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Tame Impala – Lonerism (2012)

Tame Impala – Lonerism (2012)

Ola galera tudo bem? Espero que sim, que tal falarmos mais uma vez sobre boa música?  O disco de hoje é um pouco diferente de tudo que já trouxemos ao blog A História do Disco e eu, Flávio Oliveira vou procurar ser breve ao contar sobre como conheci a banda australiana Tame Impala. Tudo começou quando certa vez vi na MTV Brasil uma daquelas indicações de bandas novas no pedaço que estavam ganhando novos adeptos, a banda que estava sendo apresentada era o Tame Impala. Em primeira instância eu fiquei meio desconfiado pois se tratava de uma banda nova – e você caro leitor sabe como nós do blog A História do Disco somos quando se trata de bandas novas, nunca nos desapegamos dos clássicos, sobretudo discos que fazem a nossa mente ano após ano – mas se tratando do Tame eu deixei um pouco o ego de lado e fui procurar saber mais sobre a banda.

Como citado acima, eu estava assistindo a MTV Brasil quando me deparei com uma das indicações do Monkey Business no qual falava sobre essa banda australianaFiquei assistindo numa boa, mas quando eles anunciaram uma das músicas do disco “Lonerism” eu fiquei completamente anestesiado pela energia que a banda transmitia, sobretudo no que diz respeito aos efeitos psicodélicos e pela semelhança sonora em relação a bandas dos anos 1970, por isso, a banda foi me cativando cada vez mais e me deixando mais anestesiado. Ao fim da apresentação fiquei perplexo por dois motivos:

1° – A banda era muito boa, misturavam elementos atuais (sons eletrônicos e beats de Hip Hop) com elementos característicos dos anos 70, remetendo a sonoridade de discos clássicos como Revolver (The Beatles) e The Piper at the Gates of Down (Pink Floyd);

2° Porque o vocalista Kevin Parker tem uma voz que lembra muito a de John Lennon (principalmente na carreira solo), agora fica mais nítida a razão do imenso choque que tive quando ouvi o Tame Impala pela primeira vez.

Antes de embarcarmos nessa viagem que essa banda nos proporcionará vale a pena citarmos as raízes do Tame e seus integrantes.

Tame Impala – A Banda
 
O Tame Impala é uma banda formada em 2005 por Kevin Parker (vocal e guitarra principal), Cam Avery (baixo e vocais de apoio – compõem atualmente a banda), Dominic Simper (guitarra e sintetizador) Jay Watson (sintetizador, guitarra e vocais de apoio) e Julien Barbagallo (bateria e vocais de apoio). A banda é marcada pelo seu som alternativo que remete a bandas das décadas de 60 e 70 como Pink Floyd, The Beatles (em sua fase lisérgica) e Cream.

A banda vem ganhando destaque desde 2010 com o seu primeiro disco de estúdio, “Innerspeaker” que deixo claro a proposta dos integrantes e seus estilos, destaque também para o revival que a banda transmite. Vale citar que a banda tem este nome por conta da nacionalidade dos integrantes (todos australianos), e lá na Austrália “Impala” é o nome de um animal. Agora vamos falar do disco Lonerism!
Lonerism – O Disco
 
Lonerism é o segundo disco de estúdio do Tame Impala, o mesmo foi lançado em 05 de Outubro de 2012 pelo selo Modular Recordings. Esse álbum se destaca por ser ambicioso e menos tímido em relação ao primeiro da banda. Acredito que isso se deve ao fato da banda estar mais a vontade para gravar em estúdio e também por conta do vocalista Kevin Parker estar muito inspirado em suas composições.
O nome Lonerism remete a famosa expressão Carpe Diem (que aliás vem do latim e significa “aproveite o dia”) literalmente no sentido cru da expressão. As letras que compõem o disco e a carga psicodélica delas faz jus ao nome do álbum.

Agora vamos falar das faixas, começando pela “Be Above It”, nela sentimos a inspiração da banda com a psicodelia, o interlocutor fica sussurrando “Gotta Be Above It” repetidamente e ao passar da música a voz vai se perdendo em meio a vários sons (sintetizadores que ficam indo e voltando em sua mente) e conta também com a bateria que vai ritmando a canção. Caro leitor, esta faixa é uma pequena dose em relação ao restante do disco!

