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Iron Maiden – The Number Of The Beast (1982)

Iron Maiden – The Number Of the beast (1982)

Fala galera do A História do Disco! Denis Borges na área para a segunda matéria daquela série que comecei a fazer sobre um disco para cada ano vivido até agora. Série, a propósito, que ainda não dei nome. Mas o fato é que entramos no ano de 1982 e como ocorrido com o ano de 1981, 1982 é um ano muito farto de boa música e bons discos. Escolhi a banda por seu significado no rock, mais precisamente para o heavy metal, e também por ser um disco muito bom e de grande importância na longa e vitoriosa carreira desses caras. Hoje, caros leitores, falarei sobre o Iron Maiden, mais precisamente sobre seu terceiro disco de estúdio, The Number Of The Beast. É amigos, puta responsa!!  Assistindo uma entrevista de um jornalista e apresentador esportivo, o Benja, da Fox Sports, ele que é fã incondicional do Iron Maiden faz uma descrição da banda que achei muito própria e vou “roubar” suas palavras para ilustrar essa resenha. Segundo o Benja: “O Iron Maiden não é uma banda é uma seita”, claro que no bom sentido da palavra, vamos deixar bem claro porque o politicamente correto é onipresente e onisciente, vai que, né…Enfim, essa sempre foi uma questão que pairava em minha cabeça, esse fanatismo, essa devoção pela banda. Por não ser fã da banda sempre tive essa e outras curiosidades que hoje consigo compreender.

iron maiden

O Iron Maiden é uma banda britânica e foi formada em 1975 pelo baixista Steve Harris. Seu nome é baseado no livro de Alexandre Dumas, O Homem da Máscara de Ferro. Aqui está um ponto desconhecido por mim, Harris é o cara do Iron Maiden, não o mais conhecido, talvez não o melhor instrumentista, mas é o cara que além de idealizar e fundar a banda é quem “segura o piano”, parafraseando o futebol, é o motorzinho do time, aquele volante que cobre o lateral direito, o esquerdo, desarma no meio e ainda sabe sair jogando com a bola no pé. Esse é um dos fatos que desconhecia, pra mim o Iron Maiden era Bruce Dickinson e mais 10.

Antes da entrada de Dickinson o Iron Maiden, de Harris, passou por algumas mudanças até encontrar o vocalista dos seus dois primeiros discos, Paul Di’Anno. Com Di’Anno o Iron Maiden lançou seus dois primeiros discos: o homônimo Iron Maiden (1980) e Killers (1981). Particularmente gosto dos dois, mas sinto aquela sensação – por conhecer o que vem depois – de que falta algo, e esse algo vem em 1982. Di’Anno era um cara problemático e ficava ainda mais com o abuso do álcool e cocaína, esses problemas quase sempre traziam algum tipo de prejuízo para a banda, como quando o vocalista quase estragou o começo da então parceria da banda com seu manager, Rod Smallwood, Di’Anno foi preso antes do show que Smallwood estava na platéia para assistir. Para não perderem a oportunidade de serem agenciados, Harris tocou e cantou aquele dia. Com o passar do tempo Harris sabia que com Di’Anno na banda eles jamais chegariam onde ele sabia que o Iron Maiden poderia chegar, no topo.

paul bruce dickinson 

Depois de vários shows cancelados na Alemanha – Di’Anno resolveu entrar em modo zumbi – Harris toma a decisão de tirá-lo da banda. Foi então que em novembro de 1981, Bruce Dickinson fez o seu primeiro show pelo Maiden em Londres. A ida de Bruce para o Maiden é digna a negociação de um jogador de futebol. Bruce era vocalista do Samson e como todos os membros do grupo, tinha um contrato com seus empresários, uma multa caso resolvesse abandonar o barco. O caso é que Bruce sabia que era feito para o Iron Maiden e vice e versa, tinham só um pequeno entrave, a tal multa rescisória era muito alta para Dickinson, aí entra em cena o manager do Iron Maiden, Rod Smallwood. Sabendo do que poderia acontecer caso Bruce entrasse no Iron, ele negocia com os empresários do Samson e literalmente comprou o passe de Bruce com a condição do vocalista um dia, em épocas de vacas gordas, pagar o empresário. Bruce mesmo sabendo do alto valor a ser pago, não pensa duas vezes e aceita a oferta. Bom, o resto da história todos nós sabemos.

