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Pearl Jam – Gigaton (2020)

Pearl Jam –  gigaton (2020)

Fala galera do A História do Disco! Como vocês estão nesses tempos estranhos, onde um vírus mudou a vida de todo um planeta? Espero que estejam todos seguros e bem. Em tempos como esse gostaria de ser um Renato Russo ou um Eddie Vedder e colocar todas as minhas angústias e anseios em letras e versos, mas como não faço parte desse time de pessoas especiais, venho aqui escrever para vocês – e para mim também – sobre mais um disco. Dessa forma alivio toda tensão que subconscientemente aflige-me em tempos de incertezas.

Para os que não me conhecem, sou o Denis Borges e estou escrevendo uma série de resenhas inspiradas nos meus anos de vida, nasci em 1981 estou fazendo uma resenha para cada ano de vida, essa seria a resenha do ano de 1986, disse seria porque sem perceber estava escrevendo uma resenha de um disco de 1987. Como meu processo de escrita envolve algum tipo de pesquisa, não me vejo apto para falar de algum disco de 1986 sem prévio conhecimento histórico e técnico, por isso e exatamente por isso – aqui é uma mentirinha leve – vou escrever sobre um disco que ando escutando bastante nos últimos dez, doze dias.

Entre meus amigos resenhistas do site sou conhecido como o Menino Grunge, acredito que não preciso explicar o porquê, mas a título de esclarecimento, grunge foi um movimento dado ao nome das bandas vindas de Seattle no final dos anos 80, início dos anos 90. Por ser um apreciador de todas essas bandas ganhei tal apelido, e para conseguir escrever algo para o site sem ao menos fazer uma previa pesquisa resolvi falar sobre o mais novo disco do Pearl Jam, banda de Seattle, lançado no dia 27 de março, Gigaton. O álbum já está disponível em todas as plataformas de streaming existentes.

gigaton – 2020

Gigaton é o primeiro trabalho de inéditas do Pearl Jam desde Lightning Bolt (2013), então temos um período sabático aí de sete anos. Para os fãs da banda – me incluo nesse grupo – foi um longo e angustiante período de espera. Gigaton é o primeiro disco de uma das bandas mais longevas em atividade do rock mundial. Relato isso porque uma das coisas que mais me chamaram a atenção em relação a esse disco foi a solida ação de marketing realizada sobre o álbum. O Pearl Jam ainda não tinha lançado nada nesse mais novo modelo de divulgação musical. Para nós compradores de vinil e posteriormente cd’s, escutar o novo álbum da nossa banda preferida à 0h01 de um dia especificado sem ao menos ir a uma loja física para garantir uma unidade física seja vinil ou cd é muito estranho para não escrever outra coisa. Desde o lançamento do primeiro single do novo álbum, Dance Of The Clairvoyants a banda faz um tipo diferente de divulgação. Com Dance Of The Clairvoyants foram lançados três clipes diferentes, sempre sobre a temática de conscientização e degradação do nosso meio ambiente, e em SuperBlood WolfMoon foi lançado um projeto de tecnologia de realidade aumentada. Por meio de um aplicativo, os fãs deveriam encontrar, com a ajuda da câmera do celular, a lua. Ao identificar a imagem do satélite natural, a plataforma direcionava para uma prévia da canção, além de oferecer a pré-venda do álbum. Esse tipo de ação feita por uma banda com quase 30 anos de estrada me chamou muito atenção, foi uma criativa forma de atrair os holofotes para algo que muita gente já esteva esperando há muito tempo. Outra ação massiva são os vários clipes que foram lançados, é sabido por todos que o Pearl Jam é uma banda avessa a vídeoclipes.

sobre o disco

Como disse anteriormente, o primeiro single a ser lançado pela banda foi “Dance Of The Clairvoyants”. Para ser sincero com vocês, à primeira “escutada” soou meio estranho, não ruim, estranho, era o PJ saindo da casinha. Baixão do Ament marcando o passo, bateria eletrônica, teclados, sintetizadores? Eddie cantando de uma forma diferente. Para muita gente – para mim também – me lembrou anos 80, Talking Heads, uma sonoridade bem diferente. Depois desse começo muitas coisas eram pensadas sobre o novo trabalho da banda. “Superblood Wolfmoon”, o segundo single a ser lançado, é mais Pearl Jam, a guitarra do Stone, o solo fodástico do Mike, os vocais do Vedder mais “normais” estão todos ali, essa é PJ sendo PJ, mas de uma forma boa, revigorante, pra cima. Em “Quick Escape” encontro a melhor música da banda em anos, uma letra dentro da temática do álbum, vocais perfeitos, rola até falsete do Vedder. Baixão presente, guitarras alucinantes, realmente alucinantes meio Led Zeppelin, o que mais me chama a atenção é a bateria do Matt no final da música em conjunto com os solos do Mike, que porradaria meus amigos!!! Em minha opinião a melhor música do Pearl Jam em anos!!

Após a análise mais minuciosa dos três primeiros singles farei uma análise mais superficial e pessoal faixa a faixa. Sabe aquele “achômetro” que todos temos? Então, seguirei por ele, mais emoção do que razão, afinal escutei o álbum no máximo umas 20 vezes, mas ainda estou aprendendo sobre, então o que escreverei serão as minhas impressões mais marcantes. A primeira faixa do álbum é “Who Ever Said”, após um começo diferente com “Dance Of The Clairvoyants” muito se especulou sobre como seria o disco. Posso dizer que o começo do disco é mais parecido com o Pearl Jam das antigas do que o Pearl Jam de “Dance Of The Clairvoyants”, a pegada, a levada, estão todas ali, mas alguns elementos eletrônicos também estão, coisas meio que imperceptíveis, mas que nunca estiveram ali agora estão, ótima abertura de disco. Em seguida vem “Superblood Wolfmoon” mais uma música com pegada de Pearl Jam, guitarras, solo fenomenal do Mike, etc. e tal, show de bola; “Dance Of The Clairvoyants” causou estranheza nas primeiras audições, mas hoje depois de escutar diversas vezes o álbum ela soa muito bem para uma banda que não precisaria sair da sua casinha para agradar ninguém; como disse anteriormente “Quick Escape”, para mim, é a cereja do bolo. Pegada alucinante, guitarras, baixo, bateria e Vedder mandando muito bem, a melhor do álbum e de anos. “Alright” é uma linda balada, sua introdução me lembra algo de Radiohead – lembrando que estou dando minhas primeiras opiniões – o teclado marcando o começo, a entonação do Eddie, depois analisando a letra chego à conclusão que é uma bela canção. “Seven O’Clock” mais uma bela balada com uma letra bem interessante e totalmente dentro do contexto do álbum. “Never Destination” e “Take The Long Way” segue Who Ever Said e Superblood Wolfmoon, PJ sendo PJ sem os tecladinhos. Em “Buckle Up” o álbum desacelera, mas gosto dessa sonoridade mais lenta, intimista e experimental. Em “Come Then Goes” temos aquela junção perfeita em voz de Vedder + violão, me lembra algo de Johnny Cash, mais outra bela canção. “Retrograde” é mais uma combinação de voz/violão com uma pegada mais folk que o Pearl Jam já vem fazendo faz um tempo. Para finalizar o álbum “River Cross” uma balada cheia de experimentalismo fecha muito bem o álbum.

Gigaton é o melhor Pearl Jam desde Binaural (2000), começa forte, um pouco diferente em relação à sonoridade, atravessa duas belas baladas, tem um mais do mesmo do meio para o final e finaliza muito bem. Encontramos um trabalho musical bem elaborado, com alguns ingredientes que não havíamos visto em álbuns anteriores, uma pegada musical que talvez uma banda com quase 30 anos de estrada não se sentiria necessitada a ter.

Como fã minha opinião sobre o disco só tem crescido ao longo do tempo e das “escutadas”, talvez se me perguntarem sobre o Gigaton daqui há um mês minha opinião tenha mudado em relação a algumas músicas. Gigaton não é o melhor álbum que o Pearl Jam já fez, mas é o melhor que o Pearl Jam pode entregar hoje. Fico feliz e satisfeito com isso. Lembrando às viúvas de Ten/Vs/Vitology que os tempos são outros, os integrantes já não são o que eram há 25, 30 atrás, então não há o porquê terem a mesma sonoridade.

Galera, vou ficando por aqui, peço a todos que sigam firmes e fortes, sigam estritamente as recomendações da OMS #FiqueEmCasa #StayHome, e se tiver que trabalhar as palavras são: cuidado e prevenção. Aos de fé confiem naquilo que acreditam, aos céticos, confiem na ciência e a todos nós saúde e paz. Um grande abraço e até a próxima resenha aqui no A História do Disco!

