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The Police – Synchronicity (1983)

The Police – Synchronicity (1983)

E aí galera do A História do Disco! Hoje continuaremos com aquela série que intitulei – neste exato momento aliás – de: Os Anos da Minha Vida. Acho que esse nome ficou bom, haha. O ano é 1983, o disco é gigante. Talvez o melhor disco daquele ano. Pra ser ter uma ideia, o álbum desbancou Thriller, de Michael Jackson, do topo das paradas americanas. Deu pra sentir o drama, né? O nome desse feito é Synchronicity, da banda inglesa The Police.

Nos programas antigos – sim, A História do Disco também é um programa de rádio – antes gravado e exibido pela rádio Planeta Verde FM e atualmente pela rádio, streaming e site Rádio Rock On Line – www.radiorockonline.com.br – do nosso amigo e incentivador Gustavo Troiano, falamos de como é difícil uma banda ir se superando, evoluindo, ainda mais quando ela já está em seu quinto disco. Com o Police foi assim, sabem aquela história de terminar no auge, por cima? Foi isso que ocorreu com essa ótima banda. Synchronicity (1983) foi o quinto e último disco desse ótimo power trio formado por Sting (baixo e vocal), Andy Summers (guitarra) e Stewart Copeland (bateria e percussão), mas o motivo do término não foi planejado dessa forma, infelizmente as desavenças pessoais entre Sting e o restante da banda colocaram um fim na maior banda inglesa do ano de 1983.

A relação entre os integrantes da banda já não vinha bem desde seu disco anterior Ghost In the Machine (1981), fazendo o ano de 1982 ser sabático para o Police, não necessariamente para seus integrantes, cada qual desenvolveu um trabalho solo. Sting atuou em dois filmes, Summers gravou um disco e Copeland contribuiu para algumas trilhas sonoras.

Tempo dado, mentes limpas e arejadas, hora de gravar um novo disco em paz e harmonia – #sqn. Sting sempre foi um ótimo artista, tudo que fazia dava certo, meio Midas, seja cantando, tocando ou atuando. Cada vez que dava mais certo pra ele, mais narcisista, egocêntrico ele ficava. A gota d’água veio nas gravações deste disco, mais precisamente nas gravações – na minha opinião – da maior canção que o Police já fez, sim, estou falando de Every Breath You Take. Sting e Copeland “saíram na mão”, o produtor, Hugh Padgham, pediu demissão mas no final acabou voltando atrás ficando até o final das gravações do disco. Após o incidente, Padgham resolveu separar os integrantes e colocá-los em salas diferentes para gravarem suas “partes” do restante do álbum. Independente de quão bom seria o álbum, estava configurado que aquele seria o disco final do Police.

Synchronicity (1983)

Com certeza Synchronicity é o álbum mais expansivo que o The Police criou, nele encontramos influências de diversos estilos musicais, está lá ainda o reggae, tem também traços do pop, new wave, jazz e claro que não podia faltar sintetizadores. A utilização de diversos elementos musicais nos propiciou ótimos arranjos, Sting e companhia também capricharam nas letras e nos vocais. Depois de uma “bela escutada” percebemos que Synchronicity é um álbum único e totalmente sincronizado com seus criadores.

A primeira música do disco leva também o nome do disco acrescentado do algarismo romano I – Synchronicity I – tudo isso porque teremos, mais à frente mais uma música com o mesmo nome. Em todas as pesquisas feitas e na tradução da própria letra Synchronicity veio da influência que Sting tinha – à época – sobre a Teoria da Sincronicidade, baixo e bateria marcados e um Sting cantando Synchronicity por toda canção martelando em nossa cabeça.

A segunda faixa Walking In Your Footsteps começa com uma percussão marcante, alguns elementos que não vimos em discos anteriores, Sting cantando uma analogia entre dinossauros e humanos rumando para seu fim, o ponto alto é a guitarra de Summers emulando o choro ou grito de um dinossauro.

O My God é marcada pelo ótimo baixo de Sting, cheio de groove, vale destacar também o solo de sax, feito pelo mesmo, no final da música. Em Mother, composta por Andy Summers, escutamos o Police mais fora da casinha de todos os discos. Miss Grandeko é uma música de Copeland curta e mais ritmada. Synchronicity II é a primeira de uma trinca de sucessos tocados exaustivamente, com um videoclipe bem futurista e musicalmente o Police sendo Police.

Começando o Labo B do disco, a “cereja do bolo” de toda discografia da banda, aquela que mais fez sucesso, que mais vendeu, que mais trouxe novos fãs ou pelo menos curiosos para a banda, Every Breath You Take, baixo e bateria numa marcação perfeita, riff de guitarra marcante, um belo vocal de Sting, uma letra que revela a obsessão de um homem por uma mulher, nessa época Sting tinha acabado de se separar, a letra me faz lembrar uma série da Netflix chamada Você, cabe perfeitamente para o protagonista da série.

King Of Pain é mais uma música que Sting fez no período de separação, melodia e letra mais deprê do que o usual na carreira da banda, na verdade o lado B inteiro do disco é menos intenso que o lado A. Wrapped Around Your Finger é mais uma bela canção que Sting fez após o final de seu relacionamento, o Skank fez uma versão dela chamada Estare Prendido En Tus Dedos. Tea In The Sahara tem uma levada de jazz e encerra o disco de maneira impecável. A versão em CD conta com um bônus, Murder By Numbers, mais uma bela canção, leve e em tom de jazz, Sting relembrando seu passado.

Não saberíamos o futuro que esperaria esse power trio inglês após o seu melhor disco, para eles o céu seria o limite, mas não podemos negar que terminar uma carreira cheia de sucessos com a sua melhor obra é terminar em grande estilo, uma pena a forma que foi.

Sempre entro naquele clichê de fim de resenha, mas sempre com a mais pura vontade de ter tentado acender uma pequena fagulha de curiosidade em quem nunca escutou o disco e de ter agradado aquele que tem o disco entre seus preferidos. Um abraço à todos e até a próxima resenha aqui no A História do Disco!

Discos de 1983 que possivelmente falaria:

War – U2
Let’s Dance – David Bowie
Murmur – R.E.M
Kill ‘Em All – Metallica

Faixas do Disco

1 –  Synchronicity

2 – Walking In Your Footsteps

3 – O My God

4 – Mother

5 – Miss Gradenko

6 – Synchronicity II

7 – Every Breath You Take

8 – King Of Pain

9 – Wrapped Around Your Finger

10 – Tea In The Sahara

11 – Murder By Numbers

Infelizmente não encontramos link no Youtube com o álbum na íntegra, porém você pode
encontrar o mesmo em plataformas como Spotify e Deezer!

Confira o videoclipe da faixa Every Breath You Take

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Clube da Esquina – 1972

Clube da esquina – 1972

Olá amigos do AHD, tudo bem com vocês? Aqui é o Flávio Oliveira, faz tempo que não escrevo por aqui e já estava com saudade desse nosso contato musical.

Iniciamos 2019 cheio de mudanças (mais ruins do que boas), mas tocaremos nossas vidas assim como der. Faz um tempo que venho me planejando para falar sobre este disco que marcou e ainda marca gerações, que é o Clube da Esquina de 1972. O fato de ter reforçado a ideia de querer escrever sobre este disco, foi a trágica notícia envolvendo o fotógrafo Cafi. Mas o que um fotógrafo tem a ver com o início de minha matéria? Tudo. Cafi foi responsável por mais de 300 capas de discos da MPB e imortalizou momentos como “o disco do tênis” de Lô Borges e a capa deste disco que vou conversar com vocês. A capa do disco do Clube da Esquina é um assunto a parte e que merece destaque também neste marco na história neste marco da Música Popular Brasileira. Então, vamos direto ao assunto!?

Se vocês procurarem na internet “Clube da Esquina” vão ler que se trata de um movimento musical formado por jovens músicos e compositores, além do magnífico Milton Nascimento – conhecido como Bituca pelos mais íntimos. Na verdade, o Clube da Esquina foi um trabalho coletivo envolvendo jovens mineiros juntamente com Milton. Os músicos e compositores que integraram esse timaço eram: Lô Borges, Beto Guedes, Fernando Brant, Ronaldo Bastos, Flávio Venturini, Tavinho Moura, Toninho Horta e Murilo Antunes. Estes rapazes além de letristas/poetas, eram também arranjadores musicais. A história desse grupo de amigos se fortaleceu na linda amizade que Milton Nascimento estabeleceu na “casa dos Borges” como o próprio cantor afirma em entrevistas. Os irmãos Borges (Marilton, Márcio e Lô) eram todos músicos e compositores, moravam no bairro Santa Tereza em BH. Milton foi morar em Belo Horizonte depois de ter saído da cidade de Três Pontas (MG), onde tocava em bandas de baile ao lado do pianista Wagner Piso. Portanto, em 1963 os irmãos Borges e Bitucam já haviam iniciado essa grande parceria musical. Nascimento já tinha uma carreira feita,já era um músico da noite e até tinha gravado um disco com algumas canções próprias, tendo uma sido gravada pela cantora Elis Regina.

