo e como deu identidade ao mesmo.

Voltando as faixas, Nada Tanto Assim foi feita nos anos 80, mas se você prestar bem atenção na letra vai ver que faz até mais sentido hoje do que naquela época. A primeira faixa, Seu Espião, por dar nome ao disco poderia ser melhor, mas ela é o cartão de visita e já mostra a cara pop do Kid Abelha e os Abóboras Selvagens. Falando em pop e anos 80, teclado é o que não falta na maioria das faixas, e algo que me surpreendeu foi o quanto o baixo foi bem trabalhado, principalmente nas canções que viraram hits, nada extremamente complexo, mas sim marcante, cara de produção do Liminha mesmo. O saxofone de George Israel também se faz ouvir em várias músicas, esse que também dá aquela força nos backing vocals.

Uma outra coisa legal que é muito perceptível é que Paula e Leoni estavam bem apaixonados mesmo, você consegue sentir em várias faixas os flertes de um e outro. Sinal de que eles conseguiram transformar o amor que sentiam na época em belíssimas canções, e ainda por cima conseguiram fazer o sonho de fazer sucesso virar realidade. E pra quem não sabe, Herbert Vianna se tornou amigo da banda posteriormente, e mais la na frente namorou Paula também, e o que houve entre eles foi tão intenso que metade do disco Bora Bora (1988) do Paralamas foi dedicado a fossa de Herbert depois de levar um pé no popô.

Voltando a falar das faixas, Alice (Não Me Escreva Aquela Carta de Amor) é uma balada sensacional, uma faixa devidamente empolgante eu diria. Já Fixação, tem um clima até dark, um tanto quanto sombrio e intrigante, pra mim uma das melhores canções do grupo até hoje. Não sou muito fã de Por Quê Não Eu?, confesso que acho ela muito bonita, mas tanto com a Paula Toller cantando quanto com o Leoni nunca me cativaram, mas não deixa de ser outro grande destaque do álbum.

Finalizando esse grande álbum de estreia temos Pintura Íntima, com certeza você meu querido leitor já se pegou cantando: Fazer amor de madrugada/ Amor com jeito de virada. Aquele sax marcante de George Israel dita o ritmo da música, e o refrão chiclete citado anteriormente faz com que você se sinta até incomodado se não cantar junto. Aliás, se você nasceu no fim dos anos 80 é bem possível que você tenha sido concebido a essa música, fica ai o questionamento que vocês podem fazer à seus pais. Brincadeiras a parte, a música é sensacional, é marcante e gostosa de ouvir até hoje.

Bom galera, eu vou ficando por aqui e espero que vocês tenham gostado da resenha, que tenham se interessado um pouquinho mais pelo Kid Abelha e os Abóboras Selvagens e que não deixem de curtir nosso programa na Planeta Verde Fm todo sábado e domingo as 19h. Até a próxima 😉

Faixas do Disco

1 –  Seu Espião

2 – Nada Tanto Assim

3 – Alice (Não Me Escreva Aquela Carta de Amor)

4 – Hoje Eu Não Vou

5 –  Fixação

6 – Como Eu Quero

7 – Ele Quer Me Conquistar

8 – Por Que Não Eu?

9 – Homem Com Uma Missão

10 – Pintura Íntima

Ouça o álbum Seu Espião na íntegra.

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Coldplay – A Rush Of Blood To The Head (2002)

Coldplay – A Rush Of Blood To The Head (2002)

Salve blogonautas do A História do Disco, espero que esteja tudo bem com vocês, aqui estou novamente, Denis Borges na área pra mais uma resenha. Dessa vez falarei sobre um disco mais pop – Britpop na verdade. Os donos do disco de hoje formaram a banda no auge dessa cena britânica que começou a ser notada no início dos anos 90, teve seu boom a partir do álbum (Whats The History) The Morning Glory? do Oasis, precisamente no ano de 1995.

Eu gosto muito de Britpop e a banda da matéria de hoje me ganhou desde a primeira ouvida. Com um primeiro disco muito bom que remetia a uma mistura de  Radiohead com U2 sempre naquele tom melódico – que eu gosto demais – visto em The Bends do Radiohead, me deixou com gosto de quero mais. E no segundo disco veio mais, muito mais, MAIS MESMO. Confesso que depois desse segundo disco eu criei uma baita expectativa pelo que viria a seguir, mas a cada disco em que a banda ficava mais colorida (alegrinha ou pop demais) eu fui perdendo o interesse. Sempre gostei do tom monocromático (melancólico) dos primeiros discos, era o que me ganhava. Mas isso sou eu, caro leitor – olha aí Bruno Machado, inseri o seu bordão no timecerto (hahahah). Zuadas no Machadinho à parte, depois dessa pequena descrição da banda e do meu contato com seus primeiros álbuns dá pra saber de que banda estou falando, não é? Sim, hoje temos Coldplay no AHD, sobre o segundo álbum de estúdio do grupo: A Rush Of Blood To The Head, de agosto de 2002.