Faixas do Disco

1 – Who Ever Said

2 – Superblood Wolfmoon

3 – Dance Of The Clairvoyants

4 – Quick Scape

5 – Alright

6 – Seven O’Clock

7 – Never Destination

8 – Take The Long Way

9 – Buckle Up

10 – Come Then Goes

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Linkin Park – Minutes To Midnight (2007)

linkin park –  minutes to midnight (2007)

Olá pessoal que é fã do site A História do Disco, Bruno Machado na área para mais uma matéria. Infelizmente eu consegui um tempo para escrever aqui no AHD por conta de uma pandemia que atingiu o mundo inteiro, confesso que não era nessa situação que eu queria estar voltando a escrever, porém, com essa oportunidade resolvi abordar um dos discos que pra mim foi um dos melhores dá década passada e que transformou completamente uma banda que sempre teve um enorme potencial. Hoje na AHD temos o álbum Minutes to Midnight do Linkin Park.

No ano de 2017 após a morte do vocalista da banda, Chester Bennington, nós do AHD fizemos um programa especial na rádio Planeta Verde FM falando sobre o álbum Meteora, o segundo de estúdio gravado pela banda. No mesmo nós citamos tanto o talento de Chester, como o crescimento avassalador da banda com o passar dos anos. Agora bora falar um pouco sobre o terceiro álbum de estúdio do Linkin Park.

Lançado no ano de 2007 o álbum Minutes To Midnight começa assim como os anteriores, com uma música instrumental, como se fosse uma introdução para a segunda faixa do disco. Particularmente, Wake é uma das canções mais impactantes em relação ao citado anteriormente, é um clímax extraordinário e faz com que sua imaginação flua a ponto de não sabe realmente como será o restante das faixas. Em seguida temos, Given Up, ai sim a banda vem com toda aquela agressividade dos álbuns anteriores, e Chester Bennington não abre mão dos “berros”, Isso vale também para a canção Bleed It Out, que ganha contraste como sempre notável do rapper e também produtor – junto a Rick Rubin – desse álbum, Mike Shinoda. Pra quem não conhece, Rick Rubin é um produtor extremamente conceituado e já produziu Beastie Boys, Red Hot Chilli Peppers, Audioslave, System Of A Down, entre muitos outros grupos e cantores monstruosos.

Antes de continuar falando das músicas, vou apresentar o restante do grupo, já que citei os vocalistas no parágrafo anterior. Rob Bourdon na bateria, Joe Han no toca discos, Brad Delson na guitarra e Phoenix no baixo. Continuando a falar das faixas, temos Leave Out All The Rest, que aliás foi a primeira música de trabalho do disco e que ganhou um belo videoclipe para sua divulgação.

Seguindo o disco temos, Shadow Of The Day e What I’ve Done. As duas músicas são excelentes, a primeira é algo mais calmo e que pode nos fazer refletir um pouco sobre a vida, o videoclipe de Shadow Of The Day nos traz isso também, aliás, ele ganhou o prêmio de melhor clipe de rock no VMA 2008. Já What I’ve Done mostra novamente a força da banda, talvez seja a principal faixa do álbum, e ela ainda foi a canção original do filme Tranformers (MIchael Bay, 2007), e também conta com um super videoclipe que é um verdadeiro tapa na cara da sociedade.

Analisando a discografia do Linkin Park, nesse terceiro álbum de estúdio fica evidente que Chester já estava preferindo gritar menos e querendo mostrar mais o potencial da sua voz. É claro, há faixas em Minutes To Midnight que ele ainda faz uso do screamo, em Given Up, Bleed It Out e No More Sorrow por exemplo, porém, no restante do álbum faz se ouvir mais o belo timbre do vocalista em contraste com o de Mike Shinoda. Nos discos posteriores além dessa escolha do vocalista, aparentemente a banda o rock mais cru e começa a preferir batidas mais eletrônicas, a mescla de tudo isso rendeu outros tantos sucessos e mais duas músicas que foram tema para a franquia Transformes: New Divide (Transformes – A Vingança dos Derrotados, Michael Bay, 2009), e Iridescente (Transformes – O Lado Oculto da Lua, Michael Bay,2011).

No encarte do álbum há um parágrafo explicando um pouco de cada canção, se eu colocasse todos aqui a matéria ficaria muito extensa, o que mais me chamou a atenção foi de Hands Held High, onde é citado como a banda trocou ideias com Rick Rubin e como o mesmo inspirou Mike Shinoda tanto no piano quanto na composição. Aliás, o produtor, compositor, multi-instrumentista e cantor é quem interpreta Hands Held High do começo ao fim, contando com o backing vocal de Chester Bennington.

Como citei anteriormente, Minutes To Midnight traz uma proposta diferente dos dois primeiros álbuns de estúdio do Linkin Park, mas nem por isso deixa de trazer consigo o que consagrou a banda no início da carreira, ou seja, eles surfaram numa nova onda musical mas não deixaram a sua essência para trás. Ainda assim, acredito que foi a partir dessa experiência que o grupo decidiu ser mais “leve” nos discos posteriores, mas é claro, sem perder a qualidade e a identidade, pelo menos na minha humilde opinião.

Finalizando temos, Valentine’s Day e In Pieces, pra mim, gratas surpresas no fim do álbum, uma começa com um dedilhado na guitarra e outra com marcação no teclado, no meio as duas inflamam e o clímax é excepcional. Para os mais velhinhos que entendem muito bem o conceito de Lado A e Lado B, Minutes To Midnight parece na verdade ter apenas um lado, um super lado que pode pegar alguém que nunca ouviu a banda e falar: caraca, o som dos caras não é só gritaria não.

Bom meus queridos, espero que vocês tenham gostado da matéria, que tenham curtido comigo essa pequena viagem no tempo, que ouçam o álbum inteiro e que tirem suas próprias conclusões, é claro. Ah outra coisa, se eu não fizesse uma matéria sobre esse álbum, com certeza escreveria sobre o último da banda, One More Light, apesar de ser uma despedida de Chester Bennington aos fãs é um dos discos mais lindos que eu já ouvi na minha vida. Obrigado mais uma vez pessoal, e até a próxima 😉

 

 

Faixas do Disco

1 – Wake

2 – Given Up

3 – Leave Out All The Rest

4 – Bleed It Out

5 – Shadow Of The Day

6 – What I’ve Done

7 – Hand Held High

8 – No More Sorrow

9 – Valentine’s Day

10 – In Between

11 – In Pieces

12 – The Little Things Give You Away

 

Confira o videoclipe da faixa Shadow Of The Day

Ouça o álbum Minutes to Midnight na íntegra

 

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Mr Big – Lean Into It (1991)

mr big –  Lean into it (1991)

Salve salve galera pessoal que curte o site  A História do Disco, aqui estou, Bruno Machado para mais uma matéria, depois de um longo tempo sem escrever aqui me veio a ideia de trazer uma banda que eu sempre conheci mas não afundo, passei a ouvir mais músicas dela a partir do momento que fui pai. Sim meus caros, eu me tornei pai no início de 2019 e meu filho dorme ouvindo músicas e vendo videoclipes no Youtube, e foi com ele que eu aprendi a apreciar ainda mais a banda Mr. Big. A partir daí fui pesquisar a discografia do conjunto e descobri um dos melhores álbuns – se não o melhor – deles foi lançado em 1991, ano em que esse que vos escreve nasceu. Aliás, todos sabemos que em 1991 foram lançados vários discos muito fodas como Nervemind do Nirvana e Ten do Pearl Jam, ambos já passaram aqui pela AHD inclusive, então bora fazer aquela viagem gostosa no tempo!?

Como citei no parágrafo acima, eu nasci em 1991, e por isso vou citar alguns acontecimentos muito legais que aconteceram nesse ano antes mesmo de chegar ao Mr. Big, para provar para vocês meu caros leitores que grandes coisas aconteceram nesse determinado ano, e olha, a arte em si agradeceu e muito. Após citar Nirvana e Pearl Jam, vale citar que o disco de maior sucesso do R.E.M também foi lançado em 1991, o Out Of Time. Já no cinema tivemos a estreia de The Silence Of Lambs (O Silêncio dos Inocentes, direção de Jonathan Demme), primeiro filme da saga Hannibal, e a produtora Walt Disney Studios lançava no mesmo ano um de seus títulos de maior sucesso: A Bela e a Fera. Agora pra você aí que curtiu muito a infância assim como eu, olha só os clássicos que estrearam na TV em 91: Família Dinossauros e Doug (na gringa é claro) e Glub Glub e Mundo da Lua (estes aqui no Brasil mesmo). Para os nerd’s de plantão eu mando essa: o Super Nintendo foi lançado em 23 de Agosto e logo em seguida a SEGA lançou o Sonic para concorrer diretamente com o Mario World. Por último, mas não menos importante, em 24 de Novembro a música perdia um dos ser maiores intérpretes – se não o maior – Freddie Mercury. Agora sim, depois desse resumo super bacana sobre 1991, vamos falar do Mr. Big e desse álbum fabuloso denominado Lean InTo It.