Os grandes amigos viviam sentados em uma esquina tocando suas canções, ficavam ali unidos também para conversarem sobre a vida. Essa relação com a esquina tem um motivo específico, pois toda vez que alguém decidia procurar os rapazes a mãe dos Borges dizia que eles estavam todos ali na esquina tocando violão. Essa ideia então foi captada e transformada em um projeto a partir do convite de Milton Nascimentos aos amigos. O disco se tornou duplo contém uma mescla de gêneros musicais, o que torna esse LP uma preciosidade que dispensa comentários muito articulados, basta você ouvir para comprovar.

A primeira vez que ouvi este disco foi com a faixa “Tudo Que Você Podia Ser”, no qual a letra é explosiva e com um grande peso poético, faixa aliás que abre esse disco de quatro lados. O que me chama muito a atenção é o lirismo proposto pelos compositores. Esse álbum é perfeito para ouvir em uma viagem de carro – tive essa experiência e posso assegurar para vocês, é demais – , na qual uma viagem se estabelece dentro de outra viagem musical. Para muitos críticos o disco ultrapassa o movimento baiano-paulista Tropicália e isso pode gerar alguns conflitos de ideias, mas o que menos quero aqui é despertar estes tipos de desavenças. O Clube da Esquina foi um trabalho coletivo envolvendo todos os jovens citados, enquanto uns iam compondo letras, outros faziam arranjos musicais. O disco foi lançado em 1972 e serviu de apoio também para os dois grandes artistas que posteriormente gravariam álbuns solo: Beto Guedes e Lô Borges.

A mistura de música brasileira contendo samba e letras que abordam o Estado de  Minas Gerais juntamente com lindas melodias de jazz e músicas hispânicas compõem a riqueza magistral desse álbum. O talento musical dos irmãos Borges demonstra a ousadia desses rapazes – vale lembrar que Lô Borges era um rapaz de 18 anos que compunha e tocava suas próprias músicas. Para mim o mais intrigante neste disco é a ousadia de mesclar todos os gêneros (acima citados) e ritmos com The Beatles, a grande influência entre todos os integrantes da banda. Este disco nos revela a ousadia  de misturar elementos da música erudita com a popular, tal divisão que sempre foi motivo de polêmica na cultura brasileira, isso contribui de certa forma para agregar e enriquecer mais a música popular brasileira.

O disco contém faixas clássicas como a que mencionei anteriormente (Tudo Que Você Podia Ser), mas também existem outras faixas que merecem destaque, como por exemplo: “Um Girassol Da Cor De Seu Cabelo” – essa música me lembra muito ” A Day In The Life” dos Beatles), “Trem Azul”, “Nuvem Cigana”, “Paisagem Da Janela” e a excelente releitura da música “Me Deixa Em Paz” do sambista Monsueto nas vozes de Alaíde Costa e Milton Nascimento. A formação musical dos integrantes do grupo é o que mais chamou a atenção dos críticos da época. Este disco foi importante nas disseminação de novas influências no pais, como o rock progressivo e ainda contribuiu para a melhora da MPB.

Todos os integrantes do Clube da Esquina tiveram carreiras solo e de certa forma, surgiram novos grupos após este belíssimo disco. Beto Guedes ficou muito conhecido com seus discos solo, como por exemplo: Amor de Índio (1978) – este disco é lindo – e Alma de Borracha (1986). E Lô Borges lançou o clássico “disco do tênis” também em 1972, e atualmente ele vem fazendo uma releitura do mesmo em seus shows.

Outro ponto interessante é a capa desse disco, na mesma temos dois meninos a beira de uma estrada de terra, mostrando assim realidade do interior do Brasil, onde muitas vezes ninguém os enxerga. Muitas pessoas acreditam que um dos meninos da foto seja Milton Nascimento, mas não é. Deixaria ao fim desta matéria um link com uma reportagem que explica melhor quem são os garotos que figuram na capa deste lindo álbum – assim deixo um gostinho de quero mais.

Bom pessoal, como disse à vocês no início dessa matéria, o que me levou a escrever sobre este disco foram alguns fatos. Primeiro a triste morte do fotógrafo que imortalizou várias capas de discos da MPB – incluindo do álbum destacado hoje -, e também por conta da excelente notícia que o Milton Nascimento anunciou em seu Instagram, onde ele afirma que esse ano vai voltar a fazer shows com músicas do projeto Clube da Esquina. Quer notícia mais boa do que essa? O ano de 2019 começou com aquele gostinho de 7×1 mas ainda temos algumas coisas boas que nos livra dessa angústia que teremos que enfrentar durantes 4 anos.

Outro detalhe importante pessoal, o álbum Clube da Esquina foi lançado em 1972 mas em 1978 houve o lançamento de outro disco com o mesmo título, mas acrescentando o número 2 em número romano (II). Neste segundo disco Bituca e seus amigos criam um disco mais engajado do que o primeiro (se este que comentei  no AHD é foda, imagina esse segundo, inclusive eu o recomendo também), e conta com a produção de Ronaldo Bastos e com a participação mais que especial de Chico Buarque.

Bom galera, é isso, espero que vocês tenham gostado da primeira matéria de nosso site em 2019. É “nóis” galera, até a próxima!

Faixas do Disco

1 –  Tudo O Que Você Podia Ser

2 – Cais

3 – O Trem Azul

4 – Saídas E Bandeiras N°1

5 – Nuvem Cigana

6 – Cravo e Canela

7 – Dos Cruces

8 – Um Girassol Da Cor Do Seu Cabelo

9 – San Vicente

10 – Estrelas

11 – Clube Da Esquina N°2

12 – Paisagem Da Janela

13 – Me Deixa Em Paz

14 – Os Povos

15 – Saídas E Bandeiras N°2

16 – Um Gosto De Sol

17 – Pelo Amor De Deus

18 – Lilia

19 – Trem De Doido

20 – Nada Será Como Antes

21 – Ao Que Vai Nascer

Ouça o álbum Clube da Esquina de 1972 na íntegra!

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Iron Maiden – The Number Of The Beast (1982)

Iron Maiden – The Number Of the beast (1982)

Fala galera do A História do Disco! Denis Borges na área para a segunda matéria daquela série que comecei a fazer sobre um disco para cada ano vivido até agora. Série, a propósito, que ainda não dei nome. Mas o fato é que entramos no ano de 1982 e como ocorrido com o ano de 1981, 1982 é um ano muito farto de boa música e bons discos. Escolhi a banda por seu significado no rock, mais precisamente para o heavy metal, e também por ser um disco muito bom e de grande importância na longa e vitoriosa carreira desses caras. Hoje, caros leitores, falarei sobre o Iron Maiden, mais precisamente sobre seu terceiro disco de estúdio, The Number Of The Beast. É amigos, puta responsa!!  Assistindo uma entrevista de um jornalista e apresentador esportivo, o Benja, da Fox Sports, ele que é fã incondicional do Iron Maiden faz uma descrição da banda que achei muito própria e vou “roubar” suas palavras para ilustrar essa resenha. Segundo o Benja: “O Iron Maiden não é uma banda é uma seita”, claro que no bom sentido da palavra, vamos deixar bem claro porque o politicamente correto é onipresente e onisciente, vai que, né…Enfim, essa sempre foi uma questão que pairava em minha cabeça, esse fanatismo, essa devoção pela banda. Por não ser fã da banda sempre tive essa e outras curiosidades que hoje consigo compreender.

iron maiden

O Iron Maiden é uma banda britânica e foi formada em 1975 pelo baixista Steve Harris. Seu nome é baseado no livro de Alexandre Dumas, O Homem da Máscara de Ferro. Aqui está um ponto desconhecido por mim, Harris é o cara do Iron Maiden, não o mais conhecido, talvez não o melhor instrumentista, mas é o cara que além de idealizar e fundar a banda é quem “segura o piano”, parafraseando o futebol, é o motorzinho do time, aquele volante que cobre o lateral direito, o esquerdo, desarma no meio e ainda sabe sair jogando com a bola no pé. Esse é um dos fatos que desconhecia, pra mim o Iron Maiden era Bruce Dickinson e mais 10.

