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Audioslave (2002)

Audioslave (2002)

Salve galera do A História do Disco, eu, Denis Borges estou de volta e hoje vou falar de uma banda que considero singular, não só pelo som que fizeram mas também pelos os integrantes que fizeram parte desse projeto. Hoje a matéria será sobre o Audioslave e sobre seu primeiro álbum.

Lembro ali no começo dos anos 2000 quando escutei que Chris Cornell, vocalista de uma das melhores bandas do grunge, o Soundgarden, e o integrantes do Rage Against the Machine, Tom Morello (guitarrista), Tim Commeford (baixo) e Brad Wilk (bateria) estavam se juntando para formar uma super banda chamada Audioslave.

Como grande fã do grunge peguei-me a pensar que raios Cornell estaria pensando quando aceitou se juntar com integrantes de uma banda que faziam um som totalmente diferente do que ele já havia feito em toda sua carreira. Vale lembrar que o Rage era uma banda que fazia uma mistura de rock pesado com um vocal falado, tendo influencias do rap e do hip hop, com letras contestadoras e com um forte viés político. Já o Soundgarden é uma banda grunge que tem seu som baseado no hard rock, no punk, no rock alternativo e ainda conta com todas as influencias que as bandas de Seattle tiveram.

A expectativa era grande, afinal, fazia algum tempo que  umas das melhores e mais potentes vozes do rock estava fora  de cena e a curiosidade em relação a que “cara” teria a banda era enorme. Afinal, qual influência teria maior peso na sonoridade da banda? Como Morello e cia iriam encaixar sua musicalidade à um vocalista mais melodioso? Essas perguntas foram respondidas na primeira música de trabalho da banda, Cochise. Lembro bem quando a ouvi e vi pela primeira vez, nesta época eu já morava em Taquaritinga e ainda não existia o streaming, sendo assim não havia como eu ouvir as rádios que eu acompanha quando morava na cidade de São Paulo. Deste modo a solução era aguardar o lançamento do videoclipe na MTV Brasil.

A espera valeu a pena, Cochise era uma puta música e de quebra tinha um clipe sensacional. Os caras utilizaram os riffs da introdução no início do clipe, enquanto isso,  Morello, Commeford e Wilk são levados na caçamba de uma camionete para uma estrutura metálica, onde em seu topo estava Cornell. Quando os integrantes começam a subir – de elevador – até o topo da estrutura, a bateria entra dando início a uma contagem regressiva e quando cada integrante chega ao topo da estrutura e pega seu instrumento, vem o clímax. Uma chuva de fogos de artifício inundam o céu e uma paulada sonora invade nossos ouvidos. Escutar a mistura da voz ímpar de Cornell com os riffs pesados de Morello e ver aquela chuva de fogos de artifício foi e até hoje é mágico. Uma vez li (infelizmente não recordo onde haha) que devido a quantidade de fogos de artifício, alguns vizinhos pensaram que estavam sob ataque terrorista.

Ouvindo o restante do álbum percebemos a influência bem administrada de ambos os estilos, tendo uma leve inclinada ao estilo de Morello e seus colegas de Rage Against the Machine, principalmente nas faixas: Light My Way, Set If Off e a ótima Show Me How to Live. O gostoso é presenciar disco a presença da voz de Cornell com o peso da guitarra de Morello e perceber que este, quando preciso, também sabe trabalhar músicas mais melódicas como Shadow On The Sun e Getaway Car.

Um dos destaques do disco é uma música melodicamente mais trabalhada, a faixa “Like a Stone” que talvez seja a música mais conhecida da banda, contando mais uma vez com boa performance de Cornell e Morello. Aliás, o disco se apoia muito nessa dupla, mesmo porque ambos estão entre os melhores naquilo que fazem. Cornell com uma voz única no rock está no meu Top Five de vocalistas, Morello tem estilo único e marcante, solos alucinantes e inimagináveis são a síntese do disco. Virei fã deste quando o vi solando com uma furadeira, ali ele ganhou meu respeito.

Tenho uma particularidade com discos e músicas em específico, sempre os associo a livros que estou lendo naquele determinado momento. É de meu costume ler e escutar música ao mesmo tempo, a música serve de pano de fundo para meu imaginário e me ajuda a entrar na história em questão. Com a faixa I Am the Highway – a minha preferida –  acontece exatamente isso. Quando descobri a Terra Média de Tolkien em o Senhor dos Anéis foi lançado o disco hoje citado em nosso blog. Então sempre que escuto a faixa citada acima, me lembro de Frodo caminhando pela Terra Média e se assistir ao filme ou mesmo ler algo relacionado ao mesmo me vem a música na cabeça, essa que tem uma letra profunda transformada em uma linda balada de acordes simples e calmos numa pegada mais Cornell, trazendo à tona um Morello mais sensível e melódico mas não menos genial.

Por fim, vou dar uma pincelada nos outros dois discos que a banda gravou.  O segundo disco intitulado Out of Exile (2005) é tão bom quanto o primeiro, mas com um diferencial: a evolução musical enquanto banda. É notório que o tempo que ficaram juntos fez com que a banda encontrasse seu estilo e se entrosasse, com isso o segundo disco produziu mais singles comerciais como: You Time Has Come, Be Yourself, Doens’t Remind Me e Out Of Exile (faixa que dá nome ao disco).

O terceiro disco, Revelations (2006), segue a mesma linha dos antecessores, mas com uma peculiaridade: não foi um disco “trabalhado”. Cornell saiu da banda pouco depois do lançamento e muitas músicas ficaram sem um registro ao vivo já que a banda não realizou shows após a gravação do disco. As faixas destaque do disco foram: Original Fires e Revelations (música que dá nome ao disco).

Alegando incompatibilidade de pensamentos e personalidades, Chris Cornell seguiu seu caminho em um projeto solo em 2007 Soundgarden onde está até hoje. Em 2007 Morello e Cia voltaram ao Rage Against The Machine, em 2008 se apresentaram brilhantemente no Lollapaloza em Chicago e em 2010 no SWU no Brasil, agora estão  lançando um projeto novo com os integrantes  do Public Enemy e do Cypress Hill. O projeto chama-se Prophets of Rage.

Como mencionei no início dessa resenha a diferença sonora entre Cornell e o restante da banda era enorme, não precisando ser um vidente para saber que essa união um dia teria fim. A parte boa é que a super banda nos deixou bons materiais: três álbuns de estúdio e shows ao vivo.

Audioslave – o primeiro disco do quarteto leva o nome da banda – é uma boa pedida pra quem quer escutar algo diferente que só a junção de duas grandes bandas do rock poderiam criar. Uma boa viagem ao que houve de melhor no rock no início dos anos 2000.

Faixas do Disco

1 – Cochise

2 – Show Me How to Live


3 – Gasoline

4 – What You Are

5 – Like a Stone

6 – Set it Off

7 – Shadow On the Sun

8 – I Am the Highway

9 – Exploder

10 – Hypnotize

11 – Bring em Back Alive

12 –  Light my Way

13 – Getaway Car

14 – The Last Remaining Light

Ouça o primeiro disco do Audioslave de 2002 completo.

Leia a entrevista de Chris Cornell falando sobre o Audioslave.

Assista ao videoclipe da faixa Cochise.

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