A primeira que eu queria citar é que ao ouvir o álbum todo parecia que eu estava ouvindo algum disco do Van Halen, não que isso seja ruim, muito pelo contrário. Mas acredito que essa impressão é devido ao leve grau de semelhança entre a voz Eric Martin e Sammy Hagar. Mesmo porquê a qualidade instrumental do Mr. Big é tão monstruosa quanto a do Van Halen (a banda toda não só a Van Halen tá pessoal? hahaha). O álbum começa com a faixa Daddy, Brother, Lover, Little Boy. Batera constante e riff de guitarra eletrizante dão o tom do que seria o restante do disco. Os vocalizes também são de cair o queixo viu!? E o entrosamento de Paul Gilbert e Billy Sheehan também parece ser fora do comum, como é bom ouvir uma banda que beira a perfeição.

A pegada hard rock continua com a faixa Alive And Kickin’, o legal nessa faixa é que rola um certo flerte com o country music por conta de toda a habilidade de Paul Gilbert, dando um timbre diferenciado à sua guitarra. E antes que eu me esqueça, a moda nessa época era o cabelo cumpridão, então pra confundir uma banda com outra era uma facilidade enorme, segue uma mini lista de bandas em que todos os integrantes usavam cabelo cumprido: Skid Row, Bon Jovi, Europe, Metallica, Iron Maiden, Whitesnake e Guns N Roses. Já me retratando, eu escrevi confundir no sentido da fisionomia ta pessoal, e não na sonoridade, mas convenhamos que todas as bandas citadas nessa lista tinham – e algumas ainda tem – uma qualidade enorme.

Continuando a falar das faixas temos, Green-Tinted Sixties Mind, que pra mim é uma das canções mais fodas do álbum. Conta com um instrumental absurdo, backing vocals poderosos, levada pop e refrão chiclete. Uma combinação perfeita que fez com que a música se tornasse uma das mais famosas do Mr Big. Em seguida temos mais balada que engana bem em seu início, CDFF – Luck This Time, o destaque é a guitarra dedilhadinha, música muito gostosa de se ouvir.

Em Voodoo Kiss temos mais uma vez Paul Gilbert flertando com o country e posteriormente toda a banda entrando num riff  pesado e com uma bela distorção. Posteriormente temos Never Say Never, tome-lhe riff foda pra você que gosta do singular timbre de uma guitarra. E depois chegamos a faixa Just Take My Heart, mais uma balada e claro, mais um grande sucesso do Mr. Big que ganhou destaque e também videoclipe, assim como as faixas Green-Tinted Sixties Mind e Alive And Kickin’.

O meu último destaque em relação ao disco Lean To It é a canção mais conhecida do Mr. Big, essa que eu aliás destaque no início da matéria pois meu filho já dormiu várias e várias vezes ouvindo ela: To Be With You. A mesma é a última faixa do disco, e é acústica. O videoclipe começa em preto e branco e na parte em que todos os guitarristas gostam – no solo é claro, – o clipe ganha cor. Acredito que a grande maioria das pessoas conhece o Mr. Big apenas por conta dessa música, e confesso que eu conhecia apenas ela e a canção Take Over que meu amigo Cleiton Bezinho, antigo parceiro de banda, me apresentou. A história mudou quando eu me tornei pai e tinha que criar hábitos para que meu filho dormisse, ao invés de optar pela Galinha Pintadinha, eu preferi escolher videoclipes no Youtube, a partir daí meu filho começou a se apaixonar por música e eu conheci um pouco mais sobre o Mr. Big. Com tudo isso veio a vontade de pesquisar mais sobre a banda e escolher um determinado álbum para trazer aqui para o AHD. 

Bom pessoal, por hoje é só, espero que vocês tenham gostado da matéria, de todas as informações referentes ao ano de 1991 e também das faixas desse grande disco do Mr. Big, até a próxima 😉

Faixas do Disco

1 –  Daddy, Brother, Lover, Little Boy

2 – Alive And Kickin’

3 – Green-Tinted Sixties Mind

4 – CDFF – Lucky This Time

5 – Voodoo Kiss

6 – Never Say Never

7 – Just Take My Heart

8 – My Kind Woman

9 – A Little To Loose

10 – Road To Ruin

11 – To Be With You

Confira o videoclipe da faixa Green-Tinted Sixties Mind

E por quê não matar saudade do videoclipe de Be With You!?

Infelizmente não encontramos link no Youtube com o álbum na íntegra, porém você pode

encontrar o mesmo em plataformas como Spotify e Deezer!

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Tears For Fears – Songs From the Big Chair (1985)

tears for fears – songs from the big chair  (1985)

Fala galera do A História do Disco, cá estamos nós para mais uma resenha! Hoje falaremos sobre o ano de 1985, um ano muito bom para se escolher um disco, diversidade é uma palavra que podemos utilizar para simplificar esse ano. Tivemos pop, hip hop, heavy metal, rock nacional, discos dos mais diversos e variados estilos que conhecemos. Apesar dessa vasta variedade sonora, 1985 foi um ano que não tive problemas em escolher o disco. Usarei o lado sentimental para tal escolha. Foi aquele lance de bater o olho e falar: é esse e ponto. Uma banda que afetivamente sempre esteve presente em minha vida desde os primórdios, aquela que junto com os Beatles e algumas outras sempre estiveram na vitrola. Pois bem, falaremos hoje sobre a banda Tears For Fears e, mais precisamente, sobre seu segundo disco Songs From the Big Chair (1985). Definitivamente o maior sucesso da carreira dessa singular banda, poderíamos dizer também, deste dueto formado por Roland Orzabal (vocal/guitarra) e Curt Smith (vocal/baixo).

sobre a banda

Orzabal e Smith se conheceram ainda adolescentes e participaram de outras duas bandas antes de finalmente criarem o Tears for Fears, ambos participaram como músicos auxiliares da banda Neon. O primeiro disco profissional da dupla veio em 1980 com a banda Graduate. Em 1981 Orzabal e Smith decidem criar o Tears for Fears, o nome da banda faz alusão ao método de terapia que o psicanalista americano Arthur Janov desenvolveu, Arthur ficou famoso por ter John Lennon como seu paciente, já o estilo musical ao qual o Tears for Fears era rotulado chamava-se Synth-pop.

No início da década de 80 com o lançamento dos sintetizadores surgiram diversas bandas que os utilizavam como base para suas composições, já até citei aqui em uma resenha do Rush que a banda surfou muito a onda dos sintetizadores. Mas voltando ao Tears for Fears, a banda teve seu primeiro sucesso no ano de 1982 com a música “Mad World”, no ano seguinte a banda lança seu primeiro disco The Hurting chegando assim ao topo das paradas do Reino Unido e se fazendo escutar no resto do mundo.

Songs From the Big Chair

Lançado em fevereiro de 1985 Songs From the Big Chair teve em “Shout” o single que abriu as portas para o mundo, foi top 5 no Reino Unido e primeiro lugar nos EUA, mas o single que consolidou o Tears for Fears como uma das maiores bandas dos anos 80 foi “Everybory Wants to Rule the World”. “Head Over Heels” e “I Believe” completam a lista de singles que fizeram de Songs From the Big Chair um disco que ficou nas paradas de todo o mundo por mais de um ano. Uma peculiaridade, foi durante a turnê do Songs From the Big Chair que os músicos conheceram a cantora Oleta Adams que futuramente viria a fazer uma participação mais do que especial no disco The Seeds Of Love (1989), na música “Woman In Chains”.

Em Songs From the Big Chair, o Tears For Fears encontrou e refinou o seu estilo único de fazer música, dosando o Synth-pop com uma camada mais sofisticada de instrumentos, transformando essa dosagem em um estilo próprio e destacando a importância que os músicos dão realmente para a transformação harmônica de instrumentos em ótimas músicas. Para darmos uma dimensão da grandiosidade desse disco, a turnê de Songs From the Big Chair terminou somente no ano de 1986, nos dias atuais ficar esse tempo excursionando soa até natural, mas imaginem quase dois anos de excursão pelo mundo em meados dos anos 80? Puxado não? Na verdade, o tempo de turnê mostrou somente o quanto o Tears For Fears evoluiu como banda, alcançando lugares jamais imaginados por Orzabal e Smith. O salto musical dado nesse segundo e, podemos dizer melhor álbum já feito pela banda, foi fundamental para a longa carreira dessa maravilhosa banda que carrego em minhas playlists desde o cassete.

mais sobre o tears

Após uma longa e exaustiva turnê que incluiu muitos shows e participações em festivais e premiações e a produção do terceiro disco um tanto quanto longa, enfim, em 1989 é lançado The Seeds of Love, um bom álbum que rendeu outra mega turnê para o Tears For Fears. Os singles de maiores sucessos foram “Sowing the Seeds of Love” e “Woman in Chains”, esta última conta com participação de Phil Collins na bateria e Oleta Adams, cantora que Orzabal conheceu durante a turnê de Songs From the Big Chair, conforme citado anteriormente nesta resenha.