Antes da entrada de Dickinson o Iron Maiden, de Harris, passou por algumas mudanças até encontrar o vocalista dos seus dois primeiros discos, Paul Di’Anno. Com Di’Anno o Iron Maiden lançou seus dois primeiros discos: o homônimo Iron Maiden (1980) e Killers (1981). Particularmente gosto dos dois, mas sinto aquela sensação – por conhecer o que vem depois – de que falta algo, e esse algo vem em 1982. Di’Anno era um cara problemático e ficava ainda mais com o abuso do álcool e cocaína, esses problemas quase sempre traziam algum tipo de prejuízo para a banda, como quando o vocalista quase estragou o começo da então parceria da banda com seu manager, Rod Smallwood, Di’Anno foi preso antes do show que Smallwood estava na platéia para assistir. Para não perderem a oportunidade de serem agenciados, Harris tocou e cantou aquele dia. Com o passar do tempo Harris sabia que com Di’Anno na banda eles jamais chegariam onde ele sabia que o Iron Maiden poderia chegar, no topo.

paul bruce dickinson 

Depois de vários shows cancelados na Alemanha – Di’Anno resolveu entrar em modo zumbi – Harris toma a decisão de tirá-lo da banda. Foi então que em novembro de 1981, Bruce Dickinson fez o seu primeiro show pelo Maiden em Londres. A ida de Bruce para o Maiden é digna a negociação de um jogador de futebol. Bruce era vocalista do Samson e como todos os membros do grupo, tinha um contrato com seus empresários, uma multa caso resolvesse abandonar o barco. O caso é que Bruce sabia que era feito para o Iron Maiden e vice e versa, tinham só um pequeno entrave, a tal multa rescisória era muito alta para Dickinson, aí entra em cena o manager do Iron Maiden, Rod Smallwood. Sabendo do que poderia acontecer caso Bruce entrasse no Iron, ele negocia com os empresários do Samson e literalmente comprou o passe de Bruce com a condição do vocalista um dia, em épocas de vacas gordas, pagar o empresário. Bruce mesmo sabendo do alto valor a ser pago, não pensa duas vezes e aceita a oferta. Bom, o resto da história todos nós sabemos.

The Number of the beast (1982)

The Number Of The Best é o terceiro álbum de estúdio do Iron Maiden, o primeiro com Bruce Dickinson no vocal e o último com Clive Burr (baterista) que foi substituído por Nicko McBrain. Posso dizer que The Number Of The Best foi o trabalho mais importante para a banda e um marco para o heavy metal mundial. A guinada positiva que o Maiden deu com a entrada de Dickinson foi notoriamente sentida, usando a presença de palco e o grande alcance de voz que seu novo frontman possuía e ainda possui, Harris finalmente pode levar a banda onde ele sempre imaginou que seria o seu lugar. Musicalmente falando Bruce mesmo estando a pouco tempo com a banda contribuiu para a criação de três faixas – mesmo não levando os créditos por isso – “Children Of The Damned”, “The Prisoner” e o sucesso “Run To The Hills”. E através do single “Run To The Hills”, primeiro single tocado nas rádios, o Iron Maiden alcança o top 10 de diversas paradas, alçando a banda a lugares inimagináveis até então. Outro mega sucesso ou talvez o maior sucesso da banda é a música que leva o nome do álbum, The Number Of The Beast. Sua introdução tirada do livro de Apocalipse soa como uma oração para os fãs da banda. Claro que a música geraria polêmica com os grupos religiosos conservadores da época, eles acusavam a banda de serem satanistas. Polêmicas à parte, musicalmente falando “The Number Of The Beast” é tudo aquilo que Harris deve ter pensado em fazer um dia com a banda. Outra música que alcançou muito sucesso entre os fãs é “Hallowed Be Thy Name”, nela Dickinson se supera no que faz de melhor , soltar a voz. A maioria das músicas possuem curiosidades interessantes que o rapaz aqui que vos escreve desconhecia totalmente . “Children Of The Damned” foi inspirada nos filmes “A Aldeia dos Amaldiçoados ” (lançado em 1960 e dirigido pelo alemão Wolf Rilla) e sua continuação, “A Estirpe dos Malditos” (1964, dirigido por Anton Leader) e também em “Children Of The Sea”, clássico do Black Sabbath. “22 Acacia Avenue” faz parte de uma trilogia de músicas que começou no primeiro disco da banda com a música “Charlotte The Harlot”, ela conta a saga de uma prostituta de nome Charlotte , o final dessa história se daria somente em “From Here To Eternity”, presente no álbum “Fear Of The Dark” (1992).

The Number Of The Beast fez o Iron Maiden tornar-se uma engrenagem perfeita. O casamento entre Bruce Dickinson  – apesar de seus futuros altos e baixos – foi uma das melhores uniões musicais que conheci. A importância para o rock, para o heavy metal, para a música numa forma em geral é imensa. Mesmo eu, um não fã da banda reconheço isso facilmente. O gosto de fazer essa série de resenhas a qual me prontifiquei, é fazer isso, conhecer bandas, bandas tão grandes e famosas como o Iron Maiden, mas que sempre tive um pé atrás de aprofundar o conhecimento sobre. Após essa resenha o meu respeito pelo Iron só aumentou, musicalmente falando não tenho nem o que argumentar contra, sempre assistia aos shows nos Rock In Rio da vida e acho a entrega dos caras no palco fantástica! Agora consigo entender porquê não é uma banda e sim uma seita.

Galera, vou ficando por aqui. Espero que vocês tenham gostado, particularmente eu gostei bastante. Espero também não ter falado, novamente, tanta bobagem, sei do enorme fã clube que a banda possui. Uma menção honrosa ao Eddie, como falar sobre o Iron Maiden e não falar de seu mascote? A capa do The Number Of The Beast é fenomenal! Eu, como leitor de quadrinhos sempre gostei do Eddie, dos seus traços. A capa desse disco tem a assinatura de Derek Riggs, ela foi originalmente criada para o single “Purgatory” presente no álbum anterior, “Killers, mas por ser emblemática o manager da banda preferiu guardá-la para algo maior. Será que ele estava errado? Agora realmente me despeço, espero vocês na próxima matéria onde falaremos do ano de 1983. Até lá, abraços!

Discos de 1982 que possivelmente falaria:

Plastic Surgery Disasters – Dead Kennedys

Tug Of War – Paul McCartney

Rio – Duran Duran

Asia – Asia

Faixas do Disco

1 –  Invaders

2 – Children Of The Damned

3 – The Prisoner

4 –  22 Acacia Avenue

5 – The Number Of The Beast

6 – Run To The Hills

7 – Gangland

8 – Hallowed Be Thy Name

Ouça o álbum The Number Of The Best na íntegra!

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Pitty – Admirável Chip Novo (2003)

Pitty – Admirável chip novo (2003)

Salve galera ligada no site AHD, eu Bruno Machado estou de volta para mais uma resenha com aquele gostinho gostoso de nostalgia.  E eu continuo na “pegada baiana”, depois de escrever sobre a maravilhosa Daniela Mercury, hoje eu volto as raízes do rock e falo sobre o primeiro álbum de estúdio da cantora Pitty.

Pitty e sua trupe lançaram o disco Admirável Chip Novo em 2003 pela Deckdisc, viram várias faixas do mesmo caírem nas graças do público, produziram vários hits e videoclipes que ganharam notoriedade na MTV Brasil. Em minha cidade a emissora estava disponível para nós do interior paulista por conta de uma gambiarra com “selo br de qualidade”. Mas antes de falar dessa relação maravilhosa, vamos primeiro ao cenário do rock nacional no início dos anos 2000 no Brasil.

Na virada do século as bandas de 80 que tiveram destaque estavam num período bem morno, sem o mesmo animo, o povo brasileiro estava esperando algo novo no segmento. Nessa época surgiram nomes como Detonautas Rock Clube, CPM22, Tihuana e Pitty. Dentre esses nomes é inevitável apontar que a cantora baiana era a melhor representação do rock brasileiro no momento, sentia-se um ar mais agressivo e que trazia esperança aos roqueiros de plantão.

O disco foi o primeiro de estúdio de Pitty, como citado acima, além de cantora ela é multi-instrumentista e compositora. A baiana trouxe consigo um time de músicos muitos bons e que mostraram grande envolvimento com o projeto.  A banda era formada por Peu (guitarra e violões), Joe (baixo) e Duda Machado (bateria). Ao longo da matéria citarei algumas das participações especiais que engrandeceram ainda mais esse primeiro álbum da Pitty.

Bora falar um pouco das faixas do disco, ao todo temos 11 faixas, sendo que 6 chegaram as rádios. Ou seja meus caros leitores, a cantora teve um sucesso estrondoso já no seu primeiro álbum de estúdio, coisa rara para artistas brasileiros, muitas bandas de grande sucesso em nosso país tem primeiros discos horrorosos em relação a músicas em rádio. É claro, que a maioria deles não teve uma parceria bem sucedida com a MTV Brasil no início da carreira, já que a mesma ainda não tinha chegado por aqui. A música que dá nome ao disco, Admirável Chip Novo – dá quase pra confundir com Admirável Gado Novo do saudoso Zé Ramalho, não!? – foi uma das primeiras faixas a ganhar videoclipe e aparecer exaustivamente na MTV, estava sempre presente nas primeiras posições do Disk MTV – oooooh saudade. Temos também videoclipes para as faixas, Teto de Vidro e Máscara, ambas com cunho social forte, admito que uma das coisas que mais me chamaram a atenção na época que tive contato com o trabalho da Pitty foi isso, o fato de abordar assuntos que há tempos o rock não passava perto.

As faixas consideradas “Lado B” são interessantíssimas também, contam com uma distorção pesada de Peu e uma pegada forte de Joe e Duda, Pitty é impecável no álbum todo, mesmo percebendo que a cantora em algumas horas demonstra um pouco de timidez em relação a imposição de sua voz, aliás, essa timidez logo foi embora nos discos posteriores. Agora vamos a outra coisa interessante nesse disco, uma faixa foi tema de novela global, e aí, você lembra de qual foi!?