Dando continuidade as faixas do disco temos “Endors Toi” no qual Kevin Parker faz uma pequena homenagem à cantora Melody’s Echo que colaborou com este disco do Tame e também por Parker ter produzido um disco dela. Um detalhe importante de se citar é que Kevin não é apenas um músico bem requisitado, mas também um excelente produtor e o mesmo produziu Lonerism, que mostra o quão ativo é o vocalista do Tame Impala. Mas voltando a falar sobre a faixa citada acima, ela começa com uma guitarra completamente tomada por efeitos que nos remetem a sons envolventes e ainda conta com uma bateria caracterizada por batidas contínuas na caixa parecendo uma banda marcial.

Agora vamos falar brevemente da faixa “Apocalypse Dreams” que relata todo o sentimento de um relacionamento ou provavelmente um sonho que o vocalista teve. O que nos chama a atenção é o conjunto de sons que compõem a canção: música bem preenchida com órgãos, efeitos não só nos instrumentos mas também na voz de Kevin, e detalhe, a voz dele é muito parecida com a de John Lennon (como citei anteriormente). Essa música é bem caracterizada por seus efeitos e como os instrumentos se encaixam em perfeita sintonia, principalmente o som do baixo que inclusive é um Hofner igual ao que Paul McCartney usa, trazendo assim mais vivacidade ao som do instrumento.
Vamos agora à faixa “Feels Like We Only Go Backwards”. Essa canção traz um beat de Hip Hop com uma bateria completamente “enxugada”, contém também linhas de baixo que dão um perfeito acabamento na música e também os efeitos dos sintetizadores. O mais legal é que esta faixa não contém guitarra elétrica, mas mesmo assim nos remete os sons lisérgicos dos anos 70 e ouvindo ela parece que estamos ouvindo canções dos discos Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band ou Magical Mistery Tour. Posso afirmar que essa é uma das melhores músicas do disco, transparecendo a total sintonia da banda, o êxtase e o ápice do psicodelismo.
Para encerrar minha resenha sobre o Tame Impala falarei sobre minha música favorita do disco Lonerism, “Keep On Lying”. Essa canção nos traz uma letra bem triste que talvez narre uma paixão; o retrato da melancolia em relação a um amor não correspondido; desencargo de consciência ou mesmo uma pessoa arrependia por conta de se envolver em um “amor mentiroso”. Por isso como diz o título da canção: Continue mentindo! Essa música chama muita atenção pelo som psicodélico e por em um certo momento os sintetizadores um tanto quanto hipnóticos  a ganham companhia de risos aleatórios (várias pessoas dando gargalhadas), nos levando a entender que o narrador está em uma festa ou em um clima excitante, porém, quem ele realmente ama não o enxerga. Por isso essa música nos envolve em um clima hipnotizante e conta com vocais carregados de efeitos que nos levam à um jardim elétrico (sentimento que a música tenta retratar) e posteriormente à caminhos sem direção.
Bom é isso galera, eu recomendo este disco para quem está afim de ouvir um som bem diferente do que temos hoje em dia e também pelo fato deste álbum do Tame nos levar à uma grande viagem transcendental. Como disse anteriormente, esse disco é o ideal para quem busca psicodelismo, inclusive até mesmo a capa do disco nos chama muito a atenção pois é a imagem de um jardim localizado em Paris chamado Jardin Du Luxembourg, uma paisagem bem fria e obscura, características do ser humano que este disco tenta mostrar.

Agradeço muito a atenção de todos e espero que tenham curtido a resenha de hoje. Até a próxima!

Faixas do Disco
 
1 – Be Above It
2 – Endors Toi
3 – Apocalypse Dreams

4 – Mind Mischeif

5 – Music to Walk Home By

6 – Why Won’t They Talk to Me?
7 – Feel Like Me Only Go
8 – Keep on Lying
9 – Elephant
10 – She Just Won’t Believe Me
11 – Nothing That Has Happened So Far Has Been Anything We Could Control
12 – Sun’s Coming Up
Obs.: Todas as canções foram compostas por Kevin Parker, exceto Apocalypse Dreams e Elephant, que foram compostas pro Kevin Parker junto a Jay Watson.