Em 1991 após um desentendimento entre Orzabal e Smith a banda chega ao fim. Mantendo o nome ainda ativo Orzabal lança em 1992 o single “Ladie So Low” para promover o lançamento da coletânea de melhores sucessos da banda Tears Roll Down (Greatest Hits 82-92). Em 1993 Smith lança seu primeiro álbum solo e Orzabal continua sobre a alcunha de Tears For Fears lança o álbum Elemental e estoura outro single “Break It Down Again”, dessa vez não com o mesmo impacto, mas com força suficiente para fazer mais uma turnê mundial. Em 1995 ainda somente com Orzabal o Tears For Fears lança Raoul and the Kings of Spain, mas dessa vez não consegue atingir o mesmo sucesso dos discos anteriores.

 

Somente em 2004 o Tears For Fears original de Orzabal e Smith lançam um novo disco,  Everybody Loves a Happy Ending. De lá para cá o Tears For Fears tem feito pequenas turnês e apresentações ao redor do mundo. Eles vieram no Rock In Rio em 2017, fazendo um dos melhores e mais aguardados shows daquela edição. Ainda em 2017 eles lançaram a coletânea Rule the World: Greatest Hits com duas canções novas  “I Love You But I’m Lost” e “Stay”, algo que não acontecia desde o disco Everybody Loves a Happy Ending de 2004.

Galera, é isso! Tinha feito uma resenha menor e mais objetiva, mas a pedido do grande Bruno Machado fiz um breve resumo da carreira dessa banda que é mais que singular, insisto nessa palavra pois não encontro banda que ao longo desses quase 40 anos fizeram ou faz música como esses caras. Fico por aqui e logo mais – se meu TCC deixar – estarei com mais uma resenha, agora do ano de 1986. Um grande abraço e nos encontramos aqui no A História do Disco.

Faixas do Disco

1 –  Shout

2 – The Working Hour

3 – Evebody Wants To Rule The World

4 – Mothers Talk

5 – I Believe

6 – Broken

7 – Head Over Heels/Broken

8 – Listen

Infelizmente não encontramos link no Youtube com o álbum na íntegra, porém você pode

encontrar o mesmo em plataformas como Spotify e Deezer!

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Nickelback –  All The Right Reasons (2005)

Nickelback –  All The Right Reasons (2005)

Salve salve galera ligada no A História do Disco, desde já eu Bruno Machado peço desculpas do fundo do meu coração pela demora em relação a novas matérias aqui no site A História do Disco. Seis sabem como é né? Vida corrida pra todo mundo,  mudanças repentinas e surpresas inesperadas fazem com que o nosso tempo fique mais curto. Porém, depois de alguns meses tenho aqui uma matéria fresquinha para vocês que gostam de um bom álbum de rock, ou no caso desse, rock com belas pitadas de pop. Hoje temos aqui no AHD o quinto álbum de estúdio da banda canadense Nickelback!

A banda iniciou suas atividades em 1995, e lançou seu primeiro EP em 1996, posteriormente seria lançado o álbum Curb. Porém, o grupo conseguiu ganhar destaque com o que seria o seu segundo álbum de estúdio, The State, que foi lançado em 1999. Um disco bem mais pegado do que os posteriores da banda inclusive, acredito que os integrantes procuraram se adequar mais ao cenário da época. E já fica aqui uma dica em relação a este disco, ouçam a faixa Leader Of Men, vale muito a pena conferir.

O Nickelback manteve sua formação original até chegar ao álbum que será destaque na matéria de hoje, e os integrantes eram: Chad Kroeger (Voz e Guitarra), Ryan Peake (Voz, Piano e Guitarra), Mike Kroeger (Baixo) e Ryan Vikedal (Bateria). Este último saiu em 2005 e deu lugar ao jovem Daniel Adair, que antes era baterista do 3 Doors Down. Banda essa aliás, que também fez sucesso entre o final dos anos 90 e o começo dos anos 2000, mas sempre trabalhando com canções mais melódicas e de vez em quando aparecia um pouquinho mais de distorção e um flerte com o rock mesmo. Mas chega de enrolação e bora falar do álbum All The Right Reasons.

Ao gravar seu quinto álbum de estúdio e com um novo baterista o grupo resolveu pisar mais no terreno do pop no que do rock, não que isso seja algo ruim, mesmo porque sabemos que várias bandas se transformam e muito com o passar dos anos, nem todas conseguem manter a identidade do primeiro ao último disco. A primeira faixa que ganhou um enorme destaque foi Photograph, alias, eu vi exaustivamente o videoclipe dessa música na saudosa MTV Brasil (oooooh saudade), e claro, a canção teve um sucesso astronômico nas rádios, não só nas brasileiras, mas nas gringas também é claro. E dentro de tudo isso aí vinha o conceito da mudança da musicalidade do grupo canadense. O sucesso continuou com mais uma grande canção pop que também teve uma bela produção de videoclipe, e tome Nickelback nas paradas de sucesso novamente. Na contramão do que eu acabei de escrever acima temos as canções Follow You Home, Fight For All The Wrong Reasons e Animals, as três contam com a distorção comendo na alta, pedal duplo e riffs ferozes. Mas ai você caro leitor vai pensar: pow Brunão mas tu falou que o disco era mais puxado pro pop, meio fora do que os caras já tinham feito e tals! Calma lá galera, a banda pendeu sim mais pra canções radiofônicas do que nos discos anteriores, porém, parte da essência não se perdeu.

Vamos para mais uma prova de que o quinto álbum de estúdio do Nickelback foi incrivelmente bem sucedido. Em 2006 All The Right Reasons  ganhou o AMW (American Music Awards) de melhor disco de pop/rock. E pra reforçar a importância do prêmio vou citar algumas bandas e cantores (as) que já o ganharam: Aerosmith, Eagles, Genesis, Michael Jackson, Whitney Houston, Bee Gees, Bruce Springsteen, Green Day, Santana, entre outros. Na minha visão é uma grande recompensa por todo um trabalho feito em um determinado álbum, e faz com que a banda se sinta capaz de fazer discos melhores, ganhar mais prêmios e colocar seu nome de vez na história da música. É válido citar que em 2006 a banda também ganhou o prêmio de banda/grupo do ano no Billboard Music Award, coincidência ou não, ano posterior ao lançamento do álbum All The Reasons Rights.

Voltando a falar das faixas, Savin’Me (que aliás não é aquela tocava no seriado Smalville, essa se chama Save Me e é interpretada pela banda estadunidense Remy Zero) tem riff bem marcante que já da as caras no início da música, a letra aborda a questão do valor a vida e o que as pessoas podem fazer uma pelas outras. O videoclipe obviamente chegou com sucesso a MTV e foi exibido muitas e muitas vezes, mesmo porque ele é bem interessante e se encaixa muito bem no que a canção quer passar ao ouvinte/espectador. Pulando para mais sucesso deste disco temos Far Away, que balada romântica meus queridos, videoclipe envolvendo um casal no contexto, o homem é bombeiro e a mulher fica angustiada em casa esperando seu amor, chega ser quase tão emocionante como os filmes: Como Eu Era Antes de Você, Um Amor Pra Recordar ou Fluke – Lembranças De Outra Vida. Ta bom ta bom pessoal, sei que agora eu forcei a barra, entretanto é mais uma bela canção desse álbum do NIckelback. Continuamos com emoção e lágrimas em alta com a faixa If You Cared, que fala muito sobre resiliência, sobre caridade, sobre enxergar a necessidade do próximo. Inclusive o videoclipe tem imagens bem chocantes e também imagens que nos fazem refletir, como a de Bob Geldof e de seu evento feito em 1985, o Live Aid.

Partindo para o fim da nossa matéria ainda destaco canções que estão mais pro Lado B do disco: Side Of A Bullet e Someone That You’re With. Um prato pra quem gosta dos álbuns mais antigos da banda, as faixas tem uma pegada mais rock, tem pedal duplo, distorção pesada e riffs bem interessantes. Fechando o álbum temos Rockstar, confesso que não sou muito fã desta música, porém, a mesma ganhou videoclipe e destaque no disco. O Nickelback já veio ao Brasil em 2013, e volta esse ano também no Rock In Rio e em São Paulo, pra quem é fã dos caras, fica caí a dica!