Não que eu seja o mais noveleiro dos integrantes do AHD, mas eu me lembro bem da novela Da Cor do Pecado (2004), que foi estrelada por Reynaldo Gianecchini, Taís Araújo, Giovana Antonelli, Cauã Reymond, entre outros. A novela das 6 tinha como uma das músicas destaque Temporal, uma balada sensacional que conta com Paulinho Moska no violão e Jaques Morelembaum no Cello – este último só foi um dos responsáveis pela parte orquestrada do Acústico MTV de 1997 do Titãs, só isso meus queridos rs – e que é uma das melhores faixas deste álbum. E já que estou falando de participações especiais, nada melhor do que falar da mais importante delas, a de Liminha na faixa Equalize. Outra faixa maravilhosa do disco que mostra toda a doçura de Pitty, a cantora se mostrou muito foda nas músicas mais pegadas e extremamente meiga nas faixas mais “calminhas”, até hoje é uma das coisas que mais me encanta na cantora. Liminha participa da faixa tocando baixo, o groove que ele dá na música é fora do comum, ele sem dúvida é um dos maiores instrumentistas e também produtores que o Brasil já teve.

Pra fechar a matéria com chave de ouro vou destacar a última faixa do álbum, Semana Que Vem. Acredito que foi uma das primeiras canções da Pitty que eu tive contato, lembro-me de ver várias vezes uma matéria na MTV Brasil sobre os bastidores da gravação do videoclipe, que assim como a música é sensacional. Nada de recursos visuais extraordinários, mas sim um conceito simples e direto. Nada como conceber uma música que transmite a importância do hoje, coisa que hoje em dia está difícil de encontrar na na música brasileira, temos raras exceções. Eu ainda tive a oportunidade de ver um show da Pitty no João Rock em 2015, já com nova formação – Peu cometeu suicídio em 2013 e Joe saiu da banda em 2011 – contando com Martin na guitarra e Guilherme Almeida no baixo, pra mim foi um dos melhores shows do festival, uma pegada absurda, Pitty afinadíssima e os músicos super entrosados.

Bom meus queridos, vou ficando por aqui e espero que vocês tenham gostado. Curtam tanto esse álbum da Pitty como os posteriores que são muito bons também. Valew galera e até a próxima =D

Faixas do Disco

1 –  Teto de Vidro

2 – Admirável Chip Novo

3 – Máscara

4 –  Equalize

5 – O Lobo

6 – Emboscada

7 – Do Mesmo Lado

8 – Temporal

9 – Só de Passagem

10 – I Wanna Be

11 – Semana Que Vem

Curta o videoclipe da faixa Semana Que Vem.

Ouça o álbum Admirável Chip Novo na íntegra!

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Rush – Moving Pictures (1981)

Rush – Moving Pictures (1981)

Fala galera do A História do Disco, depois de um pequeno hiato – explicável – Denis Borges volta para mais uma resenha. Essa não será apenas “mais uma resenha”, será o começo de um projeto que bolei esses tempos atrás. Explicarei. Nasci no ano de 1981 – velhinho, não? – Tive um insight de fazer uma resenha para os meus 37 anos, 38, melhor dizendo, não terminarei antes de 11 de abril do ano que vem quando completo 3.8, quem quiser me presentear, sinta-se à vontade quanto a isso. Enfim, a partir desta resenha estarei fazendo uma para cada ano de vida que tive até aqui. Para minha grata surpresa o ano de 1981 é um ano muito abastado de ótimos discos.

Antes que pensem em critérios, não, não terei critério algum para escrever sobre os discos, a única preferência que darei será escolher um disco que não conheço tanto ou um disco muito fodástico que não daria pra falar de outro senão o próprio. Para começar essa série, além de adotar o critério fodástico, usei um terceiro critério desconhecido até o momento, o critério sentimental, quis fazer uma homenagem a uma pessoa que hoje considero um amigo, um amigo Rock ‘N’ Roll, difícil achar aqui pelas bandas de Taquaritinga, mas sem querer e graças ao Bruno Machado eu encontrei, estou falando do nosso querido Guga, ou Gustavo Troiano – até hoje não sei direito o que ele faz na rádio Planeta Verde FM 104,9, além de fazer tudo. O Guga, para quem só acompanha o site, possibilitou que as matérias criadas virassem programas de rádio todos os sábados às 19h e com reprise aos domingos no mesmo horário na Rádio Planeta Verde FM 104,9, aqui de Taquaritinga/SP. Voltando ao Guga, esse cara é muito importante para o A História do Disco, sem contar o seu conhecimento sobre esse estilo musical do qual discorremos na maioria das nossas resenhas. Juntamente com todo esse repertório que já valeria uma resenha/homenagem, o nosso querido Guga é fã incondicional de uma banda que conhecia pouco, sabia da sua vasta e ótima obra, e mesmo assim, nunca doei muito do meu tempo para conhecê-lo melhor , estou falando do Rush, caro blogonauta e ouvinte, mais precisamente do disco Moving Pictures (1981), uma das pérolas dos anos 80.

Rush – 1968 até 1981

Depois que conheci o Guga sempre tive uma curiosidade imensa em escutar Rush para entender a sua idolatria pela banda. Quando resolvi escolher esse disco pra falar, comecei a pesquisar sobre a banda e sua obra e aos poucos fui entendendo o porquê de toda essa devoção. O Rush, posso afirmar com certa convicção, é uma banda formada por SENSACIONAIS músicos, todos estão em listas dos melhores de todos os tempos, Neil Peart (baterista) é cultuado por 9 entre 10 bateristas de rock, idem para os outros dois integrantes “God” Geddy Lee (vocal, baixo e teclado), um cara que toca baixo com seu virtuosismo , canta e ainda toca teclado só pode ser chamado de “God”, e Alex Lifeson (Filho da Vida) ou Aleksandar Zivojinovic, seu nome de batismo, um tão virtuoso guitarrista  quanto Lee é baixista , e que sempre completou esse power trio com maestria, sua busca por originalidade sempre foi ímpar, além de compor a maioria das músicas junto com Geddy Lee, deixando Peart a cargo das letras. Uma particularidade me fez admirar o Rush é sua fluidez que com o passar dos anos faz a banda migrar de tendência, outro fato que me maravilhou foi o lançamento constante de álbuns até o momento em que lançaram Moving Pictures. Em apenas sete anos de estrada o Rush lançou sete álbuns seguidos , além de um ao vivo. Após um disco com muita influência do hard rock e do Led Zeppelin, nada pejorativo na citação, o Rush sempre foi uma banda de características próprias, vem o segundo disco Fly By NIght (1975), agora com Neal  “O Baterista” Peart que entrou na banda no lugar do bom John Rutsey. Em Fly By Night já sentimos a influência de Peart na banda com a introdução de elementos progressivos em sua sonoridade. Aos poucos a banda se desvincula do hard rock e volta sua atenção para o rock progressivo e seus sintetizadores. Bandas como Yes, Vander Graff Generator e King Crimson passaram a ser influencias para o Rush. Na busca pelo melhor som com a mais alta complexidade de execução, esses cara beiravam a perfeição, criavam músicas extensas com alto grau de dificuldade e com letras que falavam sobre fantasia, ficção científica e poesia clássica, Peart sempre amou esse tipo de literatura e a banda era conhecida por ser composta por Nerds, que bom, não? No álbum Permanent Waves (1980) o Rush começou uma nova transição em sua música, trazendo novos elementos expoentes à época, como os usados na new wave, a diminuição do tamanho de suas canções também as tornou mais acessíveis e presente nas rádios da época. Essa transição se completa em Moving Pictures (1981), o ator principal da nossa história de hoje.

MOving Pictures (1981) – 8° DIsco de estúdio do rush

Moving Pictures alçou voos que nenhum outro disco  do Rush chegou a alçar. Proposital ou não foi nesse disco que o Rush se consolidou no mercado como uma grande banda de rock. Uma grande banda de rock vendedora de discos, porque grande branda sempre foi, disso ninguém tem a menor dúvida.

Começamos o disco diretamente com a “cereja do bolo”, estou me referindo ao maior sucesso comercial do Rush em seus 40 anos, Tom Sawyer, eternizada como música tema do seriado “McGyver – Profissão Perigo”, série que passava na Globo do meio dos anos 80 pra frente – o cara construía uma bomba nuclear com um chiclete, um clip e um pedaço de barbante – o seriado foi um sucesso absoluto assim como a música é até hoje. Voltando a Tom Sawyer ela tem a seu favor, assim como todo o álbum também tem, a dosagem perfeita de todos os elementos que fizeram do Rush uma banda única, essa mescla que deixou a música mais acessível, mas não menos grandiosa e tecnicamente perfeita nos traz grande expectativa quanto ao resto do disco. “Red Barchetta” é uma música harmonicamente “OK”, mas o ok para o Rush é algo mágico para qualquer outra banda, todos os instrumentos tocados com maestria e exatidão, o solo de Lifeson é algo espetacular, enfim, Rush sendo Rush. “YYZ” a primeira instrumental do disco traz o que mais gosto no Rush,  todos tocando como se estivessem solando sozinhos e mesmo assim tudo harmonicamente encaixado, viradas, sintetizadores, guitarra, baixo, monstro, 6 min. e 10 seg. de puro virtuosismo.