The Number of the beast (1982)

The Number Of The Best é o terceiro álbum de estúdio do Iron Maiden, o primeiro com Bruce Dickinson no vocal e o último com Clive Burr (baterista) que foi substituído por Nicko McBrain. Posso dizer que The Number Of The Best foi o trabalho mais importante para a banda e um marco para o heavy metal mundial. A guinada positiva que o Maiden deu com a entrada de Dickinson foi notoriamente sentida, usando a presença de palco e o grande alcance de voz que seu novo frontman possuía e ainda possui, Harris finalmente pode levar a banda onde ele sempre imaginou que seria o seu lugar. Musicalmente falando Bruce mesmo estando a pouco tempo com a banda contribuiu para a criação de três faixas – mesmo não levando os créditos por isso – “Children Of The Damned”, “The Prisoner” e o sucesso “Run To The Hills”. E através do single “Run To The Hills”, primeiro single tocado nas rádios, o Iron Maiden alcança o top 10 de diversas paradas, alçando a banda a lugares inimagináveis até então. Outro mega sucesso ou talvez o maior sucesso da banda é a música que leva o nome do álbum, The Number Of The Beast. Sua introdução tirada do livro de Apocalipse soa como uma oração para os fãs da banda. Claro que a música geraria polêmica com os grupos religiosos conservadores da época, eles acusavam a banda de serem satanistas. Polêmicas à parte, musicalmente falando “The Number Of The Beast” é tudo aquilo que Harris deve ter pensado em fazer um dia com a banda. Outra música que alcançou muito sucesso entre os fãs é “Hallowed Be Thy Name”, nela Dickinson se supera no que faz de melhor , soltar a voz. A maioria das músicas possuem curiosidades interessantes que o rapaz aqui que vos escreve desconhecia totalmente . “Children Of The Damned” foi inspirada nos filmes “A Aldeia dos Amaldiçoados ” (lançado em 1960 e dirigido pelo alemão Wolf Rilla) e sua continuação, “A Estirpe dos Malditos” (1964, dirigido por Anton Leader) e também em “Children Of The Sea”, clássico do Black Sabbath. “22 Acacia Avenue” faz parte de uma trilogia de músicas que começou no primeiro disco da banda com a música “Charlotte The Harlot”, ela conta a saga de uma prostituta de nome Charlotte , o final dessa história se daria somente em “From Here To Eternity”, presente no álbum “Fear Of The Dark” (1992).

The Number Of The Beast fez o Iron Maiden tornar-se uma engrenagem perfeita. O casamento entre Bruce Dickinson  – apesar de seus futuros altos e baixos – foi uma das melhores uniões musicais que conheci. A importância para o rock, para o heavy metal, para a música numa forma em geral é imensa. Mesmo eu, um não fã da banda reconheço isso facilmente. O gosto de fazer essa série de resenhas a qual me prontifiquei, é fazer isso, conhecer bandas, bandas tão grandes e famosas como o Iron Maiden, mas que sempre tive um pé atrás de aprofundar o conhecimento sobre. Após essa resenha o meu respeito pelo Iron só aumentou, musicalmente falando não tenho nem o que argumentar contra, sempre assistia aos shows nos Rock In Rio da vida e acho a entrega dos caras no palco fantástica! Agora consigo entender porquê não é uma banda e sim uma seita.

Galera, vou ficando por aqui. Espero que vocês tenham gostado, particularmente eu gostei bastante. Espero também não ter falado, novamente, tanta bobagem, sei do enorme fã clube que a banda possui. Uma menção honrosa ao Eddie, como falar sobre o Iron Maiden e não falar de seu mascote? A capa do The Number Of The Beast é fenomenal! Eu, como leitor de quadrinhos sempre gostei do Eddie, dos seus traços. A capa desse disco tem a assinatura de Derek Riggs, ela foi originalmente criada para o single “Purgatory” presente no álbum anterior, “Killers, mas por ser emblemática o manager da banda preferiu guardá-la para algo maior. Será que ele estava errado? Agora realmente me despeço, espero vocês na próxima matéria onde falaremos do ano de 1983. Até lá, abraços!

Discos de 1982 que possivelmente falaria:

Plastic Surgery Disasters – Dead Kennedys

Tug Of War – Paul McCartney

Rio – Duran Duran

Asia – Asia

Faixas do Disco

1 –  Invaders

2 – Children Of The Damned

3 – The Prisoner

4 –  22 Acacia Avenue

5 – The Number Of The Beast

6 – Run To The Hills

7 – Gangland

8 – Hallowed Be Thy Name

Ouça o álbum The Number Of The Best na íntegra!

2 thoughts on “Iron Maiden – The Number Of The Beast (1982)

  1. Não, não considero TNOTB o melhor disco do Iron Maiden por que eu gosto mais do Powerslave (de 1984), que marcou o auge da banda. Resenha totalmente compreensível sobre o disco, só ficou faltando falar da faixa-bônus “Total Eclipse” (que entrou nas edições remasterizadas de TNOTB) e dos bastidores na época de sua gravação (incluindo aquela famosa história em que o produtor Martin Birch sofreu um acidente de carro e que teve que pagar 666 libras para o conserto). De qualquer modo, parabéns a quem resenhou TNOTB aqui no site.

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