Espero que todos tenham gostado da matéria da hoje, que ouçam o disco e também que curtam os videoclipes citados na matéria de hoje, e também indico ouçam o último disco lançado pelo Nickelback, o Feed The Machine (2017), confesso que ouvi somente algumas faixas e gostei. Até a próxima pessoal =D

Faixas do Disco

1 –  Follow You Home

2 – Fight For All The Wrong Reasons

3 – Photograph

4 – Animals

5 – Savin’ Me

6 – Far Away

7 – Next Contestant

8 – Side Of A Bullet

9 – If Everyone Cared

10 – Somenone That You’re With

11 – Rockstar

Ouça o álbum All The Reasons na íntegra!

Assista ao videoclipe da faixa Photograph

Confira o videoclipe da faixa Savin’Me

 

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The Cranberries – No Need To Argue (1994)

The Cranberries –  No Need To Argue (1994)

Salve salve galera ligada no A História do Disco, Bruno Machado novamente na área pra trazer à vocês mais uma grande banda gringa e também mais um grande álbum dos anos 90, abre teu olho Denis Borges pois eu também amo essa década. Depois de termos várias matérias voltadas para o rock, hoje voltamos ao mundo pop com The Cranberries. O grupo teve seu auge nos anos 90, porém com o sucesso do filme Click (2006) que tem como protagonista o comediante Adam Sandler, o som do grupo voltou à tona. Em determinada parte do filme Sandler se recorda de quando conheceu sua esposa, o fato se passa nos anos 90 e a trilha sonora é um dos maiores sucessos do Cranberries, Linger. Eu até poderia falar do disco da banda que tem essa faixa, entretanto, preferi escolher o segundo álbum de estúdio do grupo, que alias teve 4 singles.

Um dos motivos de eu ter escolhido esse álbum é a canção Zombie, um grande clássico também dos anos 90, tem um videoclipe fenomenal, uma distorção de guitarra bem pesada, uma linha de baixo com aquela palhetada marota – mas é bem dark tb e por último e não menos importante, a maravilhosa voz de Dolores O’Riordan, que infelizmente faleceu em 2018. Pra uma banda que está mais envolvida no pop ou no rock melódico criar uma canção dessa é um desafio enorme, isso vale para bandas como o Kiss por exemplo quando faziam canções mais românticas como Forever, pois é exatamente o oposto do que o grupo está acostumado a fazer. E foi a partir desse desafio que Zombie se tornou a principal faixa desse segundo álbum de estúdio da banda irlandesa, isso mesmo meus queridos, The Cranberries não é uma banda estadunidense.

Vamos agora falar desse álbum que ganha destaque no AHD, ele começa com a belíssima Ode To My Family, uma canção extremamente triste por abordar sentimentos em relação a família, a aceitação em relação ao que se realmente é, e o videoclipe mostra muito isso também, o mesmo é todo em branco e preto assim como o da música Linger, citada acima. Pra mim, Ode To My Family é uma das faixas mais sentimentais que eu já ouvi em minha vida, ao mesmo tempo que ela é doce em sua melodia, há um gosto amargo em relação ao contexto da letra da faixa.

Ainda destacando as faixas temos, I Can’t Be With You, um pop chiclete que tem vários vocalizes em seu refrão, contém aquela fórmula clichê que faz com que você escute várias vezes seguidas só pra cantarolar o refrão. Destaque também para a presença da guitarra de Noel Hogan, que além de guitarrista também escrevia as letras das canções do Cranberries junto com Dolores. A suave voz da vocalista se faz mais presente ainda em Twenty One, uma faixa com um ar bem adolescente, desde o nome da mesma até o contexto da letra, algo bem suave antes da faixa que daria outra cara ao álbum.

Chegamos a grande faixa do álbum, Zombie, se você quer distorção, linha de baixo com palhetada monstra, bateria pegada e uma voz feminina para contrastar com tudo isso, nessa música você encontra tudo isso e muito mais. No videoclipe Dolores toca guitarra, aliás, nas apresentações ao vivo a cantora também fazia questão de assumir o instrumento nessa canção. Confesso que a primeira vez que ouvi Zombie foi na famosa coletânea “As 7 Melhores da Pan”, outra coisa maravilhosa que os anos 90 nos proporcionou, e o mais engraçado é que a versão da música era dance, dá pra acreditar!? O CD tinha uma faixa interativa ainda por cima, o mesma era Um CD ROM também, coisas que a garotada de hoje dificilmente vai entender! Mas é claro que nada chega aos pés da versão original do Cranberries, a canção se tornou uma das maiores da carreira da banda. E é o ponto fora da curva do álbum, que é bem calminho perto da poderosa Zombie.

O álbum em si tem um conceito bem dark como citado nos parágrafos acima, os arranjos das canções são bem executados e sempre com o emponderamento da voz de Dolores, e sim podemos afirmar que essa sempre foi a fórmula mágica do Cranberries para que todos soubessem que determinada música era deles. E isso não é ruim, afinal, nada melhor do que uma banda ter uma identidade, basta você ouvir uma parte da música e já sabe que é Cranberries. Outro fato interessante e que já foi citado lá nos primeiros parágrafos é que a banda é irlandesa e mesmo assim conseguiu aparecer nos mercados mais populares da música mundial: EUA e em todo o Reino Unido. Podemos até dizer que somente o U2, que também veio da Irlanda, conseguiu feitos maiores, e claro, com muito mérito.

Voltando as faixas, Ridiculous Thoughts também merece destaque, começa bem calminha no primeiro minuto, depois vira um pop e depois ganha um ritmo ainda mais frenético do meio para o fim da música. Batera bem quebrada assim como Zombie, e recebe ao fim instrumentos de sopro que engrandecem ainda mais a metamorfose que é a canção em si. É interessante quando você estuda um álbum e conhece uns Lado B que te animam tanto quanto o Lado A, fica ai a dica hein. Voltamos a calmaria com a canção Dreaming My Dreams, violão e voz dão o tom do sossego e ainda temos um violino na parte final para acompanhar o refrão até o fim da música.

Ao ouvir o álbum todo você tem a sensação de que Dolores coloca sua voz e seu coração em todas as canções, é uma das cantoras que carrega mais sentimentos nas suas músicas, pode ser por isso que seus singles foram tão marcantes. Aliás, esses singles voltaram a ser marcantes por conta da morte da vocalista no início de 2018. No ano anterior a banda estava gravando o álbum In The End, o mesmo foi lançado agora em 2019 exatamente um ano após seu falecimento, no dia 15 de Janeiro. Pelas faixas que ouvi do álbum póstumo, o mesmo está muito bom, o Cranberries não perdeu sua essência e a homenagem à vocalista é super válida, pois segundo os integrantes ela estava muito ansiosa para o lançamento de In The End. O álbum aliás já está disponível em plataformas digitais como Youtube e Spotify, e você meu caro leitor pode curti-lo quando quiser!

Para terminar essa resenha/homenagem cito a faixa que dá o nome ao disco e que também fecha o mesmo, No Need To Argue. Quase três minutos de uma voz poderosa junto a um órgão que acompanha a vocalista de forma bem suave lembrando até músicas que vemos em filmes nas igrejas do EUA, fechando um álbum de certa forma equilibrado em relação as faixas animadas, mas é bom que você saiba que o tom do disco com certeza é mais melancólico do que alegre.

Eu vou ficando por aqui meus caros leitores, espero que vocês tenham gostado da matéria de hoje. Até a próxima 🙂

 

Faixas do Disco

1 –  Ode To My Family

2 – I Can’t Be With You

3 – Twenty One

4 – Zombie

5 – Empty

6 – Everything I Said

7 – The Icicle Melts

8 – Dissappointment

9 – Ridiculous Thoughts

10 – Dreaming My Dreams

11 – Daffodil Lament

12 – No Need To Argue

Ouça o álbum No Need To Argue na íntegra!