“Limelight” é a visão de Peart sobre o sucesso, fazer sucesso, ser sucesso, lidar com o sucesso, musicalmente falando, guitarra de Lifeson sempre marcante na perfeita cozinha que é Peart e Lee.  “The Camera Eye” é a última “grande” música do Rush, grande no tamanho, galera, depois dos seus 10 min. e 59 seg. o Rush nunca mais fez uma música tão longa em todos os seus outros discos vindouros. Outro detalhe interessante dessa música é que ela era elas, eles juntaram duas músicas e transformaram em “The Camera Eye”, sendo que sua primeira metade exigiu muito de todos os músicos, tecnicamente falando. “Witch Hunt” seria o patinho feio do disco, a menos lembrada, começa com um instrumental sinistro, gritos – todas as pessoas que estavam no estúdio movidos a muito whisky – ela é mais cadenciada, bastante sintetizadores, vocal de Lee meio apocalíptico. “Vital Signs” a última do álbum, logo em sua introdução percebemos um quê de Police, a new wave estava em alta na época, grande trabalho de baixo de Lee, sem contarmos a bateria de Peart e a guitarra de Lifeson. Na maioria das vezes falar de Rush é chover no molhado, sempre inventivos, técnicos, perfeitos no que se propuseram a fazer.

Pra mim foi muito divertido e difícil, difícil por diversos motivos: não conhecer completamente a história musical da banda,uma missão quase impossível pelo tempo que tive para desenvolver o texto, são 20 álbuns de estúdio, mais 9 álbuns ao vivo, diversas compilações, enfim, não ter uma base sólida do que foi essa maravilhosa banda é pisar em ovos, com certeza falei algumas “groselhas” aqui, me desculpem, essa é simplesmente a opinião de um cara que passou a escutar Rush há mais ou menos três meses. Prometo em um futuro fazer uma(s) resenha(s) sobre algum disco da banda, afinal disco é o que não falta, mas dessa próxima vez com maior propriedade. Nessa brincadeira toda o Rush ganhou mais um fã e o que eu mais gosto nesses caras é a amalgama que o virtuosismo de cada um produz em prol da música. Resumindo, o Rush é uma banda onde os músicos tocam se estivessem solando pela última vez na vida e mesmo assim, toda essa virtuose se encaixa perfeitamente – essa é a segunda vez na resenha que cito isso -, fico abismado com isso :O.

Galera, queria mais uma vez me desculpar por qualquer palavra mal colocada ou mal entendida. Me corrijam no que precisar nos comentários – quero aprender -, curtam muito o Rush que é uma banda S E N S A C I O N A L ! Fico por aqui e até o ano de 1982 aqui no A História do Disco.

P.S.1:  Essa foi a minha maior resenha. Desculpem-me por isso também, mas não daria pra ser menor.

P.S.2: Deixarei abaixo dessa série de resenhas os outros discos lançados em 1981 que fiquei em dúvida na hora de escrever.

Discos de 1981 que possivelmente falaria:

– Black Sabbath – Mob Rules;
– The Rolling Stones – Tatto You;
– Eco & The Bunnymen – Heaven Up Here;
– Duran Duran – Duran Duran
– The Police – Ghost In The Machine
– Black Flag – Damage

Faixas do Disco

1 – Tom Sawyer

2 – Red Barchetta

3 – YYZ

4 –  Limelight

5 – The Camera Eye

6 – Witch Hunt

7 – Vital Signs

Assista um registro da faixa Tom Sawyer.

Infelizmente não encontramos link no Youtube com o disco (cd) na íntegra, porém você pode encontrar o mesmo
em plataformas como Spotify e Deezer!
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Daniela Mercury – O Canto da Cidade (1992)

Daniela Mercury – O Canto da Cidade (1992)

Salve galera que curte o site AHD, aqui estou eu Bruno Machado para mais uma matéria. Venho pesquisando cada vez mais discos que eu nunca tive contato, principalmente de artistas que já me chamaram atenção mais de uma vez com diversas canções e também com sua força dentro do cenário musical. Como bom carnavalesco que sou me lembrei de que um disco de axé ainda não tinha vindo aqui pro nosso site, ai resolvi falar do estilo por uma das cantoras mais icônicas do mesmo. Bora resenhar sobre o segundo álbum de estúdio de Daniela Mercury.

Eu fiz questão de escolher este disco pois “um tal de Liminha” que produziu, aí eu não resisti e pulei de cabeça no axé e na carreira de Daniela. Inclusive minha mãe passava pelo meu quarto e falava: Uai, se virou “axézeiro” agora!? Eu ri é claro, mas confesso que apesar de ser um cara mais ligado ao rock e ao pop, admiro acima de tudo músicas de qualidade, independente do estilo. E lógico, gosto de carnaval, mesmo porquê toco em um bloco da minha cidade natal, Taquaritinga/SP, interior do estado de São Paulo.

A baiana Daniela Mercury começou sua carreira cedo, e antes de se firmar na carreira solo foi backing vocal de Gilberto Gil e também fez parte da Banda Eva – que ficou famosa posteriormente por ter Ivete Sangalo com vocalista. A partir daí as portas se abriram pra cantora que foi pra carreira solo e já brilhou em seu primeiro álbum com o sucesso da faixa Swing da Cor. A faixa Menino do Pelô também ganhou destaque.

A partir do disco O Canto da Cidade, Daniela obteve mais recursos para fazer um disco melhor que anterior que é praticamente independente. O movimento Axé Bahia vinha ganhando força, atingindo outras regiões do país, Liminha entendeu tudo isso e fez a cantora explodir com a canção Canto da Cidade, que aliás dá nome a este segundo álbum de estúdio da cantora. E nesse álbum sentimos um trabalho mais cuidadoso em relação ao instrumental, linhas de baixo, percussão sempre bem encaixado e teclados dando o ar da graça na maioria das faixas.

A canção Batuque também é um destaque desse álbum, um axezão raiz, percussão alá timbalada ou mesmo olodum, música muito bem swingada, pra você que gosta desse estilo ou mesmo de carnaval, vale muito a pena conferir essa faixa. Outra canção que merece destaque é Bandidos da América, mostrando que o axé também abordar temas como política e questões sociais.

Em uma determinada parte do álbum, o mesmo começa a pender para um lado mais mpb e pop, em Geração Perdida temos até a impressão de que há um flerte de Daniela em relação a voz de Gal Costa, faixa que também abordar questões sociais. Posteriormente vem a faixa Só Pra Te Mostrar, que conta com a participação de Herbert Vianna, guitarrista, cantor e compositor da banda Os Paralamas do Sucesso.

Antes de falar mais sobre o disco é muito válido citar que o movimento Axé Bahia teve muitos representantes, não só Daniela Mercury. Entre eles temos: Luiz Caldas, Ivete Sangalo (desde que era vocalista da Banda Eva), Chiclete com Banana, Carlinhos Brown (não sou fã do cara, mas temos que admitir que ele é um dos maiores compositores da música brasileira, e já fez parceria com outros grandes nomes da MPB como Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Herbert Vianna), Netinho, Araketu, Timbalada e Olodum. O movimento se fortaleceu muito durante os anos 90 e o começo dos anos 2000, e passou a integrar a playlist dos carnavais pelo país todo, não só na Bahia. Só espero que as marchinhas nunca sejam esquecidas, pois foi por elas que o Carnaval ganhou vida!

Bom, voltando ao álbum temos uma pegada olodum na faixa O Mais Belo dos Belos (A Verdade do Ilê/ O Charme da Liberdade, climão de carnaval mesmo, vocalizes deliciosos e Daniela com uma afinação absurda – pra mim uma das melhores cantoras do nosso país. Posteriormente temos Rosa Negra, outra grande canção de Daniela, mais vez Liminha faz o baixo se mostrar presente, assim como teclado e guitarra. Os mesmos adjetivos servem pra faixa Vem Morar Comigo, linda canção com mudanças interessantes de ritmo, e até uma distorção meio rock’and roll no fim da música, vale muito a pena conferir.

Por hoje é isso galera, acredito que consegui passar à vocês o significado do álbum, tanto pro movimento Axé Bahia como pra Daniela Mercury. E tenho o prazer de reiterar que música boa não está somente em um estilo musical, mas sim em todos, o Brasil é um país muito grande e que tem muitas culturas diferentes quando se diz respeito a música. Eu gosto muito de rock e pop, são os ritmos que me fizeram amar a música, mas tenho muito respeito por todos os outros estilos, e acima de tudo amo o carnaval, por isso resolvi trazer essa matéria aqui pro AHD. Espero que todos tenham gostado, valew pessoal e até a próxima.