O Coldplay foi fundando em 1996 por Chris Martim (vocal, violão e piano)  e Jonny Buckland (guitarra), em um momento em que os olhos do rock pairavam sobre o Reino Unido que vinha com uma cena forte. Bandas como Supergrass, Radiohead, Blur e principalmente Oasis vinham com tudo. Martin nunca escondeu que foi influenciado por tais bandas, além de notar influências de bandas mais antigas como U2 e mesmo de Bowie.

O primeiro álbum do Coldplay, Parachutes (2000), foi muito bem aceito mesmo não trazendo nada de inovador, é um disco redondinho com alguns sucessos iminentes: Yellow, Truble e Shiver. O álbum A Rush of Blood To The Head segue a mesma fórmula só que com aperfeiçoamentos, tons de cinza ainda mais inseridos e já conseguimos até enxergar outras cores, mesmo que em tons pasteis. Contando com mais piano, mais guitarra e ainda mais baladas certeiras, o disco se torna de fácil audição, não o percebemos passar de tão linear que é, sendo assim um grande acerto da banda.

O álbum começa com a faixa Politik, uma música influencia por uma ainda recente 11 de Setembro – aquele ataque terrorista às Torres Gêmeas em Nova Iorque -, começa estrondosa com guitarra, piano e bateria a mil, dando a impressão talvez enganosa do que viria a seguir. Logo após vem um clássico da banda, o primeiro single do álbum: In My Place. A canção se tornou um sucesso imediato com a seguinte fórmula: riff de guitarra “chiclete” + alguns “yeahs”. Dessa forma o Coldplay começava a pavimentar seu caminho no mainstream. Posteriormente temos a enigmática God Put A Smile Upon Your Face, que é uma excelente música por sinal. Em The Scientist, Martin nos traz mais uma bela balada, se não a mais bela do disco, que fala sobre amor e arrependimento, o videoclipe – que começa no final e vai voltando numa espécie de rewind – nos ajuda a compreender o significado da canção. Já em Clocks, minha música favorita da banda, nos deparamos com o maior riff de piano deste século, quem nunca ouviu essa música e não se arrepiou? Você poderia não saber que ele pertence ao Coldplay, mas com certeza já ouviu por ai, e quando os celulares começaram a suportar o formato mp3, a música ficou como toque do meu aparelho por muito tempo. Mas resumindo, das cinco primeiras faixas do disco, quatro foram sucesso e tocaram bastante nas rádios.

Como citei nos parágrafos anteriores o disco é bem redondo, as seis faixas restantes são ótimas e não devem nada para as mais famosas. Por exemplo, Daylight soa como Politik. Temos também uma bela balada tocada apenas no violão, Green Eyes, e na faixa Warning Sign confesso que encontrei um pouco de U2, alguns falsetes e o piano sempre presente, pra mim é uma das melhores faixas do disco. Já a faixa Whisper segue a linha da faixa Politik e Daylight. Fechando o disco temos a faixa que dá nome ao mesmo, A Rush Of Blood To The Head e a bela Amsterdam, finalizando assim o álbum.

Naquilo que foi proposto, o disco entrega com excelência o melhor do Coldplay, aquele monocromático, o Coldplay que eu gosto e me identifico, assim como muitos amantes da música por aí a fora. Uso esse termo porque quanto mais colorido foi ficando a produção, o figurino, mais pop a banda ficou, e desta forma hoje eu não vejo diferença entre o Coldplay e o Marron 5, mas isso já é assunto pra uma próxima.

Bom galera do AHD, eu vou ficando por aqui, espero que vocês tenham gostado da matéria de hoje. Para quem conheceu o Coldplay mais pop, A Rush Of Blood To The Head é um ótimo disco para conhecer o começo da banda, suas influências, e por consequência, mais do BritPop. Inclusive nessa mesma época surgiram boas bandas como Keane e Travis. Um abraço à todos e até a próxima resenha aqui, no A História do Disco.

Faixas do Disco

1 –  Politik

2 – In My Place

3 – God Put A Smile Upon Your Face

4 – The Scientist

5 –  Clocks

6 – Daylight

7 – Green Eyes

8 – Warning Sign

9 – A Whisper

10 – A Rush Of Blood To The Head

11 – Amsterdam

Confira o espetacular videoclipe da faixa The Scientist.

Ouça o álbum A Rush Of Blood To The Head na íntegra.