Confira Zombie em uma apresentação do Cranberries em Paris

Leia matéria sobre álbum póstumo In The End e sobre a morte da vocalista Dolores O’Riordan

 

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Os Paralamas do Sucesso – O Passo do Lui (1984)

Os Paralamas do sucesso –  o passo do lui (1984)

Fala galera! Denis Borges na área para falar de mais um disco daquela série, saga, missão ou qualquer outro nome que queiram dar. Hoje falaremos sobre o ano de 1984 e uma banda que considero pioneira do tão falado “Rock de Brasília” que começou lá nos, hoje, nostálgicos anos 80 e adentrou os anos 90 com boas bandas como Raimundos e Natiruts. Não que essas duas últimas bandas faziam o mesmo tipo ou foram influenciadas pelo som que esses caras faziam e ainda fazem, mas com toda certeza o carro abre-alas – ou um dos carros abre-alas – de Brasília foi o Paralamas do Sucesso. Pra quem viveu aquela época ou pra mim que vim uma geração depois, sabemos da importância dessa banda para a música brasileira. Hoje minha motivação para escrever sobre o ano de 1984 são essas palavras, importância e reconhecimento, acredito que é o mínimo que devemos para Herbert Vianna, João Barone e Bi Ribeiro, três excelentes músicos que formaram um dos melhores Power Trios brasileiros.

Depois dessa introdução, muitos de vocês – conhecedores da banda – podem estar questionando: Mas a banda não foi formada no Rio de Janeiro!? Claro, meus queridos blogonautas, Os Paralamas do Sucesso é uma banda formada no Rio de Janeiro, mais precisamente na cidade de Seropédica, no ano de 1982, mas, graças a Deus, ou a qualquer outro “ser astral” que vocês gostem, Herbert sempre manteve suas raízes e amizades em sua terra natal, dando uma mãozinha para bandas como a Legião Urbana, como podemos ver no filme, Somos Tão Jovens (2013, direção de Antônio Carlos da Fontoura).

A Legião Urbana terá seu próprio capítulo mais para a frente aqui nessa série que estou fazendo. Na verdade, o rock brasileiro dos anos 80 terá um bom destaque nessas próximas resenhas, afinal, caro leitor, foram os nossos anos dourados do rock nacional, quantas bandas boas tínhamos? Material pra canções nossos governantes nos proporcionam a rodo desde a invenção da roda, mas naquela época nossos músicos sabiam transformar questionamentos em canções, mas também sabiam transformar assuntos pueris, relacionados ao cotidiano e questionamentos da juventude oitentista em boas canções. Esse disco sobre o qual começarei a falar agora é uma prova ainda viva, pulsante e, por que não, atual desses assuntos pueris. Sem mais delongas vamos adentrar no segundo disco dessa banda que é imensa em sua rica trajetória, falaremos hoje sobre O Passo do Lui, Paralamas do Sucesso.

O álbum O Passo do Lui foi lançado em agosto de 1984, um ano após o ótimo disco de estreia da banda carioca, Cinema Mudo. Sempre se espera algo de bom de uma banda que acaba de vir de um bom álbum de estreia e O Passo do Lui foi tudo aquilo que podia-se imaginar de um segundo ótimo disco de uma banda que estava se projetando como expoente no ótimo cenário oitentista. Como nosso querido amigo, Flávio Oliveira, intitula a banda: “ The Police Brasileiro”, no caso do Flavinho não foi um linguajar pejorativo, muito pelo contrário, naquele momento musical a banda do Sting era o que melhor se apresentava no Pop Mundial, prova disso é que minha última crítica – do ano de 83 – foi sobre um disco do Police. Influenciados ou não, O Passo do Lui é um disco mais rock, mais ska, mais pessoal, mais Paralamas do Sucesso que seu antecessor. Herbert Viana com ótimas letras que expressavam os pensamentos pós-adolescentes daquela década, Bi e Barone desenvolvendo cada vez mais aquela “cozinha” sensacional que todos conhecemos, enfim, falar desse disco é chover no molhado. Como digo em off, é um disco atemporal, é uma coletânea em forma de disco, você tornar oito de dez músicas de um álbum em singles é algo que não consigo me lembrar na história da música.  O disco começa com a clássica “Óculos”, seguida da não menos clássica “Meu erro”, dá continuidade em “Fui Eu”, trafega pela balada “Romance Ideal”, literalmente faz uma homenagem ao ritmo que leva o nome da música em “Ska”, nos brinda com a ótima sinergia de “Mensagem de Amor”, que solo no final, que solo, aquele flerte que todo mundo queria ter/fazer/participar em “Me Liga”, uma das minhas preferidas, visitando novamente o ska em “Assaltaram a Gramática”, mais uma simbiose de ritmos em “Menino e Menina” e pra fechar esse clássico atemporal dos anos 80 a música que leva o nome do disco “O Passo do Lui”, mais uma influenciada pelo ska, o Lui do disco e da música é Luis Antônio Alves, conhecido dançarino de ska.

Resumindo tudo o que foi relatado, O Passo do Lui foi e é um disco imbatível que aliou qualidade, popularidade, identidade temporal e sucesso em vendas. Realmente é um marco do rock nacional dos anos 80. Dentre os vários ótimos discos da década O Passo do Lui, com toda certeza, é um superlativo de sua época. Vida longa aos Paralamas do Sucesso.

Antes “de me ir”, convido vocês blogonautas… blogonautas não! Somos site agora, Denis Borges! Às vezes me esqueço disso. Falha minha! Convido vocês, leitores do A História do Disco, à assistir ou escutar – virou CD em 2007 – o show emblemático, com certeza um dos melhores shows já feitos por uma banda no Rock In Rio, que Os Paralamas do Sucesso fizeram em 1985, no primeira edição do festival brasileiro. Um show S E N S A C I O N A L para uma banda que estava ainda em seu segundo disco, em um festival de tamanha magnitude mundial e que, para nós brasileiros, advindos de ditadura militar, reunir tantos nomes grandiosos da música e do rock mundial em um formato inédito no país era algo inimaginável, realmente o primogênito dos Rock In Rio foi algo impensável, realmente inimaginável para 99,99% da população, menos para o empresário – João Fortes –  um dos caras que convenceu o Medina a convidar a banda para participar do evento. Enfim, devido ao grande sucesso de O Passo do Lui, Os Paralamas do Sucesso participaram desse marco histórico que foi o primeiro Rock In Rio e representaram muito bem as cores canarinhas. Mal sabiam eles que aquela apresentação ajudaria a banda a se consolidar como uma das maiores no cenário nacional até hoje.

“Batemos o recorde do Roberto Carlos. (…) Uma loucura, ‘culpa’ do Rock in Rio!”. Fala de Bi Ribeiro, baixista do Paralamas sobre a repercussão do festival.

Vou ficando por aqui, terminando com aquele velho chavão: “espero que tenham gostado”. O disco é um clássico dos anos 80 que representa bem o que significaram essas maravilhosas bandas que nasceram nessa década impar para a musica brasileira. Um grande abraço a todos e até a próxima resenha aqui no A História do Disco!

Faixas do Disco

1 –  Óculos

2 – Meu Erro

3 – Fui Eu

4 – Romance Ideal

5 – Ska

6 – Mensagem de Amor

7 – Me Liga

8 – Assaltaram A Gramática

9 – Menino E Menina

10 – O Passo Do Lui

Ouça o álbum O Passo do Lui na íntegra!

Confira o videoclipe da faixa Óculos.

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Kiss – Destroyer (1976)

Kiss –  destroyer (1976)

Salve salve meu queridos leitores do site A História do Disco, eu Bruno Machado estou a postos novamente para falar de mais um grande álbum da história do rock n roll, admito que demoramos um pouquinho para trazer essa banda aqui pro AHD, mas garanto à vocês que a espera valeu a pena! O disco que ganhará destaque na matéria de hoje é considerado um dos maiores da carreira do Kiss, e eu garanto que pelo menos uma música desse álbum você já ouviu na sua vida.

Como quase todo mundo sabe o Kiss é uma das bandas mais folclóricas do mundo do rock e passou por inúmeras fases e formações em sua longa carreira. O grupo teve início nos anos 70 e o álbum Destroyer é o quarto álbum de estúdio da banda estadunidense. O quarteto ganhou o reforço do produtor Bob Ezrin, que acabara de fazer grandes trabalhos produzindo Lou Reed e Alice Cooper, o mesmo via muito potencial na banda por conta dos discos anteriores e também por como o Kiss mexia com a juventude. Os integrantes eram extremamente excêntricos para a época já que pintavam o rosto, usando salto plataforma e roupas coladas ou mesmo abertas no peito. O lado bom da maquiagem no rosto é que escondia a feiura dos integrantes do Kiss!

Bom, depois de descrever um pouco a banda darei destaque neste parágrafo à algumas faixas desse maravilhoso álbum. o disco começa com a grandessíssima canção Detroit Rock City, que na minha humilde opinião é uma das maiores obras do Kiss, e antes da faixa começar rola um trechinho de Rock And Roll All Nite como se duas pessoas tivessem entrando em uma Pickup e ligando o rádio para ouvir a banda. Vale e muito citar que Detroit Rock City tem solos de guitarra flamenca, uma das coisas mais fantásticas que já ouvi na música até hoje e pra mim é um dos maiores hinos da história do rock! Posteriormente temos King Of The Night Time World, outra canção bem marcante desse álbum, destaque para a bateria, pro baixo e claro pos vocalizes que só a galera do Kiss nos proporciona.