Faixas do Disco

1 –  O Canto Da Cidade

2 – Batuque

3 – Você Não Entende Nada/ Cotidiano

4 –  Bandidos Da América

5 – Geração Perdida

6 – Só Pra Te Mostrar

7 – O Mais Belo Dos Belos (A Verdade Do Illê/ O Charme da Liberdade

8 – Rosa Negra

9 – Vem Morar Comigo

10 – Exótica Das Artes

11 – Rimas Irmãs

12 – Monumento Vivo

Curta o videoclipe do sucesso O Canto Da Cidade.

Ouça o álbum O Canto da Cidade na íntegra!

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Boston – 1976

boston – 1976

Salve galera que curte o site AHD, hoje vamos novamente fazer uma viagem aos anos 70, eu Bruno Machado vou falar de um dos maiores álbuns dessa década, que soa muito aliás como anos 80 – deve ser por isso que fiquei apaixonado por ele – e que vai te surpreender pela forma como o mesmo foi concebido. Hoje temos o primeiro álbum de estúdio da banda americana de hard rock, Boston.

Meu primeiro contato com a banda foi ouvindo a principal faixa desse álbum, a clássica More Than A Feeling, uma das canções mais belas que ouvi na minha vida, letra profunda e melodia contagiante, não há como não gostar dessa música. Depois de ouvir e muito essa música, fui procurar maiores informações sobre a banda, sua carreira, outras faixas, e cheguei ao primeiro álbum do grupo. Descobri até o estilo musical AOR (Album Oriented Rock), que surgiu no começo dos anos 70, entre as bandas que se enquadram no mesmo temos: Chicago, Journey, Toto e é claro, Boston. A sigla surgiu quando as rádios do norte do EUA tocavam os álbuns inteiros, contrariando o sistema das rádios, que era tocar somente singles para seguir seus interesses comerciais.

Este álbum do Boston foi todo centrado no talento do guitarrista e fundador da banda, Tom Scholz, e aliás, é muito válido citar que antes do grupo o mesmo era engenheiro de som. Sendo assim, ele pediu emprestado o equipamento de som do Aerosmith para este álbum que estou falando hoje aqui no AHD. O detalhe é que Scholz deu vida ao disco todo sozinho no porão de sua casa, já que o restante dos integrantes caíram na farra da noite californiana.  As outras peças raras do grupo era: Brad Delp (vocalista), Fran Sheeran (baixista), Barry Goudreau (guitarra) e Sib Hashian (baterista).

O que você caro leitor pode esperar desse disco? Bom, o que pude admirar no álbum foi linhas de baixo envolventes, sobras de guitarra bem encaixadas, vozes bem afinadas e entrosadas, bateria simples e também muito marcante, e claro, um pré anos 80 incluso no conceito do disco. Ah, não posso deixar de destacar o excelente encaixe do violão em algumas canções, vou falar mais sobre isso nos próximos parágrafos.

Bom, bora falar das três primeiras faixas do álbum, a primeira é More Than A Feeling, o maior sucesso da banda. A primeira faixa da banda aliás que eu tive contato, e me apaixonei logo de cara, se tornou um clássico da década de 70 e fez com que o mundo conhecesse o Boston. A faixa Peace Of Mind se mostra uma bela balada, introdução marcante no violão e também no riff de guitarra (que no fim conta com uma dobra, coisa maravilhosa de ouvir), os vocalizes preenchendo perfeitamente a canção, assim como o baixo que também deixa sua marca no ritmo da faixa. Depois temos o medley Foreplay/ Long Time que começa com Scholz moendo no sintetizador e Sherran debulhando o baixo, depois entra Hashian arrebentando na batera e  Barry marcando com a guitarra, essa é a instrumental Foreplay, ai depois temos Long Time, bem pop que pode lhe fazer lembrar até do grupo Toto. Destaque mais uma vez para os vocalizes, para um violão que dá as caras com personalidade e temos até algumas palminhas. Juro pra vocês que ainda não acredito que esse disco foi concebido em 76 e não em 80, mas tudo bem, estou conseguindo me habituar a isso.

Agora vamos para faixa Rock  & Roll Band, que aí já tem muito mais a cara dos anos 70, pra mim é uma das faixas em que a voz de Brad Delp mais se destaca, pode-se dizer que ele segura o ritmo da faixa, e coloca a prova sua qualidade vocal, que alias, é imensa. Depois temos Smokin, que também uma faixa totalmente setentista, e o rock gringo nessa época estava muito bem viu amiguinhos, e o Boston soube criar um conceito próprio no álbum como também soube entender qual era a bola da vez na década.

Antes de falar das últimas faixas desse disco maravilhoso, eu gostaria de destacar que é o décimo álbum mais vendido da história! Nada mal pra um álbum de estreia gravado em um porão, não? Na minha visão é algo fenomenal, estamos falando de um disco gravado em 1976, hoje em dia se tem muito mais recurso e dificilmente se grava um álbum completo com uma qualidade tão grande, aliás, hoje está difícil até pra gravar uma faixa boa, são poucas as bandas de qualidade que ainda se arriscam a gravar novos álbuns de estúdio e dar um conceito aos mesmos. O Foo Fighters é um ótimo exemplo, o último disco de estúdio da banda é sensacional, e tem vários singles que ganharam videoclipes muito bem produzidos.

Destaco agora as três últimas faixas desse disco fantástico do Boston, Hitch a Ride começa com um dedilhado bem calmo e logo depois tem um falsete perfeito, temos então mais uma balada cheia de efeitos de sintetizador, bateria com vários ataques no contra e vocalizes de cair o queixo. Posteriormente temos a faixa Something About You, era pra ser um lado B mas tranquilo, foco total no lado A, só que não! Guitarras dobradas em mais um riff alucinante e mais um sinal verde para o rock anos 70, baixo andando lindamente, batera segurando o ritmo e vozes super alinhadas. Juro que eu queria estar exagerando em tudo isso, mas não estou, esse álbum é realmente apaixonante meus caros leitores. Por último, temos a canção Let Me Take You Home Tonight, típica de fim de disco mesmo, você sente o gosto da jornada terminando, algo mais leve e que fecha de maneira suave esta obra prima do Boston.

Bom meus queridos, espero que vocês tenham curtido a matéria de hoje e continuem acompanhando o projeto AHD tanto aqui em nosso site, como mo facebook e também na Planeta Verde FM todo sábado e domingo as 19h. Até a próxima pessoal 😉

 

Faixas do Disco

1 –  More Than A Feeling

2 – Peace Of Mind

3 – Foreplay/ Long Time

4 –  Rock & Roll Band Wife

5 – Smokin’

6 – Hitch A Ride

7 – Something About You

8 – Let Me Take You Home

Ouça o primeiro álbum de estúdio do Boston na íntegra!

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Milionário e José Rico – Estrada da Vida (1977)

milionário e josé rico – Estrada da Vida (1977)

Olá amigos do site A História do Disco, tudo bem com vocês? Espero que sim, eu sou Flávio Oliveira e vamos iniciar mais uma matéria sobre música, curiosidades de bandas e tudo mais. Bora lá!?

Meus caros leitores, antes de qualquer coisa, devo alerta-lo de que a nossa resenha de hoje será um pouco diferente comparada com as que já existem em nosso site. Não é querendo polemizar nem nada, mas nós do AHD como indivíduos movidos pela música nos sentimos no dever de falar deste álbum que marca a história da música caipira brasileira. Nosso objetivo não é apenas falar de rock, pop, mpb, samba, etc., mas sim falar de música boa e de suas histórias que deixaram legados na memória das pessoas. A música é uma forma de nos libertar do tédio do dia a dia, de sentirmos as derivadas sensações que um campo harmônico pode nos propiciar (a contemplação principalmente). Assim,  aquela frase do filósofo Friedrich Nietszche faz todo sentido, onde o mesmo afirma que “Sem a música, a vida seria um erro”. Portanto, hoje falaremos de uma dupla sertaneja que marcou e ainda marca ainda a vida de todos nós – eu, por exemplo, cresci ouvindo esse tipo de música e levo isso como uma parte importante na minha formação como ouvinte e também como crítico-reflexivo mediante a situação dos trabalhadores rurais de nosso país. Falaremos dos Gargantas de Ouro do Brasil, Milionário e José Rico.

Antes de mais nada, quero deixar explicito que todas as pontuações que farei acerca desse disco estão projetadas em minha mente e por conta disso, não é soando como pura vaidade em querer colocar as minhas experiências como plano principal da resenha, mas sim falar em primeira pessoa com autonomia a partir de tudo que vivi até o presente momento ouvindo estas canções – por isso, vamos ao que interessa!

Desde quando era criança me recordo de ver meu pai e meu querido tio Luiz (que reside em Araraquara/SP) ouvindo e cantando as canções desta dupla, e por conta disso, os LP’s que meu pai tem guardado até hoje sempre compôs minha curiosidade em saber e querer conhecer essas músicas e duplas.

A dupla que está merecendo destaque hoje em nosso site é uma das mais prestigiadas no cenário sertanejo brasileiro, e que em quarenta anos de carreira venderam aproximadamente cerca de 35 milhões de exemplares de discos desde o ano em que surgiram, em 1973. Milionário e José Rico são conhecidos popularmente como “Os Gargantas de Ouro do Brasil” e creio que este apelido faz jus aos feitos da dupla – os agudos alcançados pela mesma deixa qualquer cantor de heavy metal no chinelo.