Não posso me esquecer de citar que o sucesso da banda também se dá pela parceria de Paul Stanley e Genne Simmons, grandes compositores, instrumentistas e cantores também. Será que dá pra comparar com duplas como: Lennon e McCartney, Roger Waters e David Gilmour ou até mesmo Noel e Liam Gallagher? Voltando ao Kiss, pra mim Paul Stanley é um dos maiores vocalistas de todos os tempos, ele tem uma afinação fenomenal, alcança notas altíssimas e também tem uma presença de palco invejável. Simmons por sua vez é o integrante extravagante do Kiss, é um dos que mais encarna o personagem em cima do palco nos shows da banda.

Outro fato interessante desse álbum é a incursão de “Pathétique”, de Beethoven na faixa Great Expectations, ideia de Bob Ezrin. Não há dúvida de que o produtor teve uma dedicação ímpar em relação ao quarto álbum de estúdio do Kiss, muitas vezes a arte de arriscar diferencia discos comuns de discos conceituais. Além de tudo isso já citado em nossa resenha, o álbum ganhou ainda mais destaque pela capa, uma pintura expressiva de Ken Kelly, primo do artista Frank Frazetta.

Bom, voltando as faixas destaco God Of Thunder, canção escrita por Paul Stanley mas interpretada por Gene Simmons. Outra música que tem um peso e que gera uma identidade quase que instantânea com o conceito do álbum. E pra coroar o álbum ainda temos uma balada romântica indispensável, Do You Love Me?, que entrou junto com a canção Beth no Unppluged MTV da banda gravada em 1995. Outra canção que merece muito destaque é Shout It Out Loud, faixa aliás que também conta com a colaboração de Bob Ezrin na composição. Também se caracteriza como uma música marcante na carreira do Kiss, pela sua batida, pelo riff das guitarras e pelo refrão chiclete.

A formação original do Kiss, que aliás compõe esse álbum, durou sete anos, e foi com ela que nasceu as pinturas nos rostos de cada integrante. E acreditem, para cada uma há uma explicação para o personagem criado. Ao fim dessa resenha deixaremos um link de uma matéria que a Super Interessante fez sobre a maquiagem utilizada pelo Kiss. E antes que eu me esqueça, segue a formação do Kiss no álbum Destroyer: Paul Stanley (voz e guitarra), Genne Simmons (voz e baixo), Ace Frehley (guitarra) e Peter Criss (voz e bateria).

Bom meus caros, eu vou ficando por aqui e espero que vocês tenham gostado da resenha. Na minha opinião o Kiss é uma das bandas mais importantes da história do rock, então nada mais digno que trazer ela pra AHD não é? Mais uma vez, obrigado por acessarem nosso site e até a próxima 😉

 

Faixas do Disco

1 –  Detroit Rock City

2 – King Of The Night Time World

3 – God Of Thunder

4 – Great Expectations

5 – Flaming Youth

6 – Sweet Pain

7 – Shout It Out Loud

8 – Beth

9 – Do You Love Me?

Leia matéria sobre o significado das pinturas no rosto de cada integrante do Kiss!

Infelizmente não encontramos link no Youtube com o álbum na íntegra, porém você pode

encontrar o mesmo em plataformas como Spotify e Deezer!

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Detonautas Roque Clube – 2002

Detonautas Roque Clube – 2002

Olá meus queridos leitores do site A História do Disco, eu Bruno Machado estou de volta para falar mais uma vez da música brasileira, vamos pro começo dos anos 2000 – que pra mim parece que foi ontem – onde várias novas bandas voltadas para o rock surgiram trazendo consigo bons materiais autorais. Por isso eu escolhi falar do primeiro álbum do Detonautas Roque Clube, que conseguiu lançar um primeiro disco de estúdio com muita qualidade e vários hits radiofônicos.

Já em seu primeiro álbum o Detonautas teve a Warner Music como sua casa e Fernando Magalhães como seu produtor – esse que na época já era guitarrista do Barão Vermelho. Também vale citar que o grupo teve o apoio de Gabriel O Pensador, já que Dj Cleston já havia feito parte do grupo de sua trupe. Inclusive no Ao Vivo MTV gravado por Gabriel temos Cleston e Fernando Magalhães junto no palco. Posteriormente vou falar mais do DJ Cleston e suas façanhas no inesquecível torneio Rockgol da MTV.

Bom, e já que citei a nossa amada MTV no parágrafo acima nada mais justo que citar duas faixas deste álbum que ganharam destaque no canal brasileiro: Outro Lugar e Quando O Sol Se For. E digo mais, ainda tínhamos nesse mesmo período o programa ClipMania na Rede Bandeirantes, apresentado por Sabrina Parlatore que também dava destaque aos clipes do Detonautas Roque Clube. As duas canções também foram sucesso nas rádios e foram o cartão de visita da banda para o público, principalmente por trazer um modelo de rock simples e eficaz. A banda nunca se mostrou como um ponto fora da curva, nada fora do comum, porém foi realmente a questão da receita básica do rock que fez com que o grupo se estabelecesse. Outra canção que ganhou videoclipe foi Olhos Certos, uma balada romântica que tem uma letra muito bonita por sinal. No videoclipe temos o vocalista Tico Santa Cruz sendo representado por um pequenino boneco ventríloquo, até o piercing na sobrancelha e as tatuagens os criadores do boneco não deixaram passar. Vale muito a pena conferir tanto pela arte visual quanto pela qualidade da canção.

O Detonautas realmente caprichou no conceito de seu primeiro álbum de estúdio, quando você ouve o disco todo pela primeira vez já dá pra entender que ele é um cartão de visita da banda, sente-se e muito o uso de elementos diferentes como a pick up do Dj Cleston, uma guitarra mais pesada e a outra trabalhando no dedilhado ou mesmo em um riff, e ainda batera e baixo bem alinhados em cada faixa. Aproveitando a deixa, citarei o nome dos integrantes do grupo: Tico Santa Cruz (vocal), Rodrigo Netto (guitarra e vocal), Renato Rocha (guitarra), Tchello (baixo), Dj Cleston (pick up e percussão) e Fábio Brasil (bateria).

Agora vou destacar duas faixas que não se sobressaíram tanto, pelo menos não na época de lançamento desse álbum: No Way Out e Nem Me Lembro Mais. A primeira citada é a canção que abre o disco, tem uma batida legal, guitarras virtuosas, efeitos quase que delirantes e letra falando de uma relação aparentemente complicada, algo que se tornaria uma marca posteriormente das composições de Tico Santa Cruz. A canção Nem Lembro Mais eu apenas conheci no álbum acústico da banda lançado em 2009, lembro até que quando ouvi a mesma pela primeira vez achei que era uma faixa inédita do álbum, depois pesquisando o primeiro álbum do Detonautas eu conheci a versão original da música. Aliás, é uma das canções da banda que eu mais gosto, pois sinto que ela tem um ar sentimental muito forte, e vale a pena conferir as duas versões da faixa, tanto a desse disco como a do acústico.

Antes de falar mais sobre as faixas desse disco, eu gostaria de citar um pouco da discografia do Detonautas Roque Clube, já que admito que fiquei numa indecisão muito grande em relação a qual álbum da banda trazer aqui para o AHD. Os que eu tenho em minha coleção são: O Retorno de Saturno (2008) – primeiro álbum sem Rodrigo Netto – e o Detonautas Acústico (2009). Os dois são excelentes, O Retorno de Saturno aliás tem um conceito super definido, é bem dark e tem uma tremenda qualidade sonora, o Acústico tem uma superprodução que conta com Marcelo Sussekind, canções inéditas que se destacaram nas rádios e traz à banda um novo integrante, Phil. Além desses dois álbuns citados, Roque Marciano (2004) e Psicodeliaamorsexo&distorção (2006) também merecem destaque, são excelentes álbuns que vieram recheados de hits e fizeram com que a banda se mantivesse no topo.

Voltando ao primeiro álbum de estúdio do Detonautas temos a faixa Ei Peraê!!!, mais uma boa mistura de elementos, riff marcante e refrão com cara de rock mesmo. Na mesma pegada temos O Bem e o Mal, a canção começa com Rodrigo Netto no violão e na voz, posteriormente a música ganha força com a guitarra de Renato Rocha e a voz de Tico Santa Cruz. Infelizmente o guitarrista Rodrigo Netto não teve a chance de seguir sua carreira junto ao Detonautas pois foi assassinado em 4 de Junho de 2006 ao tentar reagir a um assalto na Zona Norte do Rio de Janeiro, assim como o DJ Cleston, Rodrigo Netto foi uma figura icônica no campeonato denominado Rockgol que era organizado pela MTV Brasil. Pra mim uma das canções mais bonitas da carreira do Detonautas Roque Clube é Tudo Que Eu Falei Dormindo, e a mesma foi composta e interpretada originalmente por Rodrigo Netto no álbum Psicodeliaamorsexo&distorção de 2006, vale muito a pena conferir.