O disco que estamos falando hoje aqui no AHD é de 1977 e merece destaque porque ganhou até filmagens contando a história da dupla – eu assisti muito esse filme com meus pais. As duplas sertanejas brasileiras durante a década de 70 não tinham tanto reconhecimento como se tem nos dias de hoje, os cantores sertanejos do dias atuais fazem show diariamente, chegam a uma média de mais 100 apresentações ao mês – os caras são punk rock mesmo -, já naquela época, a maioria dos cantores populares – nos quais eram chamados de bregas – viviam fazendo circuitos de shows em circos.Sim, em circo mesmo. Pode até parecer bizarro , mas antigamente as duplas sertanejas por conta de não terem espaço nas grandes rádios (as Major Fm’s que só tocavam outros estilos de música, as duplas sertanejas só tinham espaço nas rádios AM) e até mesmo em programas televisivos, esses artistas tinham que fazer maratonas de shows com as companhias circenses.  Meus pais sempre contam que histórias sobre os shows que eles assistiram enquanto jovens aqui em minha cidade natal (Taquaritinga/SP). As duplas sertanejas passam a ganhar destaque na cultura brasileira a partir dos anos 90 com duplas como: Leandro e Leonardo, Chitãozinho e Xororó, Zezé Di Camargo e Luciano, e João Paulo e Daniel. Estes artistas literalmente quebraram a MPB de modo geral – vale lembrar que este estilo musical passava por um período de declínio, talvez pelo sucateamento que as grandes gravadoras estavam fazendo, e artistas de épocas anteriores como Maria Bethania tinham que interpretar canções de outros cantores.

 

Voltando ao disco de hoje da AHD, o ano é de 1977, próximo ao desfecho do regime autoritário que era vigente desde 1964. O trabalhador bóia fria (os famosos cortadores de cana) e também pequenos sitiantes mantinham os seus costumes em tocar a música caipira e faziam seus costumes do cotidiano se tornar música. É neste cenário que temos a dupla Milionário e José Rico.

O disco A Estrada da Vida foi lançado pela gravadora Warner Music no ano de 1977. O álbum chegou a alcançar marcas impressionantes – 750 mil cópias vendidas – chegando ao prêmio de disco de platina triplo. Mas qual a explicação para tamanho sucesso? Eu vejo a resposta para essa pergunta da seguinte maneira: As canções deste disco são simplesmente poéticas, abordando coisas da vida de um trabalhador, falando de amores, desilusões, religiosidade e fé, a convicção de uma vida melhor e mais justa e outros assuntos que compõem tudo sobre as pessoas que vivem em cidades interioranas e que batalham diariamente pelo seu “ganha pão”. Talvez seja essa a fórmula para tanto sucesso, a aproximação que as músicas traziam aos seus ouvintes e aquele sentimento de que “tem uma pessoas que canta aquilo que gosto e quero ouvir”.

Falando agora da música Estrada da Vida, eu vejo essa música como uma das mais poéticas que já ouvi. Em um programa de televisão que aborda as histórias por trás das canções o cantor e compositor Humberto Gessinger da banda Engenheiros do Hawaii afirma que a música Infinita Highway foi totalmente inspirada nesta canção que estou abordando. É pura poesia refinada sobre a vida, na canção temos uma clara alusão da nossa vida como uma estrada na qual temos que percorrer trechos difíceis, mas que no final tudo dá certo. É interessante pensarmos por esse lado, pois as vezes passamos por determinadas fases na vida que nos fazem pensar que nada vai dar certo ou que há alguma conspiração externa, mas tudo fica claro quando ouvimos essa canção – vivemos, evoluímos e chegamos ao estágio final da vida que é a morte, no qual o compositor cita como o final da corrida. Quer mais poético e filosófico que isso meus caros leitores? Segundo a dupla, esta música foi desenvolvida durante as viagens que os mesmos faziam durante uma campanha política. A maratona se inicia na cidade do interior São José do Rio Preto/SP chegando até o estado de Góias – é muita coisa né? Como pude apurar em algumas pesquisas, descobri que o carro utilizado na época pelos dois era uma Brasília verde reluzente e que este veículo lindo e potente para aquele contexto serviu de base para a composição sair e virar um sucesso. Depois disso, temos o filme lançado em 1980 lançado com o mesmo nome do disco de 1977. A história do filme se passa por tudo que a dupla vivenciou (eles mesmos encenam suas próprias vidas), desde as maratonas de shows até as dificuldades encaradas pelos dois até chegar ao sucesso artístico. Bem legal, não é?

Eu poderia escrever mais longos parágrafos aqui no AHD para mostrar à vocês o quão grandioso foi esse disco, mas eu vou deixar um gostinho de quero mais pra vocês, corram lá e ouçam o disco do começo ao fim e embalem nessa viagem que é Milionário e José Rico.

 

Faixas do Disco 

Lado A

1 –  Estrada da Vida

2 – Bebida Não Cura Paixão

3 – Meu Sofrimento

4 – Destino Cruel

5 – Sentimento Sertanejo

6 – Adeus

Lado B

7 –  Migalhas de Amor

8 – Doce Ilusão

9 – Conselho

10 – Ciumento

11 – Solidão

12 – Esquecido

Ouça o álbum Estrada da Vida na íntegra!

Confira a abertura do filme A Estrada da Vida.

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The Who – Who’s Next (1971)

The Who -who’s Next (1971)

Olá amigos, amigas e colegas leitores do site A História do Disco! É com imenso prazer que, mais uma vez eu Alexandre Bottura, resenho sobre um dos discos mais importantes da história do rock’n roll. Com máximo respeito e imensa honra, apresento-lhe Who’s Next da banda britânica The Who, lançado em 2 de agosto de 1971 pela gravadora Decca nos Estados Unidos, e em 25 de agosto de 1971 pela gravadora Polydor Records no Reino Unido.

Para muitos críticos e fãs, Who’s Next é um dos melhore discos de estúdio já feitos pela banda ao longo de toda sua reconhecida carreira, porém o seu início não foi tão bem planejado assim meus caros, na verdade, Pete Townshend queria um sucessor à altura do antológico antecessor Tommy, álbum de 1969. A princípio, o álbum a ser lançado seria o Lifehouse, sendo essa uma ideia de Townshend, que pretendia organizar o disco como sendo um concerto ao vivo, no qual os dados pessoais das pessoas que estivessem na platéia fossem transferidos sintetizador analógico ARP e assim então criar músicas contínuas que se complementassem. A criação do álbum mostrou ser praticamente impossível devido as limitações tecnológicas da época, o que levou a um grande desentendimento entre Pete e o produtor do Who, Kit Lambert, causando assim grande stress emocional em Townshend, que segundo rumores, fez com que a banda parasse com suas atividades por um tempo.

Não demorou muito para que Who e Townshend voltassem para os estúdios e recomeçassem as gravações usando alguns arranjos próprios e músicas do próprio Lifehouse, porém o grande diferencial do disco foi o uso de sintetizadores que, para a época significou um grande avanço para a engenharia musical e para o rock. E como toda grande inovação artística, o álbum não foi bem recebido pela crítica, mas o impacto causado nos fãs ao ouvirem Baba O’Riley e Wonn’t Get Fooled Again na conturbada década de 70, deixou um marco na trajetória do rock.

O disco Who’s Next flutua entre seus antecessores com a mudança técnica mas com a mesma pegada e qualidade de um autêntico álbum de rock. Nem é preciso citar as capacidades vocais de Roger Daltrey, toda loucura e singularidade de Keith Moon, a destreza e execução de John Entwistle e a genialidade de Peter Townshend. O álbum alavancou o grupo no topo das paradas mundiais mais uma vez e solidificou a banda como uma das maiores de todos os tempos.

Outro detalhe que deve ser enfatizado a respeito do disco é a sua capa: a original traz a imagem dos quatro integrantes terminando de urinar em um imenso bloco de concreto localizado em Easington Colliery, na Inglaterra. Acredita-se que em alusão ao monólito do filme 2001 Uma Odisseia no Espaço – 1968, Stanley Kubrick -, na qual deve ser interpretada como se o ato de urinar fosse uma libertação da banda em relação ao álbum Tommy, creditado como um dos primeiros ópera rock da história. O fotógrafo Ethan Russel que alguns dos membros da banda não conseguiram urinar no bloco, e que parar atingir o efeito desejado, foi preciso usar uma vasilha contendo água de chuva.

Se a famosa capa do disco causou discórdia, mal sabia a crítica das ideias anteriores, que trazia diversas mulheres obesas e nuas e até a possibilidade de ter Keith Moon usando lingerie, peruca e um chicote para ilustrar o disco (aliás, esse registro aparece no encarte do CD remasterizado lançado em 1995, incluindo algumas faixas gravadas ainda com Kim Lambert em Nova Iorque).