O primeiro álbum da banda ainda conta com uma faixa de protesto bem interessante, Ladrão De Gravata, onde o grupo carioca faz uma singela homenagem aos políticos brasileiros que usufruem do seu posto apenas para encher o bolso de dinheiro e enganar o povo. A versão de estúdio dessa música ainda é “leve” perto da versão do DVD Roque Marciano Ao Vivo de 2004, onde os integrantes até malham um Judas travestido de político.

Bom meus queridos leitores, eu vou ficando por aqui e espero que vocês tenham gostado da resenha de hoje. Valew, até mais!

Faixas do Disco

1 –  No Way Out

2 – Outro Lugar

3 – Quando O Sol Se For

4 – Ei Peraê!!!

5 – Olhos Certos

6 – Nem Me Lembro Mais

7 – O Bem e o Mal

8 – Ladrão De Gravata

9 – Mais Além

10 – Que Diferença Faz

11 – Outro Lugar -Versão Especial

Infelizmente não encontramos link no Youtube com o álbum na íntegra, porém você pode

encontrar o mesmo em plataformas como Spotify e Deezer!

Confira o videoclipe da faixa Olhos Certos.

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Silverchair – Freak Show (1997)

Silverchair – Freak SHow (1997)

Olá amigas e amigos do site A História do Disco, tudo bem com vocês? Espero que sim. Meu nome é Flávio Oliveira e venho aqui para bater um papo sobre mais um disco. Hoje vamos falar de uma banda que remete aquele saudosismo da MTV que nos marcou durante os anos 2000. Quem viveu essa época sabe muito bem do que estamos falando. Vários programas interessantes sobre bandas, videoclipes, humor com Hermes e Renato e o programa mais esperado do ano: a premiação do VMB. A MTV de 2019 não passa de um canal que reproduz um emaranhado de séries que quem não teve contato com o canal na época que me referi, vai associar ao canal VH1 da vida. Mas deixando de lado o saudosismo, vamos ao que interessa. Hoje vamos falar sobre um disco que marcou os anos 90 Pós Nirvana. O site AHD trás o disco Freak Show de 1997 da banda Silverchair.

O álbum Freak Show é o segundo da carreira da banda que é formada por Daniel Johns, Chris Joannou e Ben Gillies. O Silverchair surgiu em 1992 com os amigos da escola, durante a passagem dos integrantes pelo ensino fundamental. No começo a banda despontou com uma sonoridade grunge – algo bem normal pra época. O grupo de Daniels passou por diversas transformações ao longo da carreira, a cada álbum isso ficava mais explícito. No início o Silverchair era um quarteto e os rapazes faziam covers do Black Sabbath, Led Zeppelin e afins. Nesta época eles haviam formado o Innocent Criminals, tempos depois Tobin Finnane mudou-se do país por conta do trabalho de seu pai e assim a banda virou um Power Trio organizado da seguinte forma: Daniel Johns (guitarra e vocais), Bem Gillies (bateria) e Chris Joannou (baixo). A banda chamou atenção de alguns jornais locais e os integrantes começam a compor suas próprias canções. A popularização da banda trouxe resultados positivos: um contrato com uma gravadora, a Sony Music. Por isso em 1995 a banda lança seu álbum de estreia, o Frogstomp, álbum que tem um sapinho na capa. Vale ainda ressaltar que antes da fama a banda vinha se destacando em festivais locais, ganhando prêmios e também mostrando que eles não vinham para brincadeira. Outra coisa que merece ser mencionada é como surgiu o nome da banda. Por muitos anos o nome do grupo veio sendo associado a erro com a escrita da escrita “Silver Chair” retirada da canção Sliver do Nirnava e Berlin Chair do You I Am. Em 2007 os integrantes assumiram de onde realmente veio o nome do grupo. O nome veio da banda veio do livro de C.S. Lewis, As Crônicas de Nárnia, a cadeira de prata do original: The Chronicles Of Narnia: The Silver Chair.

O primeiro álbum do Silvechair teve uma boa recepção do público e alcançou sucesso, mas hoje no AHD vamos falar sobre o segundo álbum da banda. Com o sucesso do primeiro álbum ainda na sombra dos rapazes, eles decidiram gravar seu segundo disco, que levaria o nome Freak Show. O título é bem peculiar e sugestivo, pois nos lembra aqueles espetáculos de horrores circenses que datam fins do século XIX e início do século XX. Com temas que abordam raiva e distanciamento que a banda queria do primeiro disco, Freak Show recebeu disco de platina nos Estados Unidos e conseguiu colocar quatro compactos nas 10 Mais da Austrália com as canções: Freak, Abuse Me e Cemetery. O compacto The Door ficou na 25ª colocação.

O disco começa com uma pegada pesada que já mostra a banda com uma sonoridade bem agressiva. A sensação no início do álbum é que você está ouvindo um disco inédito do Nirvana, seja pela agressividade dos três integrantes ou pelas melodias que seguem quase que um padrão “Kurt Cobain”. Esse quase padrão fica mais nítido quando ouvimos a canção Lie To Me que é parecidíssima com Territorial Pissings do álbum Nevermind. Canções como Abuse Me e Freak são bem conhecidas do álbum. Em minha opinião, vejo a banda em excelente estado de espírito, no qual a química é notada a cada faixa. Depois do término do Nirvana, ficou um vácuo muito grande, mas aí veio o Silverchair e mostrou que outras bandas vinham para quebrar tudo.

A origem da capa desse disco também é bem macabra! A foto de um menino inocente e fofinho é originalmente de uma atração de circo real! O garoto da capa Grady Franklin Stiles Jr., nascido em 18 de Julho de 1937. Ele sofria de uma doença conhecida como ectrodactilia, que consistia na má formação dos dedos dos pés e das mãos. Quem nascia com essa deformação era chamado de homem lagosta. Não podemos deixar de mencionar a série norte-americana American Horror History, na temporada que aborda estes espetáculos bizarros. A quarta temporada de AHS apresenta a história ambientada em Júpiter, Flórida nos EUA e tem como temática central um dos poucos shows de aberrações que datam o ano de 1952, e na qual os donos desses espetáculos mantém seus conflitos entre os circenses e as “forças do mal”. Bom, quem tiver curiosidade vai perceber que existem várias referências na série, inclusive o ator Evans Peters sendo o homem lagosta, o personagem Jimmy Darling.

Pessoal, só para finalizarmos, o Silverchair evoluiu musicalmente e meio que acabou transformando seu modo de tocar. Os álbuns posteriores, Neon Ballroom de 1999, Diorama de 2002 e Young Modern de 2007 evidenciam muito essas transformações. Em suma, a banda é odiada por alguns e amada por outros, fica aí uma questão que envolve afinidades pessoais. Particularmente, eu acho que a banda evoluiu e partiu para composições um pouco mais complexas , deixando de lado riffs pesados e procurando explorar músicas que envolvessem maior complexidade e o uso de outros instrumentos – como uma orquestra. A criação nunca deve ser julgada, pois é fruto de um processo individual e intimista que é reflexo do que o seu autor no momento da criação. E se tratando de música, sempre vai ter uma galera que vai curtir e outra que não, algo totalmente natural. Hoje a banda vive uma pausa longa e cada um de seus integrantes tem seus próprios projetos . Daniel Johns, vocalista da banda, tem um projeto musical envolvendo música eletrônica e o meio musical pop. Mudanças radicais não é meus amigos?

Galera, espero que tenham gostado da resenha e que vocês ouçam esse disco. Vale a pena, pois além de fazer a gente lembrar um pouquinho da MTV, nos faz repensar de década de 1990, na qual pensamos que depois de 1994 e com o pós-Nirvana, o mundo musical teria acabado; a resenha deste álbum mostra o contrário, não é? Um forte abraço galera,  até mais!

Faixas do Disco

1 –  Slave

2 – Freak

3 – Abuse Me

4 – Lie To Me

5 – No Association

6 – Cemetery

7 – The Door

8 – Pop Song For Us Rejects

9 – Learn To Hate

10 – Petrol & Chlorine

11 – Roses

12 – Nobody Came

13 – The Closing

Ouça o álbum Freak Show na íntegra!

Confira o trailer da 4ª Temporada de AHS.