                                     

Além das clássicas Baba O’Riley e Won’t Get Fooled Again, o álbum conta com a conhecida Behind Blues Eyes, faixa regravada pela banda Limp Bizkit em 2003 e Baby Don’t Do It tornou-se popular na versão de Marvin Gaye. O disco ocupa a 22ª colocação na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock And Roll Hall Of Fame e é com certeza um marco na história do rock e do mundo da música.

The Who é uma banda britânica formada em 1964 e sua formação original era composta por Pete Townshend (guitarra), Roger Daltrey (vocal), John Entwistle (baixo) e Keith Moon (bateria). Em agosto de 1978 a banda lançou o álbum Who Are You, porém o lançamento foi ofuscado pela morte de Keith Moon no dia 7 de setembro devido a uma overdose acidental de um remédio usado na luta contra o alcoolismo, um exame toxicológico revelou que no sangue de Moon havia uma dose 36 vezes maior que o permitido, e assim o rock e os fãs perdiam um dos maiores bateristas de todos os tempos. Kenney Jones, ex-Small Faces, assumiu seu lugar e contribuiu para dois álbuns: Face Dances (1981) IIt’s Hard (1982) – ambos não tiveram o sucesso da década anterior. Hoje em dia o Who ainda se encontra em atividade para alegria e satisfação dos fãs, e com um detalhe especial: o lugar um dia ocupado por Keith Moon na bateria é hoje de Zac Starkey, afilhado do próprio Moon e simplesmente filho primogênito do ex-Beatle e também baterista Ringo Star.

Mais uma vez gostaria de agradecer  pela oportunidade, espero que vocês tenham gostado da matéria. Até a próxima meus caros!

 

Faixas do Disco

1 –  Baby O’Riley

2 – Bargain

3 – Love Ain’t For Keeping

4 –  My Wife

5 – The Song Is Over

6 – Getting In Tune

7 – Going Mobile

8 – Behind Blue Eyes

9 – Won’t  Get Fooled Again

Ouça o álbum Who’s Next na íntegra!

 

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Gabriel O Pensador – Quebra-Cabeça (1997)

Gabriel o Pensador – Quebra-Cabeça (1997)

Salve galera, Bruno Machado na área pra mais uma matéria aqui no AHD, e hoje eu vou invadir a praia do meu parceiro de site e de programa, Denis Borges, pois vou falar de um disco dos anos 90. Tudo bem que não vou invadir totalmente o território do meu colega pois minha resenha não tem como tema uma banda gringa, mas sim um rapper brasileiro, aliás, um dos pioneiros nesse estilo musical em nosso país. Hoje temos Gabriel O Pensador e seu terceiro álbum de estúdio, Quebra-Cabeça de 1997.

Gabriel sempre foi polêmico desde o início de sua carreira, pra você caro leitor ter noção sua primeira canção de sucesso foi Hoje Eu To Feliz (Matei o Presidente), que criticava sem nenhum pudor o governo Collor (vigente na época em que a música foi concebida), e a faixa chegou até a ser censurada. Em 2017 a canção ganhou a parte 2, e quem é “homenageado” é o atual presidente do Brasil, Michel Temer. Pra mim as duas versões são sensacionais e mostram o quanto o cantor e compositor é inteligente, sagaz e acima de tudo corajoso. Convenhamos, bater de frente com o sistema não é pra qualquer um, ao longo da história vimos muitos compositores e cantores fazendo isso e se dando muito mal.

No álbum Quebra Cabeça o carioca continuou a fazer duras críticas a situação do país, faixas como Pátria Que Me Pariu e Sem Saúde abordam assuntos como saúde pública, aborto, abuso sexual, abuso de autoridade, crianças no mundo das drogas, etc. Quem costumava dar a cara pra bater e falar desse tipo de assunto no Brasil era o rock (pelo menos nos anos 80), o rapper brasileiro continuou dando a cara pra pra bater e retratava muito do que acontecia no Rio de Janeiro em suas canções.

Na época da gravação deste álbum O Pensador já estava em meio a grandes produtores e músicos, tanto que ícones como Rita Lee e Frejat – ainda no Barão Vermelho – cederam trechos de suas canções, aliás, Frejat participa da faixa +1 Dose brilhantemente. Percebe-se um álbum mais engajado, por isso mesmo Gabriel chegou a marca de mais de 1,5 milhão de cópias vendidas. Já que estou falando de participações especiais, nada mais justo que citar a mais marcante delas, Lulu Santos emprestou seu talento no refrão de Cachimbo da Paz, uma das maiores canções da carreira de Gabriel O Pensador. Anos depois Lulu voltaria a fazer parceria com Gabriel na faixa O Astronauta, que entrou no Acústico MTV de 2000 de Lulu e que contou com a presença de Gabriel no mesmo. Voltando à música Cachimbo da Paz, nela é retratado como a maconha é vista em nosso país, estamos falando de um álbum de 1997 e a canção hoje em dia soa mais atual do que nunca. Nem quero entrar no mérito sobre a liberação ou não da droga, muitos sabem que a mesma é também usada medicinalmente, a questão mais grave na verdade é como o tráfico é sorrateiro e age em todo o Brasil maleficamente, coletando cada  vez mais crianças e fazendo com o que o comércio de qualquer tipo de droga seja chamativo, principalmente na questão financeira. Tampa-se o sol com a paneira sempre, filmes famosos como Tropa de Elite (2007) e Cidade de Deus (2002) retrataram essa realidade, e é visível o envolvimento e o consentimento da classe alta e política em tudo isso, pois a mesma não se importa em destruir vidas em troca de seu bem estar e de sua manutenção no poder.

O álbum continuado politizado com a faixa Dança do Desempregado, um sambinha, aquela marotagem escancarada no sarcasmo falando da dificuldade do povo brasileiro. Mais uma canção que se encaixa perfeitamente nos dias de hoje, e lembrem-se meus queridos ta chegando mais uma eleição presidencial, vamos com calma, sem fanatismo político pois os anos estão passando e nós estamos cada vez mais sendo ludibriados por engravatados que prometem mundos e fundos. Então ficam atentos aos debates, as propostas, procurem informações sobre a ficha de cada candidato e o que ele fez até hoje como político. Ah, não posso esquecer de citar, nos períodos da minha vida em que estive desempregado minha mãe sempre fez questão de cantar essa música pra mim (e pior que é verdade hahaha).

Voltando a falar de participações, temos Evandro Mesquita na faixa Eu e a Tábua, um reggae bacana e que traz um dos refrões mais famosos da década de 80: “Estou a dois passos do paraíso”. Não que eu seja fã da Blitz, foi uma banda pioneira no movimento pop/rock que domnou nosso país nos anos 80, mas se viu fadada a fazer discos iguais ao primeiro,e ai a coisa foi ficando sem graça, pelo menos na minha opinião. E temos outra participação muito bacana, que é de Jorge Tito, rapper amigo de Pensador que já tinha participado do disco de 1995 com a faixa FDP. Em Quebra Cabeça ele faz dueto com Gabriel na faixa En La Casa. Vai um protesto ai!?

Mudando um pouco de tema temos 2345MEIA78, confesso que hoje ouço ela e sinto uma conotação machista – mas nem de longe se compara ao que é dito hoje em músicas do sertanejo universitário ou mesmo do funk – , mas o lado legal é você hoje ouvir a música e lembrar como era o mundo antes de determinadas tecnologias. Ele cita na música itens como: caderninho, fichas, orelhão e lista telefônica. Sim meus caros, os anos 90 também foram inesquecíveis. Claro que eu eu era muito jovem na época do lançamento do disco e fui ter contato com o trabalho do Pensador muitos anos depois, e me tornei admirador da sua obra, passando a acompanhar sua carreira.

Antes de terminar essa matéria que fiz com uma satisfação imensa – mesmo porque já fui num show do Gabriel O Pensador, curti do início ao fim e vi o quanto o cantor e compositor é humilde e inteligente – vou falar sobre uma das canções mais geniais e emblemáticas do cantor, Festa da Música. O cara conseguiu uma tremenda homenagem aos grandes ícones da música brasileira, passando por todos os estilos com insights de grandes sucessos e com o bom humor de Gabriel para sacanear as peças raras de música Tupiniquim. Se você caro leitor nunca ouviu essa faixa, ouça, dá pra cantar junto, dançar e claro, se divertir com todo o contexto da letra, Gabriel O Pensador é um gênio.

Bom galera, eu vou ficando por aqui e espero que vocês tenham gostado da matéria. Queremos cada vez mais trazer estilos musicais diferentes aqui pro nosso site, a música é algo vital para mim e acredito que para vocês também, independentemente do estilo que cada um gosta, vivemos pela música e queremos cada ver mais ter pessoas como a gente por aqui. Valew pessoal, até a próxima.

 

Faixas do Disco

1 –  Pátria Que Me Pariu

2 – 2345MEIA78

3 – Cachimbo da Paz

4 –  Sem Saúde

5 – Pra Onde Vai?

6 – En La Casa

7 – + 1 Dose

8 – Dança do Desempregado

9 – Eu e a Tábua

10 – Bala Perdida

11 – Festa da Música

12 – O Sopro da Cigarra

Ouça o álbum Quebra Cabeça na íntegra!